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Q4099991 Pedagogia
Com base na Lei Complementar Municipal n.º 412/2023, de Franco da Rocha – Estatuto dos Profissionais da Educação, descreve CORRETAMENTE as competências e deveres éticos dos profissionais da educação municipal no exercício de sua função:
Alternativas
Q4099990 Pedagogia
De acordo com os princípios da BNCC definidos pela Resolução CNE/CP n.º 2/2017, quais são as competências gerais que orientam o desenvolvimento integral do estudante? Assinale CORRETAMENTE.
Alternativas
Q4099989 Pedagogia
Sobre a Resolução CNE/CP n.º 2/2017, que orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a proposição curricular para a Educação Básica é: 
Alternativas
Q4099988 Pedagogia
Com base nos princípios da Política Nacional de Educação Especial, assinale CORRETAMENTE como as escolas públicas devem assegurar a participação dos estudantes com deficiência nas práticas pedagógicas regulares.
Alternativas
Q4099987 Pedagogia
A Política Nacional de Educação Especial incentiva a utilização de Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) no contexto da escola inclusiva. A característica essencial para o funcionamento dessas salas, conforme disposto na política é: 
Alternativas
Q4099986 Pedagogia
Na implementação da Educação Inclusiva segundo a Política Nacional de Educação Especial, a organização da escola deve incluir a garantia de quais práticas e condições para promover a inclusão efetiva? Assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4099985 Pedagogia
A Política Nacional de Educação Especial propõe uma reconfiguração do papel das instituições especializadas no contexto da educação inclusiva. A função CORRETA dessas instituições na perspectiva da política é: 
Alternativas
Q4099984 Pedagogia
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), qual princípio norteador orienta a organização do Atendimento Educacional Especializado (AEE) nas escolas públicas, considerando a inclusão no ensino regular? Assinale CORRETAMENTE. 
Alternativas
Q4099983 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
No contexto do ECA, assinale CORRETAMENTE as regras que se aplicam ao trabalho infantil e ao trabalho educativo de adolescentes, de acordo com suas disposições legais e os limites de idade. 
Alternativas
Q4099982 Pedagogia
A partir dos parâmetros do ECA, a diretriz que deve orientar as instituições educacionais na proteção e no desenvolvimento integral das crianças e adolescentes sob sua responsabilidade é: 
Alternativas
Q4099981 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
O ECA dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente em diferentes contextos sociais e legais. A prática CORRETA sobre a aplicação efetiva dos seus princípios é: 
Alternativas
Q4099980 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Sobre os direitos de liberdade assegurados às crianças e adolescentes no ECA, a interpretação CORRETA de acordo com o disposto no Artigo 16 é: 
Alternativas
Q4099979 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei n.º 8.069/1990, o direito à educação é previsto com obrigações claras para o Estado. A alternativa que reflete uma compreensão CORRETA dos deveres estatais em relação à garantia desse direito é: 
Alternativas
Q4099973 Português
TEXTO

ARMAS EM TEMPOS DE GUERRA, PESTICIDAS EM TEMPOS DE PAZ

    Em maio de 2024, o noticiário mundial destacou a acusação dos Estados Unidos contra a Rússia pelo suposto uso de cloropicrina como arma química na guerra da Ucrânia. Descoberta em 1848 pelo químico escocês John Stenhouse (1809-1880), a cloropicrina foi patenteada como pesticida, em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, sua aplicação tomou outro rumo, sendo amplamente utilizada como agente químico sufocante. Embora menos letal que outros compostos da mesma categoria, a cloropicrina induz náuseas, forçando as vítimas a removerem seus equipamentos de proteção para vomitar, deixando-as vulneráveis a outros agentes mais perigosos. Embora seu uso como arma química seja proibido atualmente, a substância continua sendo amplamente empregada como pesticida, especialmente para a desinfecção de solos.

