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Q3828328 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


Ordem na Casa


Você é uma pessoa boa. Do tipo que se esforça para agradar todo mundo, releva deslizes alheios, se culpa quando comete os próprios deslizes, elogia, consola, dá conselhos. Tem autocontrole e engole sapos. Como boa menina, aprendeu que não é legítimo sentir raiva e, de tanto reprimi-la, vive com a barriga estufada e o intestino preso.


Você não percebe, mas quem te comanda é um gigante, um Supergigante. Um tirano que te olha de cima, aponta o dedo, não aceita notas baixas.


Ele te faz de refém, te mantém em cativeiro, e você se submete a isso.


Permite que ele dê as cartas porque tem medo. Medo de ser excluída, ser alvo de críticas e de desamor.


Mas chega uma hora em que é preciso pôr ordem na casa. Pois, por trás de toda docilidade e condescendência, também existe uma fera.


Uma fera que não quer acatar as ordens do Gigante e deseja mostrar sua autenticidade, seus gostos, seus acertos e desacertos.


Uma fera que deseja revelar que não é perfeita, que não tem que provar nada a ninguém, que quer ser amada mesmo que fuja do combinado; que é capaz de falar alto, de impor limites, de se proteger.


A fera é seu lado mais irreverente, transgressor, autêntico. E, às vezes, você precisa escutá-la. Às vezes, tem que abrir a jaula e deixá-la sair.


Porque ninguém é de ferro.


E você tem que aprender a se aceitar.


A entender que a culpa te paralisa e não permite que você seja quem é. Simplesmente quem é.


Mas quem te faz se sentir culpada? Quem aponta o dedo para você?


Seus fantasmas, seu passado, sua educação rígida?


Ou você mesma? O Super que há em você?


Coloque ordem na casa.


Não seja a primeira a se esconder por trás de um véu de justificativas quando o que você quer é assumir que não sabe cozinhar, que se apavora quando tem que dirigir, que está cansada para ir à balada, estressada com as visitas em casa, que prefere recusar um convite “irrecusável”, que não dá para quebrar um galho para o seu irmão hoje, que não pode emprestar uma grana, que não consegue gostar do perfume que ganhou do namorado, que tem medo de expor um deslize do passado.


Nem tudo são imperfeições. E, se for, faz parte também.


Você também erra, também se atrasa, também se irrita, também tem vontade de mandar tudo para aquele lugar. E nem por isso será menos digna.


Nem por isso terá menos amor.


Só por isso será mais feliz. Só por isso será mais leve. Por dentro e por fora.


(Fabiola Simões — A Soma de Todos os Afetos)

A substituição do termo destacado não foi adequada em: 
Alternativas
Q3826356 Pedagogia
Apenas não condiz com uma incumbência dos docentes, nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB:
Alternativas
Q3826355 Português

Observe a tirinha a seguir e marque a análise incorreta.


                                                               Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q3826354 Literatura

Relacione, adequadamente, vanguarda e características.



1. Futurismo


2. Cubismo


3. Dadaísmo.


4. Surrealismo.



(   ) Fugiu da reprodução, busca a supressão da sintaxe.
(   ) Irreverência, sarcasmo, sintaxe estapafúrdia e caótica.
(   ) Pretendia a destruição radical do passado, enaltecendo a ciência e a máquina.
(  ) Visava emancipar o homem, graças ao livramento integral da imaginação, possui sentido de organização e reconstrução.
Alternativas
Q3826353 Pedagogia

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB estabelece algumas normas com incumbências aos estabelecimentos de ensino, são elas:


I – articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola;
II – promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas;
III – notificar ao Conselho Tutelar do Município as ocorrências e os dados relativos a casos de violência que envolvam seus alunos, especialmente automutilações, tentativas de suicídio e suicídios consumados.

Após a leitura das assertivas, pode-se afirmar que:

Alternativas
Q3826350 Português

A Lei nº 11.645, de março de 2008, inclui no currículo escolar estudos sobre povos originários, principalmente nas Artes, Literatura e História. Apesar disso, ainda ocorrem incidentes como o que resultou no posicionamento da ATIX sobre fala de famoso apresentador.


“A ATIX, por não ter sido parte das instituições organizadoras da agenda dos artistas Luciano Huck e Anitta no Território Indígena do Xingu, recebeu com surpresa e lamentação a fala do apresentador Luciano Huck, que, sob a frase ‘..., é limpa a cultura de vocês aí...’, solicitou que indígenas com celulares e roupas não aparecessem em registros de imagem junto com eles.”

“Não devemos mais tolerar comportamentos dessa natureza como normal e que o apresentador repare sua atitude, minimamente, com uma desculpa pública.”


