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Sobre ventilação (V), perfusão (Q) e difusão nos indivíduos normais e em repouso, pode-se afirmar que:
I. A perfusão pulmonar aumenta progressivamente da região não dependente para a região dependente.
II. A ventilação alveolar varia em torno de 4 a 6 L/min, o fluxo sanguíneo em torno de 5 L/min e isto proporcionaria uma relação V/Q entre 0,8 e 1,2.
III. A variação do volume pulmonar durante a inspiração é maior nas bases do pulmão, quando comparado com o ápice.
IV. Na zona I de West, a perfusão é maior que ventilação; na zona II ocorre equilíbrio entre a ventilação e a perfusão e na, zona III, a ventilação é maior que a perfusão.
Está correto o que se afirma apenas em:
Analise as afirmativas a seguir sobre o aparelho mucociliar da árvore respiratória, clearance e disfunção mucociliar das vias aéreas.
I. Transportar partículas é a única função verdadeira do aparelho mucociliar.
II. A disfunção mucociliar não se encontra presente na fibrose cística e bronquiectasia.
III. As principais complicações do sistema mucociliar são tosse, infecção respiratória e obstrução ao fluxo aéreo.
IV. A oscilação oral de alta frequência não constitui terapêutica coadjuvante para o tratamento do aparelho mucociliar.
Está correto o que se afirma apenas em:
Desde 1985, Fisioterapeutas brasileiros têm estudado técnicas manuais que ajudam na investigação diagnóstica e também no tratamento de disfunções neuro-ortopédicas. Sobre essas técnicas manuais afirma-se que:
I. segundo os ensinamentos de Cyriax, o movimento isométrico avalia estruturas contráteis.
II. Robin McKenzie objetiva em seu método de avaliação o fenômeno da centralização e periferização da dor.
III. melhora da velocidade de condução nervosa e aumento da amplitude do nervo são benefícios encontrados após a mobilização do sistema nervoso periférico idealizado por David Blutter.
IV. sobre artrocinemática, Fred Kaltenborn escreveu que o deslizamento acessório ocorrerá no sentido contrário do movimento angular, quando a extremidade que se mover for convexa.
Está correto o que se afirma em:
As raízes nervosas e os nervos periféricos, quando comprometidos, podem causar sinais e sintomas diversos. Sobre a semiologia das raízes e nervos periféricos afirma-se que:
I. o músculo tríceps braquial é inervado pelo nervo radial, que emerge das raízes de C5/C6/C7 e sua lesão provoca fraqueza para flexão do cotovelo.
II. C8/T1 emerge o nervo ulnar e sua lesão provoca fraqueza para adução e abdução dos dedos.
III. o músculo bíceps femoral é inervado pelo nervo femoral que emerge das raízes de L2/L3/L4.
IV. o VII nervo craniano inerva o músculo zigomático maior e o X nervo inerva o coração.
Está correto o que se afirma apenas em:
Para tratarem melhor seus pacientes, os Fisioterapeutas necessitam do completo domínio da anatomia, fisiologia e cinesiologia e ações musculares. Observe as afirmativas sobre ações musculares.
I. O subescapular realiza a rotação externa de gleno umeral e o quadríceps realiza a extensão do joelho.
II. Os fibulares realizam a inversão do tornozelo e o redondo maior realiza a rotação interna de gleno umeral.
III. Os obturadores interno e externo realizam a rotação interna de coxa femoral e o tibial anterior realiza a flexão plantar.
IV. Os intercostais externos realizam a inspiração e o supraespinhoso realiza a abdução de gleno umeral.
Está correto apenas o que se afirma em:
O embondeiro que sonhava pássaros
Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro.
Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que faziam mexer as janelas:
- Mãe, olha o homem dos passarinheiros!
E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma muska e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava.
Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos - aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar. Contudo, os pássaros tão encantantes que são - insistiam os meninos. Os pais se agravavam: estava dito.
Mas aquela ordem pouco seria desempenhada.
[...]
O homem então se decidia a sair, juntar as suas raivas com os demais colonos. No clube, eles todos se aclamavam: era preciso acabar com as visitas do passarinheiro. Que a medida não podia ser de morte matada, nem coisa que ofendesse a vista das senhoras e seus filhos. 6 remédio, enfim, se haveria de pensar.