        A Primeira Guerra Mundial marcou um ponto de inflexão na relação entre guerras e o uso de pesticidas. No início do conflito, a Alemanha já contava com uma indústria química diversificada e avançada, em grande parte graças às contribuições de cientistas renomados como Walther Nernst (1864- 1941) e Fritz Haber (1868-1934). Mediante incentivo direto do Kaiser, eles desempenharam papeis fundamentais na consolidação da guerra química. Haber, em particular, é reconhecido como o idealizador do primeiro ataque com uma arma de destruição em massa da história, quando 150 toneladas de gás cloro foram lançadas sobre o campo de batalha em Ypres, na Bélgica. Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente, produzindo apenas compostos químicos simples, muitas vezes com matérias-primas importadas da Alemanha.

        Na época, a produção alemã de compostos químicos superava a estadunidense em 21 vezes. Mas logo aconteceria uma transformação drástica nesse cenário: enquanto a Alemanha emergiu devastada e empobrecida pela Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para impulsionar o desenvolvimento de sua indústria química. Em 1917, começaram a fabricar corantes para preencher o vácuo deixado pelo colapso da indústria alemã. As empresas DuPont e a National Aniline & Chemical (posteriormente renomeada como Allied Chemical) se tornaram líderes de mercado. Já a Hooker Company, que inicialmente produzia apenas água sanitária e soda cáustica, diversificou significativamente seu portfólio até o final da guerra, assumindo a liderança na produção de clorobenzeno, composto essencial para a fabricação de corantes, explosivos e armas químicas. Poucos meses após o final da guerra, os EUA produziam uma quantidade de gases tóxicos suficiente para despejar diariamente 200 toneladas dessas substâncias no campo de batalha.

       A pesquisa impulsionada pelo avanço industrial levou ao desenvolvimento do primeiro pesticida orgânico sintético. Aqui, alguns leitores devem estar se perguntando: “como assim pesticida orgânico, se alface orgânico é justamente aquele produzido livre de pesticidas?”. Bem, na química, compostos orgânicos são aqueles formados por cadeias de carbono, e a química orgânica é a área que estuda esses compostos.

    Então, voltando aos pesticidas, ao longo da Primeira Guerra, indústrias químicas produziram grandes quantidades de ácido pícrico, usado em explosivos. Como subproduto da sua fabricação, formava-se o para-diclorobenzeno (PDB), cuja toxicidade foi testada frente a diferentes insetos, obtendo-se resultados promissores. Rapidamente o PDB conquistou seu lugar no mercado de pesticidas e, nas décadas seguintes, toneladas dessa substância foram comercializadas. Armas químicas também passaram a ser estudadas para esses fins. Cientistas testaram, por exemplo, diferentes agentes frente ao piolho do corpo, vetor responsável pela transmissão do tifo. O objetivo era desenvolver um gás que pudesse ser liberado em uma câmara de desinfecção, sendo letal para os piolhos, mas seguro para seres humanos equipados com máscaras de proteção.

    Nessa época, já estava consolidado o paradigma do uso de substâncias químicas para a eliminação do “outro”, fosse esse outro um inimigo no campo de batalha ou um inseto capaz de destruir plantações e transmitir doenças. Em ambos os contextos, a produção dessas substâncias estava alinhada aos interesses de um mercado em expansão e altamente lucrativo. Assim, empregar determinados compostos como armas químicas em tempos de guerra e como pesticidas em tempos de paz era considerado uma possibilidade bastante lógica.

    No livro ‘A Era Química: Como os químicos combateram a fome e as doenças, mataram milhões e mudaram nossa relação com a Terra’, o biólogo Frank Hippel destaca uma visão emblemática de William Sibert (1860-1935), o primeiro diretor do Serviço Norte-Americano de Armas Químicas. Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto. Além disso, defendia que a “genialidade e o patriotismo” demonstrados por químicos e engenheiros durante os tempos de conflito não deveriam ser desperdiçados em períodos de paz. Em outras palavras, enquanto fosse possível encontrar aplicações para as substâncias químicas desenvolvidas durante a guerra, essas inovações deveriam ser aproveitadas.

    Deixo claro que meu intuito não é demonizar o uso de substâncias químicas na agricultura. A necessidade do uso de agrotóxicos é um debate aberto e extremamente complexo. Entretanto, essas histórias nos levam a refletir: será que o uso de determinadas substâncias na agricultura foi inicialmente motivado pela necessidade de resolver o problema da fome, que afeta muitos, ou serviu principalmente para criar mercados lucrativos para uma indústria emergente, beneficiando o enriquecimento de poucos?