A fala do notório apresentador reforça o que não é objetivo da leitura de obras ou do estudo da cultura dos povos originários:

Alternativas
Q3826349 Português

                                                       Imagem associada para resolução da questão


Sobre a charge, só não se pode afirmar:

Alternativas
Q3826348 Pedagogia
Sobre o “Ensino Fundamental no contexto da Educação Básica”, tratado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), leia as alternativas a seguir e marque a única equivocada.
Alternativas
Q3826347 Pedagogia

Sobre processos de aquisição de linguagens, marque a alternativa incorreta.

Alternativas
Q3826346 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Romance XXXIV ou Joaquim Silvério

Melhor negócio que Judas

fazes tu, Joaquim Silvério:

que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples alferes.
Recebeu trinta dinheiros...
— e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!
Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!

Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso, impenitente,
com teus sombrios mistérios.

(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)


(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.)

Considere as afirmações sobre o texto.


I - O emissor constrói o poema baseado numa comparação na qual se destaca crítica maior a Silvério.
II - As vantagens enfatizadas do traidor da Conjuração Mineira só exacerbam sua vilania.
III - É dada a Judas a diminuição do dolo pela autopunição simbolizada pela figueira.
IV - Nos parênteses, há uma avaliação ética moralizante sobre a antítese heróis e traidores.

Estão corretas as afirmações:

Alternativas
Q3826345 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Romance XXXIV ou Joaquim Silvério

Melhor negócio que Judas

fazes tu, Joaquim Silvério:

que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples alferes.
Recebeu trinta dinheiros...
— e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!
Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!

Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso, impenitente,
com teus sombrios mistérios.

(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)


(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência.)

É incorreto afirmar sobre Romanceiro da Inconfidência.

Alternativas
Q3826344 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Arte de Ama


Se queres sentir a felicidade de amar,
esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com o outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

-----------------------------------------------------------------------------------------------------


O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias,
uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas;
quem diz outra coisa é besta.

Gregório de Matos.


Manuel Bandeira e Gregório de Matos.




Identifique, em Arte de Amar, onde ocorre exemplo de coesão sequencial.

Alternativas
Q3826343 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Arte de Ama


Se queres sentir a felicidade de amar,
esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com o outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

-----------------------------------------------------------------------------------------------------


O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias,
uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas;
quem diz outra coisa é besta.

Gregório de Matos.


Manuel Bandeira e Gregório de Matos.




Para Bandeira e Gregório de Matos, a arte de amar implica:

Alternativas
Q3826342 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo. 


Frases de Luis Fernando Verissimo


1) “Só há o agora. Tempo passado é lembrança e tempo futuro é adivinhação. Só o presente é legítimo.

2) “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

3) “Eu não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado.”

4) “A corrupção é muito antiga no Brasil. As contas que o Cabral trocou com os índios já não fechavam.”


Frases de Luis Fernando Verissimo

As figuras de linguagem constam nas frases de maneira sequencial:

Alternativas
Q3826341 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo. 


Frases de Luis Fernando Verissimo


1) “Só há o agora. Tempo passado é lembrança e tempo futuro é adivinhação. Só o presente é legítimo.

2) “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

3) “Eu não sei para onde caminha a humanidade. Mas, quando souber, vou para o outro lado.”

4) “A corrupção é muito antiga no Brasil. As contas que o Cabral trocou com os índios já não fechavam.”


Frases de Luis Fernando Verissimo

A relação intertextual -  frase, momentos literários brasileiros e semântica textual - falha na alternativa:
Alternativas
Q3826340 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Estudos históricos.


A letra era trêmula. A ortografia, vacilante. Escrita no papel oficial de uma prisão, com um lápis tão gasto que quase não deixava marca, aquela petição de cinco páginas mal lembrava os elegantes documentos que costumavam chegar ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos.


Mas, em 8 de janeiro de 1962, quando a carta manuscrita de Clarence Earl Gideon alcançou a mais alta instância do país, ela trazia uma pergunta tão simples — e ao mesmo tempo tão profunda — que os nove juízes não puderam ignora-la:  


"A questão é muito simples. Pedi ao tribunal que me designasse um advogado, e o tribunal recusou."


Um caminho que começou com um erro  


Dezoito meses antes, no sufocante verão da Flórida de 1961, a vida de Gideon — 51 anos, pobre, errante, quase sem educação formal — havia tomado o rumo que mudaria para sempre o direito criminal americano. 


