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Questões Discursivas

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Q4167464 Direito Constitucional
Carlos, arquiteto devidamente inscrito no CAU/CE, envia um requerimento administrativo formal ao Conselho solicitando acesso a documentos e planilhas que detalhem o montante total de recursos públicos gastos pelo Conselho com uma campanha publicitária veiculada em jornais e TVs locais nos últimos seis meses. O CAU/CE indefere o pedido de forma oficial, alegando que os gastos com publicidade institucional são protegidos por sigilo estratégico e não dizem respeito a interesse privativo de Carlos. Inconformado, o arquiteto decide acionar o Poder Judiciário para ter acesso imediato a esses dados institucionais, que ele entende serem de manifesto interesse coletivo. Com base nos direitos e deveres individuais e coletivos, qual é o remédio constitucional adequado para garantir o direito de Carlos à obtenção dessas informações?
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Q4167463 Direito Administrativo
No âmbito do direito administrativo, em regra, a atuação das autarquias federais materializa-se por meio da edição de atos administrativos, dotados de prerrogativas estatais. Tomando por base as premissas conceituais consolidadas na doutrina brasileira sobre elementos ou requisitos, atributos e formas de desfazimento do ato administrativo, assinale a afirmativa correta.
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Q4167462 Direito Administrativo
O regime jurídico de responsabilização por atos de improbidade administrativa, disciplinado pela Lei Federal nº 8.429/1992 – Lei de Improbidade Administrativa (LIA), incide diretamente sobre os servidores do CAU/CE, quando agentes dos respectivos atos ilícitos. Sobre a caracterização estrutural, os elementos subjetivos e as disposições gerais dessa norma, assinale a afirmativa correta.
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Q4167461 Ética na Administração Pública
Marta é servidora de carreira no CAU/CE. Durante o expediente, ela presencia seu colega de setor, Pedro, alterando deliberadamente dados no sistema interno para ocultar denúncias de exercício ilegal da profissão contra uma construtora pertencente a um parente dele. Sendo transigente com Pedro e também com o intuito de não prejudicar o ambiente de trabalho, Marta não denuncia o caso. Por sua vez, Marta usa parte do seu tempo de expediente para utilizar os computadores do Conselho em estudos para outro concurso público que almeja. À luz do Código de Ética Profissional (Decreto nº 1.171/1994), sobre as ações de Marta, assinale a afirmativa correta.
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Q4167460 Matemática
Determinado arquiteto está desenvolvendo um sistema de revestimento para fachadas, no qual a quantidade de módulos utilizados em cada etapa segue um padrão em que as diferenças entre termos consecutivos formam uma progressão aritmética de razão 3. Durante o planejamento, ele registrou os seguintes valores:
Etapa 1: 4 módulos; Etapa 2: 7 módulos; Etapa 3: 13 módulos; Etapa 4: 22 módulos; e Etapa 5: 34 módulos.
Considerando que o padrão de crescimento se mantém nas próximas etapas, o número de módulos utilizados na etapa 8 será:
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Q4167459 Matemática
Durante uma reunião técnica promovida pelo CAU/CE, estavam presentes no auditório profissionais de duas categorias distintas: arquitetos e urbanistas. Considere que não há indivíduos que pertençam simultaneamente aos dois grupos. No primeiro intervalo da reunião, deixaram o auditório 8 arquitetos e 4 urbanistas, passando a quantidade de urbanistas presentes corresponder à metade do número de arquitetos. No segundo intervalo, não houve saídas, mas ingressaram 2 arquitetos e 10 urbanistas, fazendo com que, nesse momento, o número de arquitetos se tornasse igual ao número de urbanistas. Diante dessas informações, qual era o número total de participantes presentes no início da reunião? 
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Q4167458 Raciocínio Lógico
Durante um levantamento realizado pelo CAU/CE, 180 arquitetos participaram de cursos de atualização em três áreas: Projeto Sustentável; Regularização Urbana; e Patrimônio Histórico. Sabe-se que todos participaram de pelo menos um curso e que:
• 20 participaram apenas do curso de Projeto Sustentável; • 30 participaram apenas do curso de Patrimônio Histórico; • 100 participaram do curso de Projeto Sustentável; • 40 participaram dos cursos de Projeto Sustentável e Regularização Urbana; • 35 participaram dos cursos de Regularização Urbana e Patrimônio Histórico; e • 10 participaram dos três cursos.
Considerando as informações, o número de arquitetos que participou exatamente de dois cursos é: 
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Q4167457 Matemática
Determinado arquiteto iniciou o mês com uma quantia previamente reservada para a aquisição de materiais necessários à execução de um projeto. Ao longo do desenvolvimento da obra, o processo foi dividido em três etapas sucessivas e, em cada uma delas, ele utilizou exatamente 1/3 do valor disponível naquele momento para a compra de insumos. Após a conclusão dessas etapas, o arquiteto ainda precisou efetuar o pagamento de uma taxa administrativa no valor de R$ 37,00. Finalizadas todas as despesas, verificou-se que ainda restavam R$ 27,00 do valor inicial. De acordo com essas informações, qual era o valor inicial? 
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Q4167456 Matemática
Determinado arquiteto é capaz de desenvolver integralmente um projeto em 24 dias, caso trabalhe de forma individual. Considere que ele iniciou a atividade e atuou sozinho durante 3 dias, sendo posteriormente substituído por outro arquiteto, que deu continuidade ao trabalho também de forma individual por 6 dias. Após esse período, ambos passaram a trabalhar simultaneamente por mais 3 dias, quando, então, finalizaram o projeto. Com base nessas informações, em quanto tempo o segundo arquiteto conseguiria concluir esse mesmo projeto trabalhando sozinho?
Alternativas
Q4167455 Português