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armas-emtempos-de-guerra-pesticidas-em-tempos-de-paz/>. Adaptado. Acesso em: 10 de outubro de 2025.
Nos trechos a seguir, a palavra destacada é uma preposição essencial em: 
Alternativas
Q4099972 Português
TEXTO

ARMAS EM TEMPOS DE GUERRA, PESTICIDAS EM TEMPOS DE PAZ

    Em maio de 2024, o noticiário mundial destacou a acusação dos Estados Unidos contra a Rússia pelo suposto uso de cloropicrina como arma química na guerra da Ucrânia. Descoberta em 1848 pelo químico escocês John Stenhouse (1809-1880), a cloropicrina foi patenteada como pesticida, em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, sua aplicação tomou outro rumo, sendo amplamente utilizada como agente químico sufocante. Embora menos letal que outros compostos da mesma categoria, a cloropicrina induz náuseas, forçando as vítimas a removerem seus equipamentos de proteção para vomitar, deixando-as vulneráveis a outros agentes mais perigosos. Embora seu uso como arma química seja proibido atualmente, a substância continua sendo amplamente empregada como pesticida, especialmente para a desinfecção de solos.

        A Primeira Guerra Mundial marcou um ponto de inflexão na relação entre guerras e o uso de pesticidas. No início do conflito, a Alemanha já contava com uma indústria química diversificada e avançada, em grande parte graças às contribuições de cientistas renomados como Walther Nernst (1864- 1941) e Fritz Haber (1868-1934). Mediante incentivo direto do Kaiser, eles desempenharam papeis fundamentais na consolidação da guerra química. Haber, em particular, é reconhecido como o idealizador do primeiro ataque com uma arma de destruição em massa da história, quando 150 toneladas de gás cloro foram lançadas sobre o campo de batalha em Ypres, na Bélgica. Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente, produzindo apenas compostos químicos simples, muitas vezes com matérias-primas importadas da Alemanha.

        Na época, a produção alemã de compostos químicos superava a estadunidense em 21 vezes. Mas logo aconteceria uma transformação drástica nesse cenário: enquanto a Alemanha emergiu devastada e empobrecida pela Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para impulsionar o desenvolvimento de sua indústria química. Em 1917, começaram a fabricar corantes para preencher o vácuo deixado pelo colapso da indústria alemã. As empresas DuPont e a National Aniline & Chemical (posteriormente renomeada como Allied Chemical) se tornaram líderes de mercado. Já a Hooker Company, que inicialmente produzia apenas água sanitária e soda cáustica, diversificou significativamente seu portfólio até o final da guerra, assumindo a liderança na produção de clorobenzeno, composto essencial para a fabricação de corantes, explosivos e armas químicas. Poucos meses após o final da guerra, os EUA produziam uma quantidade de gases tóxicos suficiente para despejar diariamente 200 toneladas dessas substâncias no campo de batalha.

       A pesquisa impulsionada pelo avanço industrial levou ao desenvolvimento do primeiro pesticida orgânico sintético. Aqui, alguns leitores devem estar se perguntando: “como assim pesticida orgânico, se alface orgânico é justamente aquele produzido livre de pesticidas?”. Bem, na química, compostos orgânicos são aqueles formados por cadeias de carbono, e a química orgânica é a área que estuda esses compostos.

    Então, voltando aos pesticidas, ao longo da Primeira Guerra, indústrias químicas produziram grandes quantidades de ácido pícrico, usado em explosivos. Como subproduto da sua fabricação, formava-se o para-diclorobenzeno (PDB), cuja toxicidade foi testada frente a diferentes insetos, obtendo-se resultados promissores. Rapidamente o PDB conquistou seu lugar no mercado de pesticidas e, nas décadas seguintes, toneladas dessa substância foram comercializadas. Armas químicas também passaram a ser estudadas para esses fins. Cientistas testaram, por exemplo, diferentes agentes frente ao piolho do corpo, vetor responsável pela transmissão do tifo. O objetivo era desenvolver um gás que pudesse ser liberado em uma câmara de desinfecção, sendo letal para os piolhos, mas seguro para seres humanos equipados com máscaras de proteção.

