Questões de Concurso Comentadas para cesgranrio

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Q3925483 Química

Considere um elemento químico J, pertencente ao grupo 13 da Tabela Periódica, e um outro, L, pertencente ao grupo 17.

Um sal formado pela ligação entre átomos desses elementos terá fórmula molecular

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Q3925474 Química
O metano é um gás que atua fortemente no agravamento do efeito estufa. Ele é formado por moléculas que têm um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogênio (CH4 ). Considerando-se a sua estrutura molecular e o tipo de ligações entre seus átomos, o metano é um exemplo de substância
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Q3925321 Química

Considere um átomo que, em seu estado fundamental, tem número ímpar de elétrons, sendo que o seu elétron de maior energia apresenta os seguintes números quânticos:


• principal = 4

• de momento angular (secundário) = 0

• magnético = 0


O elemento químico ao qual esse átomo corresponde é o

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Q3925320 Química

A reação de combustão do monóxido de carbono é representada pela seguinte equação química:

CO (g) + ½ O2 (g) → CO2 (g)


Considere um estudo dessa reação, realizada a 298 K. A Tabela a seguir apresenta a entropia padrão (Sº) e a entalpia padrão de formação (ΔHº f ) dos participantes da reação nessa temperatura.


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A variação de energia livre padrão dessa reação, em kJ/mol, corresponde, aproximadamente, a

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Q3925304 Matemática

Para estimular a participação e o comprometimento de seus alunos, a professora de uma turma de 2o ano do Ensino Fundamental sorteia, diariamente, um integrante da turma para ser o “ajudante do dia”. Nessa turma, há 3 meninos a mais do que meninas, e a probabilidade de que seja sorteada uma menina é de 4/9 . 


Se cada integrante da turma tem a mesma chance de ser sorteado, quantos são os meninos?

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Q3925299 Português
Texto III
Tuiupé e o maracá mágico
Quem gostar de ouvir história levante bem alto a mão, pois vou contar uma linda preste bastante atenção!
A nossa história inicia num tempo muito distante. Bem no meio da floresta vivia essa habitante.
Tuiupé era seu nome, cunhãtaí bem sapeca. Tomava banho de rio e era levada da breca.
Os povos originários viviam em segurança. Aquele era um tempo bom, de paz, amor e bonança.
O pai da nossa menina era o pajé Saracura, que com amor protegia cada viva criatura.
Juntos recolhiam plantas, flores, frutos e raízes para preparar remédios, estavam sempre felizes.
A avó de Tuiupé se chamava Yacunã, sabia tudo de ervas, era uma sábia anciã.
Com sua mãe Tuiupé cedo aprendeu a cantar, trançar palha, fazer cestos, usar rede pra pescar.

TABAJARA, Auritha; TÔRRES, Paola. Tuiupé e o maracá mágico. Ilustração de Tai. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2024. p. 5-6.

O Texto III constitui a apresentação da personagem Tuiupé do livro Tuiupé e o maracá mágico.
A fim de promover uma reflexão crítica em estudantes de 3o e 4o anos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre a história, é adequado explicitar que a construção estética positiva de Tuiupé e sua família ocorre no texto por meio do uso de 
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Q3925253 Matemática Financeira

Uma loja oferece duas opções de pagamento:

i) à vista com 50% de desconto;

ii) em duas prestações iguais sem desconto, cada uma delas igual à metade do valor da compra, sendo uma um mês após a compra e a outra dois meses após a compra.


Qual a taxa mensal de juros embutida nas vendas a prazo?


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Q3925240 Português

Texto XVII


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VEJA o santinho de Fernanda Torres que Wagner Moura levou ao Globo deOuro. Portal Metrópoles. Disponível em em: https://www.metropoles. com/entretenimento/veja-o-santinho-de-fernanda-torres-que-wagner-moura-levou-ao-globo-de-ouro. Acesso em: 28 jan. 2026. Adaptado.




O santinho é um gênero textual de teor político e derivado da esfera religiosa. O Texto XVII foi distribuído entre a equipe do filme O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, na cerimônia de premiação do Globo de Ouro 2026.


Para a efetivação da produção de sentidos sobre esse texto, que principal princípio discursivo deve ser mobilizado pelo estudante?

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Q3925239 Português

Texto XVI

Ainda estou aqui


Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta… É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós…


[...]


Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.


Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.


Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.


PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.

A língua varia com base em múltiplos fatores. Dessa forma, faz-se necessário substituir as noções de “certo” e “errado” pelas de “adequado” ou “inadequado” a depender dos diferentes objetivos e contextos discursivos.


