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Q2446325 Pedagogia
A abordagem dos temas contemporâneos transversais é uma ferramenta valiosa para a superação da fragmentação do conhecimento e a formação integral do ser humano com o desenvolvimento de uma visão ampla de mundo. Assinale a afirmativa INCORRETA em relação ao tema transversal “consumo”. 
Alternativas
Q2446324 Pedagogia
O multiculturalismo e a educação estão intimamente ligados, porque, ao mesmo tempo em que a escola ensina as pluralidades culturais, ela segrega os que não fazem parte daquele padrão aceitável pelo seu sistema educacional. Esta problemática tem sido um tema discutido principalmente na pedagogia e no currículo com um intuito de solucionar os conflitos que dela surgem, já que ela abrange gênero, sexualidade, cultura. Também de entidades políticas do mundo inteiro. Analise as seguintes afirmativas sobre o multiculturalismo na educação e suas implicações, considerando seu papel na formação de indivíduos em uma sociedade diversificada.


I. A abordagem multicultural no ensino pode inadvertidamente reforçar estereótipos culturais, se for aplicada com sensibilidade e conhecimento aprofundado das diferentes culturas.


II. A incorporação do multiculturalismo no currículo pode, em alguns contextos, gerar resistência por parte de determinados grupos, questionando a relevância ou prioridade atribuída a diferentes perspectivas culturais.


III. O papel do professor, ao adotar uma abordagem multicultural, vai além da simples inclusão de elementos culturais no ensino, exigindo a habilidade de criar um ambiente de aprendizagem inclusivo e crítico, que valorize o povo afrodescendente, a quem a sociedade deve muita restauração.


IV. A prática do multiculturalismo na educação não se limita à exposição passiva das diversas culturas, mas deve ser um incentivo à reflexão crítica sobre questões de poder, privilégio e desigualdade cultural.


Está correto o que se afirma em 
Alternativas
Q2446323 Pedagogia
A avaliação educacional é um processo complexo que vai além da simples atribuição de notas. Documentos legais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil, ressaltam a avaliação como um instrumento para a aprendizagem contínua, valorizando diferentes métodos, como a avaliação formativa e somativa. Segundo a Lei nº 9.394/1996 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o sistema educacional brasileiro se divide em educação básica e educação superior. Além de definir os objetivos e características de cada nível de ensino, a LDB determina como deve ser a avaliação, seja no sentido geral, em todos os níveis de ensino, seja nas especificidades de cada um deles. Analise as afirmativas a seguir e marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


( ) O Artigo 35-A da LDB indica que a avaliação processual e contínua pode incluir atividades teóricas e práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e atividades on-line, ou seja, são várias as indicações de instrumentos e estratégias de avaliação, superando a clássica aplicação de provas ou testes.


( ) A LDB mantém para o ensino médio os princípios de avaliação processual e cumulativa, acrescentando, no Art. 35 – que são estabelecidos padrões nacionais de desempenho que subsidiarão os processos nacionais de avaliação como, por exemplo, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Esses padrões serão estabelecidos a partir da Base Nacional Comum Curricular.


( ) Na educação infantil, que tem o foco na vivência de conteúdos, geralmente por meio do brincar. As atividades se iniciam pelo acolhimento da criança na instituição e o processo só se encerra quando a família vem buscar os pequenos, pois, inclusive, esse momento faz parte do processo educativo dessa etapa. Por isso mesmo a avaliação tem um caráter menos formal. Segundo o Art. 31 da LDB, inciso I, na educação infantil, a avaliação ocorrerá mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, exceto para acesso ao ensino fundamental.


( ) A BNCC indica que na educação infantil é preciso acompanhar as aprendizagens das crianças, realizando a observação da trajetória de cada criança e de todo o grupo, suas conquistas, avanços, possibilidades, aprendizagens.