    Nessa época, já estava consolidado o paradigma do uso de substâncias químicas para a eliminação do “outro”, fosse esse outro um inimigo no campo de batalha ou um inseto capaz de destruir plantações e transmitir doenças. Em ambos os contextos, a produção dessas substâncias estava alinhada aos interesses de um mercado em expansão e altamente lucrativo. Assim, empregar determinados compostos como armas químicas em tempos de guerra e como pesticidas em tempos de paz era considerado uma possibilidade bastante lógica.

    No livro ‘A Era Química: Como os químicos combateram a fome e as doenças, mataram milhões e mudaram nossa relação com a Terra’, o biólogo Frank Hippel destaca uma visão emblemática de William Sibert (1860-1935), o primeiro diretor do Serviço Norte-Americano de Armas Químicas. Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto. Além disso, defendia que a “genialidade e o patriotismo” demonstrados por químicos e engenheiros durante os tempos de conflito não deveriam ser desperdiçados em períodos de paz. Em outras palavras, enquanto fosse possível encontrar aplicações para as substâncias químicas desenvolvidas durante a guerra, essas inovações deveriam ser aproveitadas.

    Deixo claro que meu intuito não é demonizar o uso de substâncias químicas na agricultura. A necessidade do uso de agrotóxicos é um debate aberto e extremamente complexo. Entretanto, essas histórias nos levam a refletir: será que o uso de determinadas substâncias na agricultura foi inicialmente motivado pela necessidade de resolver o problema da fome, que afeta muitos, ou serviu principalmente para criar mercados lucrativos para uma indústria emergente, beneficiando o enriquecimento de poucos?


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armas-emtempos-de-guerra-pesticidas-em-tempos-de-paz/>. Adaptado. Acesso em: 10 de outubro de 2025.
Assinale a alternativa que apresenta uma oração destacada com função de complemento nominal. 
Alternativas
Q4099971 Português
TEXTO

ARMAS EM TEMPOS DE GUERRA, PESTICIDAS EM TEMPOS DE PAZ

    Em maio de 2024, o noticiário mundial destacou a acusação dos Estados Unidos contra a Rússia pelo suposto uso de cloropicrina como arma química na guerra da Ucrânia. Descoberta em 1848 pelo químico escocês John Stenhouse (1809-1880), a cloropicrina foi patenteada como pesticida, em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, sua aplicação tomou outro rumo, sendo amplamente utilizada como agente químico sufocante. Embora menos letal que outros compostos da mesma categoria, a cloropicrina induz náuseas, forçando as vítimas a removerem seus equipamentos de proteção para vomitar, deixando-as vulneráveis a outros agentes mais perigosos. Embora seu uso como arma química seja proibido atualmente, a substância continua sendo amplamente empregada como pesticida, especialmente para a desinfecção de solos.

        A Primeira Guerra Mundial marcou um ponto de inflexão na relação entre guerras e o uso de pesticidas. No início do conflito, a Alemanha já contava com uma indústria química diversificada e avançada, em grande parte graças às contribuições de cientistas renomados como Walther Nernst (1864- 1941) e Fritz Haber (1868-1934). Mediante incentivo direto do Kaiser, eles desempenharam papeis fundamentais na consolidação da guerra química. Haber, em particular, é reconhecido como o idealizador do primeiro ataque com uma arma de destruição em massa da história, quando 150 toneladas de gás cloro foram lançadas sobre o campo de batalha em Ypres, na Bélgica. Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente, produzindo apenas compostos químicos simples, muitas vezes com matérias-primas importadas da Alemanha.