Em 3 de junho daquele ano, a sala de bilhar Bay Harbor, em Panama City, fora arrombada. Uma porta partida, uma máquina de cigarros vandalizada, algumas moedas, cinco dólares, garrafas de cerveja e refrigerante faltando. Nada além disso. 


Ainda assim, uma única testemunha afirmou té-lo visto por ali. Bastou para que fosse preso. Gideon jurou inocência. Poucos ouviram. Um pedido simples — e negado 


Em 4 de agosto de 1961, ele se apresentou ao tribunal:


sem advogado, sem dinheiro, sem sequer compreender a linguagem das leis. Com a humildade de quem mal sabe como se dirigir a um juiz, fez o pedido que acreditava lhe ser garantido pela Constituição


"Meritíssimo, peço que me seja designado um advogado."  


O juiz Robert L. McCrary Jr. respondeu com cortesia, mas sem espago para esperança: "Desculpe, Sr. Gideon. A lei da Flórida só permite nomeação em casos de pena de morte."


Ele teria de enfrentar o Estado sozinho. Perguntar, argumentar, defender-se — tudo com apenas o oitavo ano de escolaridade. Não foi suficiente. O júri o declarou culpado. No dia 25 de agosto, recebeu a sentença máxima: cinco anos na prisão estadual. 


Do silêncio de uma cela, nasceu uma revolução


A maioria teria desistido. Gideon não. Na biblioteca da prisão, mergulhou em livros que mal conseguia compreender. Aos poucos, decifrou o sentido da Sexta Emenda, que garante assistência de advogado. Leu a Décima Quarta, que protege o devido processo legal. 


E então percebeu a verdade: Se os ricos têm advogados, por que os pobres devem enfrentar o sistema sozinhos?


Apresentou uma petição ao Supremo Tribunal da Flórida. Rejeitada sem explicações. E assim, com o mesmo lápis curto, escreveu ao Supremo Tribunal dos EUA. Uma carta simples, torta, quase infantil.


Um homem pobre, pedindo justiça ao país inteiro. E contra todas as probabilidades, o tribunal atendeu.  


O caso que escreveu a lei. Em 4 de junho de 1962, o Supremo resolveu ouvir a sua causa. E como Gideon não podia contratar ninguém, recebeu um dos maiores advogados do país: Abe Fortas, que anos depois se tornaria ministro do próprio tribunal.


A pergunta diante dos juízes era tão clara quanto revolucionária: Um réu pobre tem direito a um advogado fornecido pelo Estado?


Desde 1942, o precedente Betts v. Brady dizia que não — salvo "circunstâncias especiais"”. Mas a consciência jurídica do país havia mudado. 


Em 15 de janeiro de 1963, Fortas apresentou sua defesa:


Se até Clarence Darrow, o maior criminalista da América, contratou um advogado quando ele próprio foi acusado, como um homem pobre poderia defender-se sozinho?


A resposta, enfim, era evidente. Um veredicto que ecoou por gerações


Em 18 de março de 1963, o Supremo Tribunal divulgou sua decisão:


Unânime. 9 a 0.


O direito a um advogado não era luxo. Não era favor. Era fundamental para que houvesse justiça.


Gideon teria um novo julgamento.


O dia em que ele finalmente foi ouvido


Desta vez, com o advogado Fred Turner, tudo mudou. Ele expôs falhas, desmontou a principal testemunha, mostrou incoerências que antes haviam passado despercebidas.


Em 5 de agosto de 1963, o mesmo tribunal, o mesmo juiz, o mesmo réu — mas agora com defesa — ouviu um veredicto completamente diferente:


Inocente.


Depois de dois anos atrás das grades por um crime que não cometeu, Gideon saiu livre. Um legado maior do que sua própria vida  


Gideon voltou a uma vida simples, marcada por problemas de saúde e um quinto casamento. Morreu em 1972, pobre, enterrado inicialmente numa sepultura sem nome. Anos depois, ganhou uma lapide da ACLU com as palavras que ele mesmo escreveu a Fortas:


"Cada era encontra uma melhoria na lei para o bem da humanidade."


Hoje, sempre que um juiz diz: "Se não puder pagar, será designado um advogado."  


essas palavras existem porque um homem pobre, numa cela, se recusou a aceitar a injustiça como destino.


O poder de uma única voz


A história de Clarence Earl Gideon lembra uma verdade profunda:  


Nem sempre são os poderosos que mudam o mundo.


As vezes é alguém invisível. Alguém ignorado. Alguém cujas letras tremem no papel —mas cuja convicção permanece firme. 


Um homem que pegou um lápis curto e escreveu:


"Isto não esta certo."


E o mundo, por fim, concordou.  


Estudos históricos. 

