Questões de Concurso Para cespe / cebraspe

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Q3993100 História

        O Brasil apresenta situações em que a aparente ruptura não interrompe a marcha da continuidade histórica. Da Independência à República, chegando à autodenominada Revolução de 1930, o país viveu sobressaltos institucionais que geralmente tangenciaram as bases estruturais do país, sem rompê-las integralmente. A conciliação quase sempre prevaleceu, mesmo em contextos de elevada tensão.


Considerando essas observações como referência inicial, julgue o item subsequente, relativo ao processo histórico brasileiro da Independência ao colapso do Império.


O período regencial, entre 1831 e 1840, aprofundou o caráter unitário do Estado brasileiro, definido pela Constituição promulgada em 1824 ― com o Ato Adicional de 1834, as províncias perderam o direito de eleger seus governantes e parlamentares ― havendo consenso historiográfico de que a alteração constitucional assegurou a integridade territorial do país. 

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Q3993099 História

        O Brasil apresenta situações em que a aparente ruptura não interrompe a marcha da continuidade histórica. Da Independência à República, chegando à autodenominada Revolução de 1930, o país viveu sobressaltos institucionais que geralmente tangenciaram as bases estruturais do país, sem rompê-las integralmente. A conciliação quase sempre prevaleceu, mesmo em contextos de elevada tensão.


Considerando essas observações como referência inicial, julgue o item subsequente, relativo ao processo histórico brasileiro da Independência ao colapso do Império.


A escravidão, herança da Colônia e elemento de sustentação do regime monárquico, foi abolida às vésperas da República na culminância de célere processo político no Parlamento graças ao consenso de conservadores e liberais, o que fez eliminar a necessidade de etapas preparatórias à Lei Áurea.

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Q3993098 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


Nas duas últimas orações do texto, identifica-se uma metáfora que sintetiza todo o argumento de Auerbach sobre o caráter realista da Divina Comédia, de Dante: a matéria vital da obra ultrapassou os poderosos limites que a própria realidade histórica lhe impunha. 

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Q3993097 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


No primeiro período, os vocábulos "imediata", "multiplamente", "esclarecimento", "sem inibições" e "multiplicidade" caracterizam-se como atributos da concepção de ser humano "baseada na ordem divina" (segundo período).

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Q3993096 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


No segundo período, os vocábulos "mesma", em "põe a mesma a seu serviço", e "a", em "a obscurece", ambos classificados como pronomes, são empregados, respectivamente, em referência a diferentes objetos: à "indestrutibilidade" e à "ordem divina". 

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Q3993095 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


De acordo o texto, a Divina Comédia, de Dante, produz "uma experiência que sobrepuja todas as outras", afirmação a partir da qual é possível inferir que a "concepção do ser humano" artisticamente plasmada pelo poeta italiano já se separava da experiência vital do período medieval e de sua estrutura social teocêntrica.

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Q3993094 Português
        [Na Divina Comédia] chega-se a uma experiência imediata da vida, uma experiência que sobrepuja todas as outras, a uma concepção do ser humano que tanto se espraia multiplamente, quanto penetra profundamente até as raízes do sentimento, um esclarecimento das suas emoções e paixões, que leva, sem inibições, à cálida participação e até à admiração da sua multiplicidade e grandeza. E, dentro desta participação imediata e admirada do ser humano, a indestrutibilidade do ser humano total, histórico e individual, baseada na ordem divina, dirige-se contra a ordem divina; põe a mesma a seu serviço e a obscurece. A figura do ser humano coloca-se à frente da figura de Deus. A obra de Dante tornou realidade a essência cristã-figural do homem e a destruiu na mesma realização; a poderosa moldura rompeu-se pela supremacia dos quadros que envolvia.

Erich Auerbach. Mimesis. A representação da realidade na literatura ocidental.
 São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 175

Julgue o item a seguir, relativo ao texto de Erich Auerbach sobre a Divina Comédia, obra do poeta italiano Dante Alighieri escrita no século XIV.


Apesar de não se caracterizar como uma narrativa ficcional, o texto de Auerbach sobre a Divina Comédia evidencia alguns recursos da composição literária, entre os quais se destaca a antítese, que se apresenta como fio condutor da análise da obra de Dante.

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Q3993093 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


A expressão "redução estrutural" (primeiro período) refere-se à forma como a literatura promove o contato entre o leitor e a realidade a partir da reprodução exata, embora limitada, das leis vigentes no mundo e para o ser. 

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Q3993092 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


No segundo período, a condição atribuída à crítica integradora — "capaz de mostrar" — evidencia o estabelecimento de uma oposição entre teoria e prática, e aponta para a tentativa do crítico de revelar a dinâmica da transformação do não literário em literário que ocorre no processo da criação artística.

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Q3993091 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


Em "a realidade do mundo e do ser se torna" (primeiro período), a flexão do verbo no plural estaria de acordo com a previsão gramatical, visto que a concordância seria feita com os elementos coordenados da estrutura que forma o sujeito da oração, que são os determinantes da criação artística.

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Q3993090 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


No segundo período, a vírgula empregada após "crítica integradora" destaca a enunciação do sentido dado pelo autor do texto a um ato crítico integrador, que, segundo ele, é aquele que resiste à manipulação dos dados externos, a fim de evitar uma representação distorcida da realidade.

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Q3993089 Português

        Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.


Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
 São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9. 

Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.