     Imagem associada para resolução da questão

A tira de Bill Watterson utiliza o diálogo entre Calvin e Haroldo para confrontar perspectivas existenciais e biológicas. Sobre a construção de sentido e os aspectos gramaticais da tira, assinale a afirmativa correta.
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Q4167454 Português

Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro


A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.

A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.

Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas. 

O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva. 

A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.

A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.

O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.

Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo. 

A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.

A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.

A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.

Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.  

Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.


(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)

Considerando que no 1º§ do texto a autora utiliza diferentes sinais de pontuação para organizar o fluxo de ideias, sobre o emprego da pontuação, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4167453 Português

Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro


A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.

A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.

Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas. 

O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva. 

A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.

A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.

O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.

Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo. 

A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.

A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.

A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.

Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.  

Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.


(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)

Em “Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.” (16º§), a partir da análise semântica e discursiva, depreende-se que: 
Alternativas
Q4167452 Português

Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro


A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.

A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.

Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas. 

O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva. 

A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.

A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.

O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.

Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo. 

A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.

A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.

A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.

Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.  

Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.


(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)

Com base na articulação das ideias apresentadas no texto sobre a natureza da ética profissional na arquitetura e urbanismo, assinale a alternativa que traduz corretamente a premissa central defendida pela autora. 
Alternativas
Q4167451 Português

Ética profissional na arquitetura e urbanismo: compromisso com o espaço, a sociedade e o futuro


A arquitetura e o urbanismo, mais que práticas técnicas ou artísticas, configuram-se como atividades de profundo impacto social. O espaço construído influencia a forma como vivemos, nos relacionamos e exercemos nossos direitos de cidadania. Diante dessa relevância, a ética profissional torna-se eixo central da atuação do arquiteto e urbanista, orientando decisões que ultrapassam o campo estético e alcançam dimensões sociais, ambientais, econômicas e culturais. Ser ético, na arquitetura, é compreender que cada projeto representa também uma intervenção na vida coletiva.

A ética profissional reúne princípios que orientam o comportamento do indivíduo em relação à sociedade e à sua profissão. No campo da arquitetura e do urbanismo, ela se concretiza em normas, condutas e compromissos definidos no Código de Ética e Disciplina do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).

Entre os deveres fundamentais do código estão o respeito ao interesse público, o zelo pela segurança, acessibilidade e bem- -estar dos usuários, a responsabilidade ambiental e a defesa da dignidade da profissão. O exercício profissional deve ser pautado pela honestidade intelectual, pela transparência nas relações e pela valorização do trabalho técnico, artístico e científico.

Assim, a ética na arquitetura não se limita ao cumprimento de leis ou normas técnicas: envolve a capacidade crítica de avaliar as consequências das próprias decisões e de agir com integridade, mesmo sob pressões econômicas, políticas ou mercadológicas. 

O arquiteto e urbanista é agente de transformação do espaço e, consequentemente, da sociedade. Suas decisões projetuais podem promover inclusão ou exclusão, sustentabilidade ou degradação, valorização cultural ou apagamento da memória coletiva. 

A ética profissional exige que cada projeto considere seu impacto ambiental, respeite o território e promova o uso racional dos recursos naturais. Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.

A dimensão social da ética envolve o compromisso com o direito à cidade, conceito amplamente defendido por Henri Lefebvre e incorporado às políticas urbanas contemporâneas. O arquiteto ético compreende que seu trabalho deve contribuir para cidades mais democráticas, inclusivas e equitativas.