Em “Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo.” (parágrafo 1), a(o)

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Q3925237 Português

Texto XVI

Ainda estou aqui


Meu filho nasceu às 8h45. Me lembro e me lembrarei de cada segundo do seu parto. Me lembro de ver sua cabecinha saindo. De ele balançar os bracinhos na luz. De eu chorar sem sair lágrimas. Ou de sair lágrimas sem eu chorar. Duvido que me esquecerei de algum detalhe desse dia milagroso. Existir é passar de um estado para outro: tenho fome, como, tenho frio, me agasalho, estou alegre, e agora triste, e depois estarei alegre, penso e chego a conclusões, me lembro de algo que me toca o coração, sinto um cheiro que me lembra alguém, sinto um gosto que me lembra um lugar, me emociono. Emocionar-se é passar de um estado para o outro. Você vê um quadro hoje. Vê o quadro de novo daqui a dez anos, o revê daqui a vinte, trinta, quarenta… É o mesmo quadro com a mesma moldura, na mesma parede do mesmo museu, com a mesma luz, é você, mas cada vez será visto de outra forma. Cada vez ele nos conta uma história. O quadro não mudou. Já nós…


[...]


Se tudo é recriação de algo já inventado, nada é invenção.


Sei que repetirei lá na frente o que narrei antes. Este livro sobre memórias nasce assim. Histórias são recuperadas. Umas puxam outras. As histórias vão e voltam com mais detalhes e referências. Faço uma releitura da vida da minha família. Reescrever o que já escrevi.


Ainda vejo o facho, não quero me afastar. Existem várias formas de contar a história sobre a memória e a falta dela. Procurarei a fogueira no alto quando o mar me puxar. Vou para voltar. Quem nadou em mar aberto sabe: antes de lutar desesperadamente contra a correnteza, é melhor deixar-se levar por instantes; é preciso ter calma e coragem; a correnteza enfraquece, então saímos fora.


PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. Rio de Janeiro: Alfagura, 2014. p. 27-9.

O trecho do livro Ainda estou aqui (Texto XVI), de Marcelo Rubens Paiva, promove uma reflexão sobre a criação artística.


Segundo o narrador, a construção narrativa de sua obra compara-se ao(à)

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Q3925235 Português
Texto XV
O Santo Inquérito

BRANCA (Está de pé, muito excitada.)
Era o que eu já devia ter feito. Assino em branco que reconheço todas as culpas de que me acusam ou venham a acusar-me e pronto. Assim, talvez devolvam a vocês a liberdade e a mim a luz do sol! (Sobe ao plano superior e grita.) Guarda! Guarda!

AUGUSTO
Branca, por Deus, não faça isso! Por que terei então resistido a todas as torturas? Para quê?

BRANCA
Mas eu não quero que você sofra!

AUGUSTO
Mas alguém tem de sofrer!

BRANCA
Não por minha causa.

AUGUSTO
Por uma causa qualquer, grande ou pequena, alguém tem que sofrer. Porque nem de tudo se pode abrir mão. Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca da liberdade. Nem mesmo em troca do sol.

BRANCA
Nem mesmo em troca do sol.

GUARDA (Entra.)
Que foi? Alguém chamou?

BRANCA (Hesita ainda um instante.)
Não, ninguém Chamou.


GOMES, Dias. O Santo Inquérito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1985. p. 66.
Que aspectos do gênero literário a que o Texto XV pertence devem ser adequadamente explorados em uma turma de 1a série do ensino médio?
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Q3925234 Português

Texto XIV

Analfabetismo 


Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.


Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:


— Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.


A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:


— A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não leem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, — por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.


Replico eu:


— Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições…


— As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas — “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.


E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

15 de agosto de 1876

ASSIS, Machado. Crônicas escolhidas. São Paulo: Ática, 1994. p. 19.

No Texto XIV, ao opor algarismos e letras, o cronista adere ao ponto de vista dos números, já que, em sua perspectiva,
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Q3925233 Português

Texto XIV

Analfabetismo 


Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.


Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:


— Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.


A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:


— A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não leem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, — por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.


Replico eu:


— Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições…


— As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas — “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.


E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

15 de agosto de 1876

ASSIS, Machado. Crônicas escolhidas. São Paulo: Ática, 1994. p. 19.

Machado de Assis foi um grande cronista de seu tempo.

Na crônica lida (Texto XIV), de 1876, é possível observar, como traços constituintes de sua literatura, uma

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Q3925231 Português

Texto XIII

Mineirinho


É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.


Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.


Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

[...]


LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 18.

No Texto XIII, para descrever a execução de Mineirinho, o enunciador foca o olhar do leitor na imagem dos tiros que alvejaram o rapaz, descrevendo-os em perspectiva subjetiva no 2o parágrafo.

Em uma aula para a 3a série do ensino médio, que recurso estilístico deve servir de pressuposto para que os estudantes reconheçam a intencionalidade discursiva desse trecho?

Alternativas
Q3925230 Português

Texto XIII

Mineirinho


É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.


Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.


Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

[...]


LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 18.

Na crônica (Texto XIII), o enunciador marca seu ponto de vista acerca de Mineirinho por meio de diferentes recursos linguísticos, dentre os quais mecanismos sofisticados de coesão textual.

O recurso linguístico que melhor representa esse procedimento discursivo é a(o)

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Q3925227 Português

Texto XI

Produção textual de estudante de 3a série do ensino médio

O Brasil é um país que ao decorrer de sua história passou por uma época de escravidão brutal, com muitas mortes e violência com os povos originários da África. Mesmo com a passagem de pessoas negras para o território brasileiro ter sido a muito tempo, hoje em dia ainda há problemas para a valorização da herança dos povos africanos no Brasil.


O Texto XI é a introdução de uma dissertação-argumentativa escolar voltada para o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil” (ENEM 2024).


Considerando-se a microestrutura e a macroestrutura do texto, dois dos aspectos que devem ser destacados para o estudante, de modo que a avaliação docente colabore positivamente para o processo de escrita do aluno, são

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Q3925226 Português
Texto IX

A polêmica tem nome: racismo

Os enredos afro-brasileiros estão recuperando o espaço negado por longo tempo, décadas, aos que inventaram a festa e, ainda hoje, a constroem

O carnaval chegou ao fim, tiremos a fantasia. Existe um nome para a polêmica sobre os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Sete letras. Começa com “R”, termina com “ismo”, o sufixo que denota doutrinas, sistemas, ideologias e doenças. Racismo. A discriminação racial no Brasil se dá de muitas formas, várias camadas, como se diz hoje em dia. Uma delas é disfarçar o incômodo com o protagonismo preto, negro, afro-brasileiro, periférico, favelado com discursos relacionados à monotonia, chatice, irrelevância, falta de liberdade, cerceamento à liberdade de expressão e até incompreensão. Balela. O nome é racismo.

Começou com a entrevista do carnavalesco da Unidos de Vila Isabel, escola de samba da maior qualidade, vinculada pelo nome ao filho mais ilustre, mestre Martinho. O presidente de honra da Vila é um artista negro com imensa contribuição para a valorização da cultura e da identidade afros, bem como para a integração do Brasil com países do Atlântico Negro, Angola em particular. Paulo Barros, quatro troféus por desfiles no Grupo Especial do Rio de Janeiro, disse à Folha de S.Paulo: “A maioria dos enredos deste ano são afros, tudo que já foi visto e revisto, e posso te garantir que 90% de quem está assistindo ao desfile não vai entender nada”.

A safra de enredos (supostamente) incompreensíveis lotou a Marquês de Sapucaí nos ensaios técnicos. Foram capazes de lotar a Marquês de Sapucaí nos 11 dias de travessia gratuita, sete de escolas do Grupo Especial, quatro da Série Ouro. No sábado, 21 de fevereiro, 80 mil espectadores ocuparam arquibancadas e frisas para não entender nadica de nada sobre as mandingas do Salgueiro; a visita de Oxalá a Xangô, tema da Imperatriz Leopoldinense; o Malunguinho da Unidos do Viradouro, campeã em 2024 com “Arroboboi Dangbé”. Se nos três dias do desfile principal houve quem não compreendesse, o problema está na plateia, não nos enredos. Quem gosta e vive escola de samba teve longa temporada de aprendizagem. Os temas foram anunciados antes da virada do semestre; os sambas, escolhidos até outubro; as gravações oficiais, no início de dezembro; nas redes sociais, multiplicam-se vídeos, sinopses, glossários, contextos.
[...]

OLIVEIRA, Flávia. A polêmica tem nome: racismo. O Globo, Rio de Janeiro, 7 mar. 2025. 


