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Q3409550 Português
    Na primeira infância, as experiências com a dor pareciam não ficar tão marcadas em sua mente. Não que você lembre. Então, quando você corre, quando você pula, quando você brinca, você não tem medo. E às vezes, na vida adulta, você sonhava em recuperar aquele sentimento ingênuo, sem fobias e sem receio. Mas com o passar do tempo tinha a impressão de que as possibilidades de sentir dor iam se ampliando e limitando sua liberdade. Viver passou a ser uma questão de evitar a dor a qualquer custo. Numa espécie de encarceramento voluntário, você vai sendo acossado dia após dia pelo medo do desconforto. No entanto, aos quatro anos, quando prenderam seus dedos numa porta, talvez não seja possível dizer que sua fobia de dor tenha começado ali. Mas foi aos quatro anos que você tomou consciência plena dela. Tomou consciência da trajetória da dor: da demora em senti-la depois do ato traumático, porque a dor nunca é instantânea. A dor ressoa. Pulsa no ritmo agudo dos batimentos cardíacos. Toda a sua vida se resume naquele pedaço do seu corpo que agora grita.


(TENÓRIO, Jeferson. O avesso da pele. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 70. Fragmento.)
Assinale a palavra que possui o mesmo processo de formação do vocábulo “desconforto”.
Alternativas
Q3409549 Português
    Na primeira infância, as experiências com a dor pareciam não ficar tão marcadas em sua mente. Não que você lembre. Então, quando você corre, quando você pula, quando você brinca, você não tem medo. E às vezes, na vida adulta, você sonhava em recuperar aquele sentimento ingênuo, sem fobias e sem receio. Mas com o passar do tempo tinha a impressão de que as possibilidades de sentir dor iam se ampliando e limitando sua liberdade. Viver passou a ser uma questão de evitar a dor a qualquer custo. Numa espécie de encarceramento voluntário, você vai sendo acossado dia após dia pelo medo do desconforto. No entanto, aos quatro anos, quando prenderam seus dedos numa porta, talvez não seja possível dizer que sua fobia de dor tenha começado ali. Mas foi aos quatro anos que você tomou consciência plena dela. Tomou consciência da trajetória da dor: da demora em senti-la depois do ato traumático, porque a dor nunca é instantânea. A dor ressoa. Pulsa no ritmo agudo dos batimentos cardíacos. Toda a sua vida se resume naquele pedaço do seu corpo que agora grita.


(TENÓRIO, Jeferson. O avesso da pele. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 70. Fragmento.)
O texto faz parte do livro “O avesso da pele”, do escritor Jeferson Tenório. Após a leitura, pode-se afirmar que o narrador:
I. Aprecia, ainda que metaforicamente, cada momento em que sente dor. II. Lamenta não recordar os momentos em que sentiu desconforto na infância. III. Sente a dor de forma intensa. IV. Vive com a sensação de que a dor reverbera.
Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3409548 Português
Sozinhos


   Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

   Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

   – Ronca.

   – Não ronco.

   – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

   Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo.

   Ficam os dois sozinhos.

   – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

   – Humrfm – diz o velho.

   Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

   Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

   Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

   – Rarrá! – diz a velha, feliz.

   Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

   – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

   E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes.

   É um diálogo sussurrado.

   “Estão prontos?”

   “Não, acho que ainda não…”

   “Então vamos voltar amanhã…”


(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
Os trechos a seguir foram extraídos do texto; analise-os e assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3409547 Português
Sozinhos


   Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

   Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

   – Ronca.

   – Não ronco.

   – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

   Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo.

   Ficam os dois sozinhos.

   – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

   – Humrfm – diz o velho.

   Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

   Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

   Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

   – Rarrá! – diz a velha, feliz.

   Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

   – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

   E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes.

   É um diálogo sussurrado.

   “Estão prontos?”

   “Não, acho que ainda não…”

   “Então vamos voltar amanhã…”


(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
O gênero crônica se caracteriza por textos, na maioria das vezes, curtos, com uma linguagem mais acessível ao leitor, sendo leve e objetiva em seu contexto. A crônica aborda os aspectos da vida, ou seja, do cotidiano, com intenções humorísticas ou irônicas. Considerando o contexto do texto lido, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3409546 Português
Sozinhos


   Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

   Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

   – Ronca.

   – Não ronco.

   – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

   Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo.

   Ficam os dois sozinhos.

   – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

   – Humrfm – diz o velho.

   Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

   Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

   Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

   – Rarrá! – diz a velha, feliz.

   Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

   – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

   E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes.

   É um diálogo sussurrado.

   “Estão prontos?”