“Sem sequer compreender a linguagem das leis” / “Aos poucos decifrou o sentido da Sexta Emenda”, os excertos denotam a dificuldade de entender o código linguístico pelo emprego de:
Alternativas
Q3826339 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Estudos históricos.


A letra era trêmula. A ortografia, vacilante. Escrita no papel oficial de uma prisão, com um lápis tão gasto que quase não deixava marca, aquela petição de cinco páginas mal lembrava os elegantes documentos que costumavam chegar ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos.


Mas, em 8 de janeiro de 1962, quando a carta manuscrita de Clarence Earl Gideon alcançou a mais alta instância do país, ela trazia uma pergunta tão simples — e ao mesmo tempo tão profunda — que os nove juízes não puderam ignora-la:  


"A questão é muito simples. Pedi ao tribunal que me designasse um advogado, e o tribunal recusou."


Um caminho que começou com um erro  


Dezoito meses antes, no sufocante verão da Flórida de 1961, a vida de Gideon — 51 anos, pobre, errante, quase sem educação formal — havia tomado o rumo que mudaria para sempre o direito criminal americano. 


Em 3 de junho daquele ano, a sala de bilhar Bay Harbor, em Panama City, fora arrombada. Uma porta partida, uma máquina de cigarros vandalizada, algumas moedas, cinco dólares, garrafas de cerveja e refrigerante faltando. Nada além disso. 


Ainda assim, uma única testemunha afirmou té-lo visto por ali. Bastou para que fosse preso. Gideon jurou inocência. Poucos ouviram. Um pedido simples — e negado 


Em 4 de agosto de 1961, ele se apresentou ao tribunal:


sem advogado, sem dinheiro, sem sequer compreender a linguagem das leis. Com a humildade de quem mal sabe como se dirigir a um juiz, fez o pedido que acreditava lhe ser garantido pela Constituição


"Meritíssimo, peço que me seja designado um advogado."  


O juiz Robert L. McCrary Jr. respondeu com cortesia, mas sem espago para esperança: "Desculpe, Sr. Gideon. A lei da Flórida só permite nomeação em casos de pena de morte."


Ele teria de enfrentar o Estado sozinho. Perguntar, argumentar, defender-se — tudo com apenas o oitavo ano de escolaridade. Não foi suficiente. O júri o declarou culpado. No dia 25 de agosto, recebeu a sentença máxima: cinco anos na prisão estadual. 


Do silêncio de uma cela, nasceu uma revolução


A maioria teria desistido. Gideon não. Na biblioteca da prisão, mergulhou em livros que mal conseguia compreender. Aos poucos, decifrou o sentido da Sexta Emenda, que garante assistência de advogado. Leu a Décima Quarta, que protege o devido processo legal. 


E então percebeu a verdade: Se os ricos têm advogados, por que os pobres devem enfrentar o sistema sozinhos?


Apresentou uma petição ao Supremo Tribunal da Flórida. Rejeitada sem explicações. E assim, com o mesmo lápis curto, escreveu ao Supremo Tribunal dos EUA. Uma carta simples, torta, quase infantil.


Um homem pobre, pedindo justiça ao país inteiro. E contra todas as probabilidades, o tribunal atendeu.  


O caso que escreveu a lei. Em 4 de junho de 1962, o Supremo resolveu ouvir a sua causa. E como Gideon não podia contratar ninguém, recebeu um dos maiores advogados do país: Abe Fortas, que anos depois se tornaria ministro do próprio tribunal.


A pergunta diante dos juízes era tão clara quanto revolucionária: Um réu pobre tem direito a um advogado fornecido pelo Estado?


Desde 1942, o precedente Betts v. Brady dizia que não — salvo "circunstâncias especiais"”. Mas a consciência jurídica do país havia mudado. 


Em 15 de janeiro de 1963, Fortas apresentou sua defesa:


Se até Clarence Darrow, o maior criminalista da América, contratou um advogado quando ele próprio foi acusado, como um homem pobre poderia defender-se sozinho?


A resposta, enfim, era evidente. Um veredicto que ecoou por gerações


Em 18 de março de 1963, o Supremo Tribunal divulgou sua decisão:


Unânime. 9 a 0.


O direito a um advogado não era luxo. Não era favor. Era fundamental para que houvesse justiça.


Gideon teria um novo julgamento.


O dia em que ele finalmente foi ouvido


Desta vez, com o advogado Fred Turner, tudo mudou. Ele expôs falhas, desmontou a principal testemunha, mostrou incoerências que antes haviam passado despercebidas.


Em 5 de agosto de 1963, o mesmo tribunal, o mesmo juiz, o mesmo réu — mas agora com defesa — ouviu um veredicto completamente diferente:


Inocente.