        Na época, a produção alemã de compostos químicos superava a estadunidense em 21 vezes. Mas logo aconteceria uma transformação drástica nesse cenário: enquanto a Alemanha emergiu devastada e empobrecida pela Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para impulsionar o desenvolvimento de sua indústria química. Em 1917, começaram a fabricar corantes para preencher o vácuo deixado pelo colapso da indústria alemã. As empresas DuPont e a National Aniline & Chemical (posteriormente renomeada como Allied Chemical) se tornaram líderes de mercado. Já a Hooker Company, que inicialmente produzia apenas água sanitária e soda cáustica, diversificou significativamente seu portfólio até o final da guerra, assumindo a liderança na produção de clorobenzeno, composto essencial para a fabricação de corantes, explosivos e armas químicas. Poucos meses após o final da guerra, os EUA produziam uma quantidade de gases tóxicos suficiente para despejar diariamente 200 toneladas dessas substâncias no campo de batalha.

       A pesquisa impulsionada pelo avanço industrial levou ao desenvolvimento do primeiro pesticida orgânico sintético. Aqui, alguns leitores devem estar se perguntando: “como assim pesticida orgânico, se alface orgânico é justamente aquele produzido livre de pesticidas?”. Bem, na química, compostos orgânicos são aqueles formados por cadeias de carbono, e a química orgânica é a área que estuda esses compostos.

    Então, voltando aos pesticidas, ao longo da Primeira Guerra, indústrias químicas produziram grandes quantidades de ácido pícrico, usado em explosivos. Como subproduto da sua fabricação, formava-se o para-diclorobenzeno (PDB), cuja toxicidade foi testada frente a diferentes insetos, obtendo-se resultados promissores. Rapidamente o PDB conquistou seu lugar no mercado de pesticidas e, nas décadas seguintes, toneladas dessa substância foram comercializadas. Armas químicas também passaram a ser estudadas para esses fins. Cientistas testaram, por exemplo, diferentes agentes frente ao piolho do corpo, vetor responsável pela transmissão do tifo. O objetivo era desenvolver um gás que pudesse ser liberado em uma câmara de desinfecção, sendo letal para os piolhos, mas seguro para seres humanos equipados com máscaras de proteção.

    Nessa época, já estava consolidado o paradigma do uso de substâncias químicas para a eliminação do “outro”, fosse esse outro um inimigo no campo de batalha ou um inseto capaz de destruir plantações e transmitir doenças. Em ambos os contextos, a produção dessas substâncias estava alinhada aos interesses de um mercado em expansão e altamente lucrativo. Assim, empregar determinados compostos como armas químicas em tempos de guerra e como pesticidas em tempos de paz era considerado uma possibilidade bastante lógica.

    No livro ‘A Era Química: Como os químicos combateram a fome e as doenças, mataram milhões e mudaram nossa relação com a Terra’, o biólogo Frank Hippel destaca uma visão emblemática de William Sibert (1860-1935), o primeiro diretor do Serviço Norte-Americano de Armas Químicas. Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto. Além disso, defendia que a “genialidade e o patriotismo” demonstrados por químicos e engenheiros durante os tempos de conflito não deveriam ser desperdiçados em períodos de paz. Em outras palavras, enquanto fosse possível encontrar aplicações para as substâncias químicas desenvolvidas durante a guerra, essas inovações deveriam ser aproveitadas.

    Deixo claro que meu intuito não é demonizar o uso de substâncias químicas na agricultura. A necessidade do uso de agrotóxicos é um debate aberto e extremamente complexo. Entretanto, essas histórias nos levam a refletir: será que o uso de determinadas substâncias na agricultura foi inicialmente motivado pela necessidade de resolver o problema da fome, que afeta muitos, ou serviu principalmente para criar mercados lucrativos para uma indústria emergente, beneficiando o enriquecimento de poucos?


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armas-emtempos-de-guerra-pesticidas-em-tempos-de-paz/>. Adaptado. Acesso em: 10 de outubro de 2025.
Em “Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto”, os termos destacados têm como sinônimos, respectivamente: 
Alternativas
Q4099970 Português
TEXTO

ARMAS EM TEMPOS DE GUERRA, PESTICIDAS EM TEMPOS DE PAZ

    Em maio de 2024, o noticiário mundial destacou a acusação dos Estados Unidos contra a Rússia pelo suposto uso de cloropicrina como arma química na guerra da Ucrânia. Descoberta em 1848 pelo químico escocês John Stenhouse (1809-1880), a cloropicrina foi patenteada como pesticida, em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, sua aplicação tomou outro rumo, sendo amplamente utilizada como agente químico sufocante. Embora menos letal que outros compostos da mesma categoria, a cloropicrina induz náuseas, forçando as vítimas a removerem seus equipamentos de proteção para vomitar, deixando-as vulneráveis a outros agentes mais perigosos. Embora seu uso como arma química seja proibido atualmente, a substância continua sendo amplamente empregada como pesticida, especialmente para a desinfecção de solos.