   “Não, acho que ainda não…”

   “Então vamos voltar amanhã…”


(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
Para Cunha (1986, p. 511), “as preposições são os vocábulos gramaticais invariáveis que relacionam dois termos de uma oração, de tal modo que o sentido do primeiro (antecedente) é explicado ou completado pelo sentido do segundo (consequente)”. Nesse contexto, analise as frases a seguir e assinale a associação INCORRETA.
Alternativas
Q3409545 Português
Sozinhos


   Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

   Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

   – Ronca.

   – Não ronco.

   – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

   Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo.

   Ficam os dois sozinhos.

   – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

   – Humrfm – diz o velho.

   Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

   Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

   Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

   – Rarrá! – diz a velha, feliz.

   Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

   – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

   E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes.

   É um diálogo sussurrado.

   “Estão prontos?”

   “Não, acho que ainda não…”

   “Então vamos voltar amanhã…”


(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
Os dígrafos são caracterizados como duas letras que representam uma única unidade sonora, ou fonema, no sistema de escrita.
(NUNES, Bryant, 2014.)

Há dois tipos de dígrafos: consonantal e vocálico. Considerando o exposto, analise os trechos a seguir e assinale o que possui dígrafo vocálico.
Alternativas
Q3409544 Português
Sozinhos


   Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

   Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.

   – Ronca.

   – Não ronco.

   – Ele diz que não ronca – comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.

   Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo.

   Ficam os dois sozinhos.

   – Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer – diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. – É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.

   – Humrfm – diz o velho.

   Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

   Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba.

   Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

   – Rarrá! – diz a velha, feliz.

   Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!

   – Rarrá! – diz o velho, vingativo.

   E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio – por causa dos roncos – não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes.

   É um diálogo sussurrado.

   “Estão prontos?”

   “Não, acho que ainda não…”

   “Então vamos voltar amanhã…”


(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)
Ao considerar a obra de Luís Fernando Veríssimo, infere-se que o autor retrata sobre um fato comum da realidade de muitos casais idosos atualmente. Em seu contexto geral, é possível compreender que o texto:
Alternativas
Q3409433 Segurança e Saúde no Trabalho
Durante a inspeção de rotina em um canteiro de obras, o técnico de segurança em trabalho identificou um trabalhador sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) obrigatórios para a atividade. Diante do caso hipotético descrito, assinale a afirmativa que melhor se enquadra como primeira ação a ser realizada pelo profissional em segurança do trabalho.
Alternativas
Q3409432 Segurança e Transporte
O técnico em segurança do trabalho pode desempenhar um papel fundamental na prevenção de incêndios em edificações, sendo responsável por garantir que a sinalização de emergência e o combate a incêndio sejam realizados em conformidade com as normas vigentes. O posicionamento correto, a padronização de núcleos e símbolos e a manutenção da visibilidade dessas sinalizações são essenciais para orientar os ocupantes durante uma evacuação e facilitar o acesso aos equipamentos de combate ao fogo. O desconhecimento ou a inadequação da sinalização, assim como a falta de conhecimento a respeito dos dispositivos de combate direto, como os extintores, pode comprometer a segurança dos usuários da edificação.

(GONÇALVES, G. P. Notas de aula: prevenção e combate a incêndio. Itaperuna/RJ, UniRedentor, 2024.)



A imagem a seguir apresenta um exemplo de placa de sinalização, conforme recomendações da ABNT; observe:


No setor de Tecnologia da Informação (TI) da Câmara Municipal de Mariana, encontra-se o servidor central que armazena e processa dados essenciais para o funcionamento de todo o prédio público. Considerando os requisitos da ABNT (NBR 12693:2021), bem como a Instrução Técnica nº 16/2019, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o tipo de extintor mais adequado para combater um princípio de incêndio nesse ambiente, minimizando danos aos equipamentos eletrônicos, é o extintor de:
Alternativas
Q3409431 Segurança e Saúde no Trabalho
O técnico em segurança do trabalho pode desempenhar um papel fundamental na prevenção de incêndios em edificações, sendo responsável por garantir que a sinalização de emergência e o combate a incêndio sejam realizados em conformidade com as normas vigentes. O posicionamento correto, a padronização de núcleos e símbolos e a manutenção da visibilidade dessas sinalizações são essenciais para orientar os ocupantes durante uma evacuação e facilitar o acesso aos equipamentos de combate ao fogo. O desconhecimento ou a inadequação da sinalização, assim como a falta de conhecimento a respeito dos dispositivos de combate direto, como os extintores, pode comprometer a segurança dos usuários da edificação.

(GONÇALVES, G. P. Notas de aula: prevenção e combate a incêndio. Itaperuna/RJ, UniRedentor, 2024.)



A imagem a seguir apresenta um exemplo de placa de sinalização, conforme recomendações da ABNT; observe:


Sobre a sinalização apresentada na imagem, analise as afirmativas correlatas e a relação proposta entre elas.