Depois de dois anos atrás das grades por um crime que não cometeu, Gideon saiu livre. Um legado maior do que sua própria vida  


Gideon voltou a uma vida simples, marcada por problemas de saúde e um quinto casamento. Morreu em 1972, pobre, enterrado inicialmente numa sepultura sem nome. Anos depois, ganhou uma lapide da ACLU com as palavras que ele mesmo escreveu a Fortas:


"Cada era encontra uma melhoria na lei para o bem da humanidade."


Hoje, sempre que um juiz diz: "Se não puder pagar, será designado um advogado."  


essas palavras existem porque um homem pobre, numa cela, se recusou a aceitar a injustiça como destino.


O poder de uma única voz


A história de Clarence Earl Gideon lembra uma verdade profunda:  


Nem sempre são os poderosos que mudam o mundo.


As vezes é alguém invisível. Alguém ignorado. Alguém cujas letras tremem no papel —mas cuja convicção permanece firme. 


Um homem que pegou um lápis curto e escreveu:


"Isto não esta certo."


E o mundo, por fim, concordou.  


Estudos históricos. 

A argumentação de defesa empregada por Abe Fortas fundamentou-se:

Alternativas
Q3826338 Literatura

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


“Gemeu roucamente um rugido abafado.

Ouviu-o Hortência no quarto contíguo e, assustada, julgando o irmão doente, perguntou-lhe:

— Tens alguma coisa, Lourenço?

— Não, não é nada...

E ficou muito quieto durante alguns momentos.

A pouco e pouco foi-se-lhe a imaginação despertando novamente, porém tomando agora outro destino para as suas fantasias. Entrou a pensar na irmã, na idade dela, nas suas bonitas formas de virgem — com uma grande volúpia no fundo dos olhos. Apertou os braços sobre o peito, como abraçando alguém... Idealizava formosamente apetitoso o corpo de Hortência e começou a experimentar vagos desejos de vê-la, de sentir-lhe o calor do sangue de encontro a seu corpo, de afagá-la carinhosamente, longamente, nos êxtases da criminosa paixão, e súbitas erguida em seu dissoluto espírito libérrimo. A norte-americana do circo foi substituída por Hortência. O desejo banal e comum cedeu lugar à aspiração incestuosa.”



Fragmento do romance Hortência, de Marques de Carvalho.

O fragmento do romance Hortência, de Marques de Carvalho, não deixa perceber:
Alternativas
Q3826337 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


“Gemeu roucamente um rugido abafado.

Ouviu-o Hortência no quarto contíguo e, assustada, julgando o irmão doente, perguntou-lhe:

— Tens alguma coisa, Lourenço?

— Não, não é nada...

E ficou muito quieto durante alguns momentos.

A pouco e pouco foi-se-lhe a imaginação despertando novamente, porém tomando agora outro destino para as suas fantasias. Entrou a pensar na irmã, na idade dela, nas suas bonitas formas de virgem — com uma grande volúpia no fundo dos olhos. Apertou os braços sobre o peito, como abraçando alguém... Idealizava formosamente apetitoso o corpo de Hortência e começou a experimentar vagos desejos de vê-la, de sentir-lhe o calor do sangue de encontro a seu corpo, de afagá-la carinhosamente, longamente, nos êxtases da criminosa paixão, e súbitas erguida em seu dissoluto espírito libérrimo. A norte-americana do circo foi substituída por Hortência. O desejo banal e comum cedeu lugar à aspiração incestuosa.”



Fragmento do romance Hortência, de Marques de Carvalho.

Analise as afirmativas e assinale a alternativa correta.


I - O pronome pessoal tem função sintática de adjunto adnominal em: “...sentir-lhe o calor do sangue”.
II - “...êxtases da criminosa paixão” sugere ação cometida por emoções intensas e avassaladoras.
III - Em “A norte-americana do circo foi substituída por Hortência”, tem-se uma perífrase como núcleo do sujeito agente.
IV - Lourenço apresenta romântica idealização pela figura da irmã.
Alternativas
Q3826336 Legislação dos Municípios do Estado do Pará

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Utilize a Lei Orgânica do Município de Viseu para resolver a questão.


(Prefeitura Municipal de Viseu)

Sobre as garantias da família, da criança, do adolescente, do idoso e da pessoa com deficiência, apenas não se pode afirmar:
Alternativas
Respostas
181: D
182: C
183: A
184: B
185: A
186: A
187: B
188: B
189: C
190: C
191: A
192: C
193: C
194: B
195: C
196: A
197: A
198: A
199: D
200: B