No dia seguinte, o vendedor repetiu a sua alegre invasão. Afinal, os colonos ainda que hesitaram: aquele negro trazia aves de belezas jamais vistas. Ninguém podia resistir às suas cores, seus chilreios. Nem aquilo parecia coisa deste verídico mundo. O vendedor se anonimava, em humilde desaparecimento de si:
- Esses são pássaros muito excelentes, desses com as asas todas de fora.
Os portugueses se interrogavam: onde desencantava ele tão maravilhosas criaturas? onde, se eles tinham já desbravado os mais extensos matos?
O vendedor se segredava, respondendo um riso. Os senhores receavam as suas próprias suspeições - teria aquele negro direito a ingressar num mundo onde eles careciam de acesso? Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.
Fosse por desdenho dos grandes ou por glória dos pequenos, a verdade é que, aos pouco-poucos, o passarinheiro foi virando assunto no bairro do cimento. Sua presença foi enchendo durações, insuspeitos vazios. Conforme dele se comprava, as casas mais se repletavam de doces cantos. Aquela música se estranhava nos moradores, mostrando que aquele bairro não pertencia àquela terra. Afinal, os pássaros desautenticavam os residentes, estrangeirando-lhes? [...] O comerciante devia saber que seus passos descalços não cabiam naquelas ruas. Os brancos se inquietavam com aquela desobediência, acusando o tempo. [...]
As crianças emigravam de sua condição, desdobrando-se em outras felizes existências. E todos se familiavam, parentes aparentes. [...]
Os pais lhes queriam fechar o sonho, sua pequena e infinita alma. Surgiu o mando: a rua vos está proibida, vocês não saem mais. Correram-se as cortinas, as casas fecharam suas pálpebras.
COUTO, Mia. Cada homem é uma raça: contosl Mia Couto -
1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.63 - 71.
(Fragmento).
As figuras de estilo podem atuar na área da semântica lexical, da construção gramatical, da associação cognitiva do pensamento ou da camada fônica da língua.
Nessa perspectiva, pode-se afirmar corretamente que a frase “Conforme dele se comprava, as casas mais se repletavam de doces cantos.”, como efeito expressivo:
O embondeiro que sonhava pássaros
Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro.
Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que faziam mexer as janelas:
- Mãe, olha o homem dos passarinheiros!
E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma muska e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava.
Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos - aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar. Contudo, os pássaros tão encantantes que são - insistiam os meninos. Os pais se agravavam: estava dito.
Mas aquela ordem pouco seria desempenhada.
[...]
O homem então se decidia a sair, juntar as suas raivas com os demais colonos. No clube, eles todos se aclamavam: era preciso acabar com as visitas do passarinheiro. Que a medida não podia ser de morte matada, nem coisa que ofendesse a vista das senhoras e seus filhos. 6 remédio, enfim, se haveria de pensar.
No dia seguinte, o vendedor repetiu a sua alegre invasão. Afinal, os colonos ainda que hesitaram: aquele negro trazia aves de belezas jamais vistas. Ninguém podia resistir às suas cores, seus chilreios. Nem aquilo parecia coisa deste verídico mundo. O vendedor se anonimava, em humilde desaparecimento de si:
- Esses são pássaros muito excelentes, desses com as asas todas de fora.
Os portugueses se interrogavam: onde desencantava ele tão maravilhosas criaturas? onde, se eles tinham já desbravado os mais extensos matos?
O vendedor se segredava, respondendo um riso. Os senhores receavam as suas próprias suspeições - teria aquele negro direito a ingressar num mundo onde eles careciam de acesso? Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.
Fosse por desdenho dos grandes ou por glória dos pequenos, a verdade é que, aos pouco-poucos, o passarinheiro foi virando assunto no bairro do cimento. Sua presença foi enchendo durações, insuspeitos vazios. Conforme dele se comprava, as casas mais se repletavam de doces cantos. Aquela música se estranhava nos moradores, mostrando que aquele bairro não pertencia àquela terra. Afinal, os pássaros desautenticavam os residentes, estrangeirando-lhes? [...] O comerciante devia saber que seus passos descalços não cabiam naquelas ruas. Os brancos se inquietavam com aquela desobediência, acusando o tempo. [...]
As crianças emigravam de sua condição, desdobrando-se em outras felizes existências. E todos se familiavam, parentes aparentes. [...]
Os pais lhes queriam fechar o sonho, sua pequena e infinita alma. Surgiu o mando: a rua vos está proibida, vocês não saem mais. Correram-se as cortinas, as casas fecharam suas pálpebras.
COUTO, Mia. Cada homem é uma raça: contosl Mia Couto -
1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.63 - 71.
(Fragmento).