I. “A imagem serve para indicar a localização de um conjunto de equipamentos de combate a incêndio (hidrantes, abrigo de mangueiras, mangotinho e extintores).”
PORQUE
II. “É um exemplo de sinalização básica de orientação e salvamento e, devido ao seu formato quadrado com borda e símbolo interno, deve ser posicionada na alvenaria em nível intermediário.”

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3409430 Segurança e Transporte
Durante a vistoria em uma transportadora que presta serviços no interior de Minas Gerais, o técnico em segurança do trabalho observou que um caminhão carregado com produtos químicos inflamáveis estava sem rótulos de risco. Diante de tal situação, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) O técnico deve permitir que o veículo circule normalmente, pois a carga já foi operada antes do carregamento, bastando o motorista informar verbalmente a natureza da carga no posto de fiscalização para evitar futuras autuações.

( ) O técnico deve exigir a correta sinalização do veículo antes de permitir sua circulação, conforme a legislação vigente, sendo feita por meio de rótulos de risco, painéis de segurança e demais símbolos, quando aplicáveis.

( ) A sinalização desse veículo para transporte rodoviário a granel precisa ser fixada em um plano vertical, de forma adesivada ou pintada, para se permitir a rápida identificação nos casos de emergência.

( ) A superfície onde deve ser afixada a sinalização pode ser lisa ou corrugada, desde que a sinalização fique bem visível.


A sequência está correta em 
Alternativas
Q3409429 Noções de Primeiros Socorros
Durante o expediente de trabalho, um funcionário relatou que, ao levantar rapidamente de sua estação de trabalho, começou a sentir um sangramento pelo nariz (epistaxe). Preocupado, ele pediu ajuda aos colegas para controlar a situação. Considerando os princípios de primeiros-socorros no ambiente de trabalho, qual é a conduta correta a ser aplicada nesse caso?
Alternativas
Q3409428 Segurança e Saúde no Trabalho
O treinamento de ergonomia para operadores de caixa tem como principal finalidade esclarecer ao profissional sobre os riscos ocupacionais e medidas preventivas relacionadas ao seu trabalho. Ele envolve uma série de informações e atividades que visam promover a saúde e o bem-estar dos operadores por meio de conhecimentos específicos. A partir disso, o trabalhador será capaz de adequar a sua postura e formas de manipular as mercadorias, prevenindo acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
(Disponível em: https://www.clinimerces.com.br/. Acesso em: março de 2025. Adaptado.)

Sobre o treinamento de ergonomia, analise as afirmativas a seguir.

I. A empresa ou o palestrante contratado deve disponibilizar material didático impresso contendo as principais recomendações da NR-17 sobre o posto de trabalho do colaborador e como ele deverá manipular as mercadorias e organizar seu trabalho.

II. O treinamento deve ser contínuo e presencial, por meio de palestras ou cursos com recursos audiovisuais, ficando a critério do organizador.

III. Cada trabalhador contratado, ao assumir o cargo de operador de checkout, deverá receber um treinamento inicial com duração mínima de duas horas, devendo ser realizado até o trigésimo dia da data da sua admissão.


Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Q3409427 Segurança e Saúde no Trabalho
Um profissional foi recentemente contratado como auxiliar de escritório em uma empresa de pequeno porte que controla diversos escritórios administrativos na mesorregião metropolitana de Belo Horizonte. Suas atividades incluem o atendimento a clientes e a coleta de informações sobre produtos e serviços, sendo realizadas predominantemente em posição sentada e com uso de computador. Com base nas normas vigentes, sobre a obrigatoriedade da avaliação ergonômica do trabalho para essa função, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3409426 Segurança e Saúde no Trabalho
Um técnico em segurança do trabalho foi designado para avaliar as condições de trabalho em determinado setor administrativo. Durante a inspeção, ele identificou que os funcionários realizam atividades repetitivas de digitação em estações de trabalho com mobiliário inadequado, sem ajustes ergonômicos. Além disso, observou que a iluminação do ambiente é insuficiente, causando reflexos nas telas dos computadores. Com base na NR-17 e nas boas práticas de segurança do trabalho, qual a medida mais adequada para eliminar ou neutralizar os riscos identificados? 
Alternativas
Q3409425 Segurança e Saúde no Trabalho
Durante a realização de uma análise de riscos em determinado ambiente de trabalho, o técnico em segurança do trabalho observou que diversos fatores poderiam influenciar a saúde dos trabalhadores. Alguns desses fatores incluem as condições ambientais, como temperatura excessiva e ruídos elevados, além de fatores individuais dos trabalhadores, como o histórico de doenças preexistentes e hábitos de saúde. Sabe-se que a equipe de trabalho é composta por operários que desempenham atividades pesadas e estão expostos a riscos físicos, químicos e ergonômicos. Após a análise, o técnico identificou a necessidade de propor medidas corretivas e preventivas para controlar esses riscos e minimizar os impactos sobre a saúde dos trabalhadores, considerando a hierarquia de controle de riscos estabelecida na NR-9. Com base nessa análise, assinale a afirmativa que apresenta as estratégias mais adequadas para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores. 
Alternativas
Q3409424 Segurança e Saúde no Trabalho
Uma construtora de médio porte, contratada para a execução de um conjunto habitacional, atua em regime de subempreitada para fundações profundas. Durante uma inspeção coordenada pelo engenheiro de segurança do trabalho, foi verificada a ausência de prontuários médicos de alguns trabalhadores expostos a agentes químicos oriundos de atividades de impermeabilização e manuseio de solventes. Também foi identificado que os exames ocupacionais estavam sendo realizados sem a formalização de um Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e, ainda, que não havia articulação entre esse programa e o inventário de riscos da organização. Além disso, observou-se:

• Inexistência de Análise Preliminar de Riscos (APR) para atividades em espaços confinados;
• Armazenamento irregular de inflamáveis ao lado de fontes de calor; e
• Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para proteção respiratória fornecidos com Certificação de Aprovação (CA) vencida.

Com base nas disposições das Normas Regulamentadoras 1, 6, 7 e 33 e, ainda, considerando a situação hipotética descrita, assinale a afirmativa que indica a conduta mais adequada a ser adotada pelo engenheiro de segurança do trabalho para garantir a conformidade legal e a integridade da saúde dos trabalhadores. 
Alternativas
Q3409423 Segurança e Saúde no Trabalho
O técnico em segurança do trabalho da Câmara Municipal de Mariana foi acionado para investigar um acidente ocorrido com determinado servidor municipal. O trabalhador sofreu uma fratura no braço ao cair da escada durante a troca de uma lâmpada na repartição pública. No relatório técnico, o profissional deverá fundamentar se o caso configura acidente de trabalho, conforme a legislação vigente. Considerando a Lei nº 8.213/1991 e o Decreto nº 3.048/1999, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3409422 Segurança e Saúde no Trabalho
Uma Câmara Municipal está avaliando a necessidade de composição do seu Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). Sabe-se que a instituição possui mil e duzentos empregados e atua predominantemente no setor administrativo, que é classificado como grau de risco 2, conforme a NR-4. Com base no dimensionamento exigido pela NR-4, assinale a quantidade mínima de profissionais que devem compor o SESMT dessa Câmara Municipal.
Alternativas
Q3409421 Segurança e Saúde no Trabalho
Em determinado ambiente de trabalho, o técnico em segurança do trabalho realizou uma análise de riscos em uma nova área de produção, identificando perigos como risco de queda de materiais, exposição a agentes químicos e condições inadequadas de ventilação. O profissional deve adotar as melhores práticas para mitigar esses riscos e melhorar as condições de trabalho. De acordo com o que é preconizado pela legislação vigente e pelas boas práticas de segurança do trabalho, analise as afirmativas a seguir.

I. O técnico deverá priorizar a implementação de medidas corretivas imediatas para controlar os riscos de queda de materiais e exposição a agentes químicos, antes de tratar do conforto relacionado ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

II. A ventilação inadequada no ambiente de trabalho deverá ser corrigida apenas após as ações e treinamentos de uso adequado relacionados aos EPIs.

III. A análise de riscos deve incluir a identificação de todos os perigos potenciais no ambiente de trabalho, como os relacionados a agentes químicos, físicos e ergonômicos, conforme as diretrizes da NR-9.

IV. O técnico deverá fornecer soluções imediatas para garantir a aceitação dos EPIs pelos trabalhadores, mesmo que isso signifique adiar outras ações corretivas no ambiente de trabalho.

V. A NR-6 estabelece que os EPIs deverão ser adequados ao risco existente e às condições de trabalho, sendo fundamental garantir que todos os trabalhadores usem os equipamentos de maneira eficaz.

VI. A prioridade do técnico é garantir que os EPIs sejam confortáveis e bem aceitos pelos trabalhadores, sem dar prioridade à eliminação ou controle de riscos ambientais ou físicos, quando estes forem significativos.


Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Respostas
3621: A
3622: D
3623: C
3624: D
3625: C
3626: A
3627: C
3628: D
3629: A
3630: B
3631: D
3632: B
3633: B
3634: D
3635: D
3636: C
3637: C
3638: B
3639: D
3640: C