O texto expõe um paradoxo: a produção literária deve ser autônoma, ou seja, deve distanciar-se da realidade, para que lhe seja possível alcançar a representação efetiva do mundo, da natureza, da sociedade e do ser, que só assim podem ser experimentados pelo leitor como "realidades vitais". 

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Q3993088 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Uma das semelhanças entre os personagens Pangloss, de Voltaire, e o juiz Sr. Veloso, de Machado de Assis, é o fato de que ambos justificam a ocorrência de acontecimentos graves ou sublimes em favor de causas leves e banais: 'cidras recheadas de pistaches' (último período do texto de Voltaire) e "este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa" (último período do texto de Machado de Assis). 

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Q3993087 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Uma das diferenças entre o personagem Pangloss, de Voltaire, e o juiz Sr. Veloso, de Machado de Assis, é o fato de que o primeiro justifica o acesso a uma iguaria por fatos que aconteceram, enquanto o segundo, por fatos que não ocorreram.

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Q3993086 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Há uma equivalência entre o 'melhor dos mundos possíveis', mencionado por Pangloss (último período do texto de Voltaire), e o "céu, ao som de todas as cítaras", mencionado pelo juiz Sr. Veloso (terceiro período do primeiro parágrafo do texto de Machado de Assis): ambos remetem ao paraíso de delícias, simbolizado, nos dois textos, pela metáfora das iguarias.

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Q3993085 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Nos dois textos predomina o estilo sério e a tragicidade, o que se evidencia em 'se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda' (último período do texto de Voltaire) e em "ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente" (quarto período do primeiro parágrafo do texto de Machado de Assis).

Alternativas
Q3993084 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


A narrativa de Voltaire é fabulosa, pois relata acontecimentos ocorridos em 'um lindo castelo' e no 'bom país de Eldorado'; já a de Machado é realista, pois os fatos relatados efetivamente ocorreram.

Alternativas
Q3993083 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


A construção sintática com oração subordinada iniciada por conjunção condicional e ligada a verbo no subjuntivo no último período de ambos os textos tem um efeito semântico similar nas narrativas: demonstrar que o sucesso da ação final depende de determinadas circunstâncias.

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Q3993082 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


Os dois textos alcançam um efeito crítico realista semelhante: o questionamento da realidade deformada pela lógica das classes letradas, seja a do filósofo Pangloss em sua 'fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal', no texto de Voltaire, seja a do juiz Veloso, para quem a perda do paraíso vale o sabor de um doce, no texto de Machado de Assis.

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Q3993081 Português

        "Ó Pangloss!", exclamou Cândido, "não tinhas adivinhado esta abominação; acabou-se, será preciso que afinal eu renuncie ao teu otimismo." "O que é otimismo?", dizia Cacambo. "Lamentável!", disse Cândido, "é a fúria de sustentar que tudo está bem quando se está mal." (...) [O filósofo] Pangloss dizia às vezes a Cândido: "Todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivésseis sido expulso de um lindo castelo a grandes pontapés no traseiro pelo amor da senhorita Cunegunda, se não tivésseis sido submetido à Inquisição, se não tivésseis percorrido a América a pé, se não tivésseis dado um bom golpe de espada no barão, se não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do bom país de Eldorado, não comeríeis aqui cidras recheadas de pistaches".


François Marie Voltaire. Cândido, ou o otimismo.
Tradução de Mário Laranjeira.São Paulo:
Penguin Classics Companhia da Letras, 2012, pp. 83 e 128. 

        Eva escutava impassível [a serpente]; Adão chegou, ouviu-os e confirmou a resposta de Eva; nada valia a perda do paraíso, nem a ciência, nem o poder, nenhuma outra ilusão da terra. Dizendo isto, deram as mãos um ao outro, e deixaram a serpente, que saiu pressurosa para dar conta ao Tinhoso... (...) E foi assim que Adão e Eva entraram no céu, ao som de todas as cítaras, que uniam as suas notas em um hino aos dois egressos da criação... Tendo acabado de falar, o juiz de fora estendeu o prato a D. Leonor para que lhe desse mais doce, enquanto os outros convivas olhavam uns para os outros, embasbacados; em vez de explicação, ouviam uma narração enigmática, ou, pelo menos, sem sentido aparente. Dona Leonor foi a primeira que falou:
        — Bem dizia eu que o Sr. Veloso estava logrando a gente. Não foi isso que lhe pedimos, nem nada disso aconteceu, não é, frei Bento?
        — Lá o saberá o Sr. Juiz – respondeu o carmelita sorrindo.
        E o juiz de fora, levando à boca uma colher de doce:
         — Pensando bem, creio que nada disso aconteceu; mas também, D. Leonor, se tivesse acontecido, não estaríamos aqui saboreando este doce, que está, na verdade, uma cousa primorosa.

Machado de Assis. Adão e Eva. In: 50 contos de Machado de Assis.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 363-364. 

A partir da leitura comparativa entre o texto de Voltaire e o de Machado de Assis, julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e literários dos fragmentos.


No último período do texto de Voltaire, os vocábulos 'Cunegunda', 'Inquisição', 'América' e 'Eldorado' exercem função conotativa e alegórica, enquanto "Adão" e "Eva", no primeiro e no terceiro períodos do texto machadiano, têm caráter denotativo e literal, pois são nomes próprios dos protagonistas de uma narrativa real. 

Alternativas
Respostas
1101: E
1102: E
1103: C
1104: E
1105: E
1106: C
1107: C
1108: E
1109: C
1110: E
1111: E
1112: C
1113: C
1114: C
1115: E
1116: E
1117: E
1118: C
1119: C
1120: E