        A Primeira Guerra Mundial marcou um ponto de inflexão na relação entre guerras e o uso de pesticidas. No início do conflito, a Alemanha já contava com uma indústria química diversificada e avançada, em grande parte graças às contribuições de cientistas renomados como Walther Nernst (1864- 1941) e Fritz Haber (1868-1934). Mediante incentivo direto do Kaiser, eles desempenharam papeis fundamentais na consolidação da guerra química. Haber, em particular, é reconhecido como o idealizador do primeiro ataque com uma arma de destruição em massa da história, quando 150 toneladas de gás cloro foram lançadas sobre o campo de batalha em Ypres, na Bélgica. Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente, produzindo apenas compostos químicos simples, muitas vezes com matérias-primas importadas da Alemanha.

        Na época, a produção alemã de compostos químicos superava a estadunidense em 21 vezes. Mas logo aconteceria uma transformação drástica nesse cenário: enquanto a Alemanha emergiu devastada e empobrecida pela Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para impulsionar o desenvolvimento de sua indústria química. Em 1917, começaram a fabricar corantes para preencher o vácuo deixado pelo colapso da indústria alemã. As empresas DuPont e a National Aniline & Chemical (posteriormente renomeada como Allied Chemical) se tornaram líderes de mercado. Já a Hooker Company, que inicialmente produzia apenas água sanitária e soda cáustica, diversificou significativamente seu portfólio até o final da guerra, assumindo a liderança na produção de clorobenzeno, composto essencial para a fabricação de corantes, explosivos e armas químicas. Poucos meses após o final da guerra, os EUA produziam uma quantidade de gases tóxicos suficiente para despejar diariamente 200 toneladas dessas substâncias no campo de batalha.

       A pesquisa impulsionada pelo avanço industrial levou ao desenvolvimento do primeiro pesticida orgânico sintético. Aqui, alguns leitores devem estar se perguntando: “como assim pesticida orgânico, se alface orgânico é justamente aquele produzido livre de pesticidas?”. Bem, na química, compostos orgânicos são aqueles formados por cadeias de carbono, e a química orgânica é a área que estuda esses compostos.

    Então, voltando aos pesticidas, ao longo da Primeira Guerra, indústrias químicas produziram grandes quantidades de ácido pícrico, usado em explosivos. Como subproduto da sua fabricação, formava-se o para-diclorobenzeno (PDB), cuja toxicidade foi testada frente a diferentes insetos, obtendo-se resultados promissores. Rapidamente o PDB conquistou seu lugar no mercado de pesticidas e, nas décadas seguintes, toneladas dessa substância foram comercializadas. Armas químicas também passaram a ser estudadas para esses fins. Cientistas testaram, por exemplo, diferentes agentes frente ao piolho do corpo, vetor responsável pela transmissão do tifo. O objetivo era desenvolver um gás que pudesse ser liberado em uma câmara de desinfecção, sendo letal para os piolhos, mas seguro para seres humanos equipados com máscaras de proteção.

    Nessa época, já estava consolidado o paradigma do uso de substâncias químicas para a eliminação do “outro”, fosse esse outro um inimigo no campo de batalha ou um inseto capaz de destruir plantações e transmitir doenças. Em ambos os contextos, a produção dessas substâncias estava alinhada aos interesses de um mercado em expansão e altamente lucrativo. Assim, empregar determinados compostos como armas químicas em tempos de guerra e como pesticidas em tempos de paz era considerado uma possibilidade bastante lógica.