Texto X 

Egbé Iya Nassô

Gira a saia, ayabá
Traz as águas de Oxalá
Justiça de Ògòdò
Tambor guerreiro firma o alujá

Awurê obá kaô, awurê obá kaô
Vila Vintém é terra de macumbeiro
No meu egbé, governado por mulher
Iyá Nassô é rainha do candomblé

Eiêô, kaô kabesilê, babá Obá
Couraça de fogo no orô do velho ajapá
A raça do povo do Alafin
E arde em mim
Rubro ventre de Oyó
Na escuridão, nunca andarei só
Vovó dizia
Sangue de preto é mais forte que a travessia
[...]

UNIDOS DE PADRE MIGUEL. Egbé Iya Nassô. 2025. Autores: Thiago Vaz, W. Corrêa, Richard Valença, Diego Nicolau, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Miguel Dibo, Cabeça do Ajx , Chacal do Sax, Julio Alves, Igor Federal, Caio Alves, Camila Myngal, Marquinhos, Faustino Maykon e Claudio Russo. Disponível em: LIESA - Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Acesso em: 8 jan. 2026.

O Texto IX apresenta uma visão crítica acerca da polêmica em torno dos enredos de temática afro-brasileira no carnaval de 2025.

A fim de sustentar sua tese, a autora do texto

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Q3925224 Português

Texto V


Muitos deles [indígenas] ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio e os dois nos cabos. Aí andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, a modos de azulada. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha. Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbaria deles ser tamanha, que se não entendia nem ouvia ninguém.


CAMINHA, Pero Vaz de. Carta (1500). Disponível em: carta (bn.br). Acesso em: 27 jan. 2026.


Texto VI


Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade, não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos.


KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Cia das Letras, 2019. p. 30.

Com base nos textos V e VI e numa concepção de educação alinhada aos princípios preconizados pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), no 9.394/1996, mostra-se adequado
Alternativas
Q3925223 Português

Texto IV

Não as matem


Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex- -noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.


O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.


Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.


Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.


Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.


O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.


Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.


De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?


Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.


Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.


O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que só entre selvagens deve ter existido.


Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.


Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis, ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.

Deixem as mulheres amar à vontade.

Não as matem, pelo amor de Deus!


BARRETO, Lima. Não as matem e outras crônicas de Lima Barreto. Rio de Janeiro: Editora Pop Stories, 2024. Adaptado.

A análise linguística consiste em levar o estudante-leitor a reconhecer como a estruturação linguística do texto opera na produção de seus sentidos.


Com base nesse pressuposto, o seguinte recurso linguístico do Texto IV está adequadamente sucedido do efeito de sentido produzido na crônica:

Alternativas
Q3925222 Português

Texto IV

Não as matem


Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex- -noiva e suicidou-se em seguida, é um sintoma da revivescência de um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio, quand même, sobre a mulher.


O caso não é único. Não há muito tempo, em dias de carnaval, um rapaz atirou sobre a ex-noiva, lá pelas bandas do Estácio, matando-se em seguida. A moça com a bala na espinha, veio morrer, dias após, entre sofrimentos atrozes.


Um outro, também, pelo carnaval, ali pelas bandas do ex-futuro Hotel Monumental, que substituiu com montões de pedras o vetusto Convento da Ajuda, alvejou a sua ex-noiva e matou-a.


Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.


Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo que é de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão.


O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo.


Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.


De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de supor que, quem quer casar, deseje que a sua futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até, com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou coisa equivalente?


Todas as considerações que se possam fazer, tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição, não devem ser desprezadas.


Esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa, que enche de indignação.


O esquecimento de que elas são, como todos nós, sujeitas, a influências várias que fazem flutuar as suas inclinações, as suas amizades, os seus gostos, os seus amores, é coisa tão estúpida, que só entre selvagens deve ter existido.


Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a inanidade de generalizar a eternidade do amor.


Pode existir, existe, mas, excepcionalmente; e exigi-la nas leis, ou a cano de revólver, é um absurdo tão grande como querer impedir que o sol varie a hora do seu nascimento.

Deixem as mulheres amar à vontade.

Não as matem, pelo amor de Deus!


BARRETO, Lima. Não as matem e outras crônicas de Lima Barreto. Rio de Janeiro: Editora Pop Stories, 2024. Adaptado.

Do ponto de vista das sequências tipológicas, o Texto IV, crônica de Lima Barreto, compõe-se predominantemente de sequências argumentativas.

Assim, em turmas de 9o ano do ensino fundamental, há de mostrar-se produtiva a estratégia de evidenciar, no texto, a(o)

Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: E
4: D
5: C
6: E
7: E
8: B
9: B
10: E
11: D
12: C
13: D
14: E
15: A
16: C
17: B
18: E
19: B
20: C