O exercício profissional apresenta inúmeros desafios éticos. Entre eles, destacam-se conflitos entre o interesse privado e o público; plágio e apropriação indevida de autoria em projetos e concursos; concorrência desleal, com práticas que desvalorizam o trabalho técnico; relações com o poder público que exigem transparência e integridade; e a responsabilidade técnica diante de irregularidades que possam comprometer a segurança das pessoas ou o patrimônio ambiental e cultural.

Essas situações exigem do profissional não apenas conhecimento técnico, mas sensibilidade ética, discernimento e coragem moral para tomar decisões orientadas pelo bem coletivo. 

A ética profissional é também um compromisso com as gerações futuras. Em meio à crise climática, à urbanização desigual e à pressão crescente sobre os recursos naturais, arquitetos e urbanistas precisam adotar uma postura ética voltada à sustentabilidade e à justiça socioambiental.

A formação ética, iniciada na universidade e aprofundada ao longo da carreira, deve acompanhar a evolução da sociedade e das tecnologias. A ética não é estática: renova-se conforme emergem novos dilemas e demandas. Ser ético, portanto, é aprender continuamente, repensar práticas e agir com responsabilidade diante das transformações do mundo contemporâneo.

A ética profissional na arquitetura e no urbanismo constitui o alicerce da credibilidade e da relevância social da profissão. Ela orienta o arquiteto e urbanista a compreender seu papel como mediador de valores humanos, ambientais e culturais.

Atuar de forma ética é reconhecer que cada decisão projetual interfere na vida de pessoas e comunidades. É defender a dignidade da profissão, valorizar o conhecimento técnico e agir com compromisso social.  

Somente com base na ética é possível construir cidades mais justas, sustentáveis e belas – espaços que expressem não o poder de poucos, mas o direito de todos à vida urbana com qualidade.


(Por Teresinha, Melo. Disponível em: https://caubr.gov.br/etica-profissional/. Adaptado. Acesso em: abril de 2026.)

No trecho “Projetar de forma ética implica consciência ecológica e compromisso com soluções sustentáveis, acessíveis e socialmente justas.” (7º§), sobre as orações e termos que compõem o período, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4167450 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

No início do conto, o protagonista afirma categoricamente à sua namorada: “– Sim, já beijei antes uma mulher.” (4º§). Considerando a economia interna do texto e o encadeamento dos fatos narrados no flashback, a afirmação do personagem, no contexto de sua descoberta, encontra sustentação lógica estritamente no seguinte fragmento: 
Alternativas
Q4167449 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

Considerando os aspectos fonéticos e ortográficos de palavras extraídas do texto, analise as afirmativas a seguir.
I. A palavra “água” é uma paroxítona terminada em ditongo crescente. II. O vocábulo “chafariz” apresenta uma correspondência entre o número de letras e o número de fonemas. III. No termo “algazarra”, verifica-se a presença de um dígrafo consonantal, enquanto no vocábulo “primeiro” identifica-se um ditongo decrescente oral. IV. As palavras “atônito” e “árida” pertencem à mesma classificação quanto à posição da sílaba tônica, sendo ambas obrigatoriamente acentuadas por serem proparoxítonas.
Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4167448 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

Analise o emprego do termo destacado no fragmento a seguir: “Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar.” (16º§). Sobre o valor semântico assumido pelo adjetivo “arenoso” no contexto da narrativa, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4167447 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

A estrutura sintática dos períodos no conto reflete a complexidade das percepções do protagonista. Nesse contexto, analise a classificação das orações nos trechos e assinale a alternativa que apresenta a análise correta. 
Alternativas
Q4167446 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

A expressividade da prosa de Clarice Lispector em “O primeiro beijo” fundamenta-se, muitas vezes, no emprego de vocábulos que assumem funções gramaticais específicas conforme o contexto narrativo. Sobre as classes de palavras de termos tal como utilizados no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4167445 Português

O primeiro beijo 

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar?

Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto,sem quase pensar, e apenas sentir era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos, estava... O chafariz de onde brotava num filete a água sonhada.

O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga.

Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador de vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva.

Deu um passo para trás ou para a frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto.

Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.

(LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: Contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

Em “O primeiro beijo”, Clarice Lispector utiliza uma seleção vocabular precisa para descrever o despertar sensorial do protagonista. Nesse contexto, analise os processos de formação das palavras destacadas nos fragmentos e assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Respostas
641: E
642: E
643: D
644: D
645: E
646: A
647: D
648: D
649: A
650: C
651: E
652: B
653: D
654: A
655: D
656: E
657: E
658: E
659: A
660: B