    No livro ‘A Era Química: Como os químicos combateram a fome e as doenças, mataram milhões e mudaram nossa relação com a Terra’, o biólogo Frank Hippel destaca uma visão emblemática de William Sibert (1860-1935), o primeiro diretor do Serviço Norte-Americano de Armas Químicas. Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto. Além disso, defendia que a “genialidade e o patriotismo” demonstrados por químicos e engenheiros durante os tempos de conflito não deveriam ser desperdiçados em períodos de paz. Em outras palavras, enquanto fosse possível encontrar aplicações para as substâncias químicas desenvolvidas durante a guerra, essas inovações deveriam ser aproveitadas.

    Deixo claro que meu intuito não é demonizar o uso de substâncias químicas na agricultura. A necessidade do uso de agrotóxicos é um debate aberto e extremamente complexo. Entretanto, essas histórias nos levam a refletir: será que o uso de determinadas substâncias na agricultura foi inicialmente motivado pela necessidade de resolver o problema da fome, que afeta muitos, ou serviu principalmente para criar mercados lucrativos para uma indústria emergente, beneficiando o enriquecimento de poucos?


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armas-emtempos-de-guerra-pesticidas-em-tempos-de-paz/>. Adaptado. Acesso em: 10 de outubro de 2025.
Assinale a alternativa que apresenta em destaque uma oração consecutiva. 
Alternativas
Q4099969 Português
TEXTO

ARMAS EM TEMPOS DE GUERRA, PESTICIDAS EM TEMPOS DE PAZ

    Em maio de 2024, o noticiário mundial destacou a acusação dos Estados Unidos contra a Rússia pelo suposto uso de cloropicrina como arma química na guerra da Ucrânia. Descoberta em 1848 pelo químico escocês John Stenhouse (1809-1880), a cloropicrina foi patenteada como pesticida, em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial, no entanto, sua aplicação tomou outro rumo, sendo amplamente utilizada como agente químico sufocante. Embora menos letal que outros compostos da mesma categoria, a cloropicrina induz náuseas, forçando as vítimas a removerem seus equipamentos de proteção para vomitar, deixando-as vulneráveis a outros agentes mais perigosos. Embora seu uso como arma química seja proibido atualmente, a substância continua sendo amplamente empregada como pesticida, especialmente para a desinfecção de solos.

        A Primeira Guerra Mundial marcou um ponto de inflexão na relação entre guerras e o uso de pesticidas. No início do conflito, a Alemanha já contava com uma indústria química diversificada e avançada, em grande parte graças às contribuições de cientistas renomados como Walther Nernst (1864- 1941) e Fritz Haber (1868-1934). Mediante incentivo direto do Kaiser, eles desempenharam papeis fundamentais na consolidação da guerra química. Haber, em particular, é reconhecido como o idealizador do primeiro ataque com uma arma de destruição em massa da história, quando 150 toneladas de gás cloro foram lançadas sobre o campo de batalha em Ypres, na Bélgica. Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente, produzindo apenas compostos químicos simples, muitas vezes com matérias-primas importadas da Alemanha.

        Na época, a produção alemã de compostos químicos superava a estadunidense em 21 vezes. Mas logo aconteceria uma transformação drástica nesse cenário: enquanto a Alemanha emergiu devastada e empobrecida pela Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para impulsionar o desenvolvimento de sua indústria química. Em 1917, começaram a fabricar corantes para preencher o vácuo deixado pelo colapso da indústria alemã. As empresas DuPont e a National Aniline & Chemical (posteriormente renomeada como Allied Chemical) se tornaram líderes de mercado. Já a Hooker Company, que inicialmente produzia apenas água sanitária e soda cáustica, diversificou significativamente seu portfólio até o final da guerra, assumindo a liderança na produção de clorobenzeno, composto essencial para a fabricação de corantes, explosivos e armas químicas. Poucos meses após o final da guerra, os EUA produziam uma quantidade de gases tóxicos suficiente para despejar diariamente 200 toneladas dessas substâncias no campo de batalha.

       A pesquisa impulsionada pelo avanço industrial levou ao desenvolvimento do primeiro pesticida orgânico sintético. Aqui, alguns leitores devem estar se perguntando: “como assim pesticida orgânico, se alface orgânico é justamente aquele produzido livre de pesticidas?”. Bem, na química, compostos orgânicos são aqueles formados por cadeias de carbono, e a química orgânica é a área que estuda esses compostos.

    Então, voltando aos pesticidas, ao longo da Primeira Guerra, indústrias químicas produziram grandes quantidades de ácido pícrico, usado em explosivos. Como subproduto da sua fabricação, formava-se o para-diclorobenzeno (PDB), cuja toxicidade foi testada frente a diferentes insetos, obtendo-se resultados promissores. Rapidamente o PDB conquistou seu lugar no mercado de pesticidas e, nas décadas seguintes, toneladas dessa substância foram comercializadas. Armas químicas também passaram a ser estudadas para esses fins. Cientistas testaram, por exemplo, diferentes agentes frente ao piolho do corpo, vetor responsável pela transmissão do tifo. O objetivo era desenvolver um gás que pudesse ser liberado em uma câmara de desinfecção, sendo letal para os piolhos, mas seguro para seres humanos equipados com máscaras de proteção.

    Nessa época, já estava consolidado o paradigma do uso de substâncias químicas para a eliminação do “outro”, fosse esse outro um inimigo no campo de batalha ou um inseto capaz de destruir plantações e transmitir doenças. Em ambos os contextos, a produção dessas substâncias estava alinhada aos interesses de um mercado em expansão e altamente lucrativo. Assim, empregar determinados compostos como armas químicas em tempos de guerra e como pesticidas em tempos de paz era considerado uma possibilidade bastante lógica.

    No livro ‘A Era Química: Como os químicos combateram a fome e as doenças, mataram milhões e mudaram nossa relação com a Terra’, o biólogo Frank Hippel destaca uma visão emblemática de William Sibert (1860-1935), o primeiro diretor do Serviço Norte-Americano de Armas Químicas. Sibert foi categórico ao afirmar que um empreendimento eficaz de guerra nunca deveria ser abandonado até que se tornasse obsoleto. Além disso, defendia que a “genialidade e o patriotismo” demonstrados por químicos e engenheiros durante os tempos de conflito não deveriam ser desperdiçados em períodos de paz. Em outras palavras, enquanto fosse possível encontrar aplicações para as substâncias químicas desenvolvidas durante a guerra, essas inovações deveriam ser aproveitadas.

    Deixo claro que meu intuito não é demonizar o uso de substâncias químicas na agricultura. A necessidade do uso de agrotóxicos é um debate aberto e extremamente complexo. Entretanto, essas histórias nos levam a refletir: será que o uso de determinadas substâncias na agricultura foi inicialmente motivado pela necessidade de resolver o problema da fome, que afeta muitos, ou serviu principalmente para criar mercados lucrativos para uma indústria emergente, beneficiando o enriquecimento de poucos?


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armas-emtempos-de-guerra-pesticidas-em-tempos-de-paz/>. Adaptado. Acesso em: 10 de outubro de 2025.
No trecho “Enquanto isso, do outro lado das trincheiras, os Estados Unidos ainda apresentavam um setor químico incipiente”, o termo em destaque pode ser substituído, mantendo o sentido original, por: 
Alternativas
Q4098918 Nutrição
O leite é um dos alimentos mais completos e amplamente utilizados nas preparações alimentares e dietas hospitalares, escolares e institucionais. Dada sua composição rica em proteínas de alto valor biológico, é fundamental que o nutricionista compreenda a estrutura, a funcionalidade e a separação das frações proteicas do leite. Com base nisso, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4098917 Nutrição
O refino de óleos e gorduras visa melhorar sua qualidade sensorial, nutricional e estabilidade, tornando-os adequados para o consumo humano e uso industrial. Esse processo envolve etapas que removem compostos indesejáveis como pigmentos, ácidos graxos livres, fosfolipídeos e substâncias voláteis. Com base nos conhecimentos sobre o processo de refino de lipídeos, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
4921: B
4922: D
4923: C
4924: C
4925: A
4926: B
4927: D
4928: C
4929: D
4930: A
4931: C
4932: D
4933: C
4934: A
4935: B
4936: C
4937: A
4938: D
4939: A
4940: B