A sequência está correta em 
Alternativas
Q2446322 Pedagogia
Em certa escola de ensino fundamental, a aluna Ana, do 8º ano, chama a atenção de seus professores devido a mudanças preocupantes em seu comportamento e aparência. Observa-se que Ana tem se tornado cada vez mais retraída, evitando interações sociais, especialmente durante os intervalos. Além disso, seus professores notam uma perda significativa de peso e a recusa constante em participar de atividades que envolvem alimentação, como lanches coletivos na sala de aula. Ao ser abordada pelos educadores, Ana minimiza suas preocupações com a alimentação e insiste que está apenas “se cuidando”, insistindo que está muito longe do corpo perfeito, recusando-se a qualquer situação em que tenha que comer algo na frente das pessoas. A equipe escolar, ciente da importância de abordar delicadamente questões relacionadas à saúde mental, busca maneiras de apoiar Ana da melhor forma possível. Há uma indicação, para que a equipe escolar tome providências cabíveis, pois a aluna parece enfrentar. Identifique e assinale qual tipo de transtorno alimentar Ana pode estar enfrentando e a atitude que a escola deveria tomar. 
Alternativas
Q2446321 Pedagogia
De acordo com a Gestalt, compreender o comportamento do homem envolve conhecer como ele percebe os elementos da realidade. Nem sempre o que ele vê condiz com a realidade, por estar muitas vezes relacionada mais à aparência. Nossos comportamentos, desse modo, nem sempre têm motivações ou são movidos por situações objetivas. Podemos, por exemplo, nos indispor com um colega, por conta de acreditarmos que ele está diferente, que não está nos dando a atenção devida, exclusivamente pelo nosso jeito de ver, sem que haja de fato exemplo concreto dessa atenção diferenciada. E a inteligência também depende desse processo. De acordo com tal teoria, correspondem, respectivamente, à lei principal que governa o pensamento, ao fenômeno pelo qual acontece a aprendizagem, e um dos teóricos desta corrente:
Alternativas
Q2446320 Pedagogia
Imaginemos uma cena em que um professor de ensino médio esteja conduzindo uma aula de História sobre a Revolução Industrial. Ele inicia a aula perguntando aos alunos sobre o que já sabem do tema, incentivando a participação de todos. Ao invés de simplesmente apresentar fatos e datas, o professor busca relacionar o conteúdo histórico com a realidade atual. Ele utiliza recursos audiovisuais, como vídeos e imagens, para contextualizar os impactos da Revolução Industrial na sociedade da época, destacando as desigualdades sociais, a exploração do trabalho infantil e as mudanças nos modos de produção. Durante a explanação, o professor incentiva o debate e a reflexão dos alunos sobre como esses problemas ainda persistem ou se manifestam de maneiras diferentes na sociedade contemporânea. O ambiente é de diálogo aberto, no qual o professor atua como mediador, buscando instigar o pensamento crítico, a reflexão sobre as desigualdades sociais e a conscientização dos alunos sobre a importância de compreender o passado para entender o presente e influenciar o futuro. Podemos relacionar esta aula à tendência pedagógica e à concepção de aprendizagem, respectivamente: 
Alternativas
Q2446319 Pedagogia
Jean Piagetse propôs a estudar o processo de desenvolvimento do pensamento e não a aprendizagem em si. Ele observa a aprendizagem infantil não com o intuito de diferenciá-la do desenvolvimento, mas para obter uma resposta à questão fundamental (de ordem epistemológica), que se refere à natureza da inteligência, qual seja: como se constrói o conhecimento? É importante destacar que, de acordo com o autor, o sujeito do conhecimento não é um indivíduo particular qualquer. Ele teoriza sobre um sujeito ideal, universal e, portanto, atemporal. Esse sujeito epistêmico com o qual trabalha, mesmo que não corresponda a alguém em particular, sintetiza as possibilidades de cada indivíduo e de todos ao mesmo tempo. Na perspectiva piagetiana, o outro polo dessa relação, o objeto de conhecimento, refere-se a um meio genérico, que engloba tanto os aspectos físicos quanto os sociais. Nas sistematizações teóricas de Piaget, conhecer é:

I. Organizar, estruturar e explicar o real a partir de experiências vividas.

II. Modificar, transformar o objeto, compreender o mecanismo de sua transformação e, consequentemente, o caminho pelo qual o objeto é construído.

III. Sempre resultado da ação do sujeito sobre o objeto.

IV. É transformar e seu mecanismo é essencialmente operatório.


Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q2446318 Pedagogia
A Secretaria de Educação de determinado município enfrenta um dilema orçamentário. O governo local decidiu realocar o financiamento destinado à educação infantil para o ensino médio da rede municipal. O argumento é que o ensino médio precisa de uma melhoria estrutural significativa para atender às demandas crescentes dos estudantes, enquanto a educação infantil, embora fundamental, poderia temporariamente sofrer um corte no financiamento. Aplicando princípios e diretrizes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996 – LDB) para resolver esse impasse, qual a abordagem mais apropriada para resolver o dilema enfrentado pela Secretaria de Educação do município quanto à realocação dos recursos da educação infantil para o ensino médio?
Alternativas
Q2446317 Pedagogia
Na história da educação brasileira, registramos, nos anos de 1930, que o governo provisório que acabava de assumir tratou logo de estabelecer condições de infraestrutura administrativa, para fazer prevalecer alguns dos princípios básicos em que se fundamentava o novo regime. Dessa forma, e como consequência disso, criaram-se logo vários Ministérios, e o da Educação e Saúde Pública foi instituído logo após a tomada de poder, no ano de 1930. Era esse Ministério a primeira das grandes realizações práticas, mas, diga-se de passagem, não constituía propriamente uma novidade, já que no início da República ele existia, embora com curta duração. Sua ação se fez sentir logo, através dos atos de seu Ministro da Educação e Saúde Pública. A reforma empreendida por ele efetivou-se através de uma série de decretos como: o Decreto nº 19.859, que criou o Conselho Nacional de Educação, o Decreto nº 19.851, que dispõe sobre a organização do ensino superior no Brasil e adota o regime universitário, o Decreto nº 19.890, que dispõe sobre a organização do ensino secundário, dentre outros. Este conjunto de decretos integram um período da história da educação brasileira intitulada:
Alternativas
Q2446316 Pedagogia
Analise as atividades a seguir que foram aplicadas em uma turma qualquer de ensino fundamental:

“Organizar os alunos em um círculo e explicar que cada um terá a oportunidade de compartilhar uma experiência pessoal na qual se sentiram valorizados ou, ao contrário, desrespeitados; estabeleça um protocolo de escuta ativa: enquanto um aluno compartilha sua experiência, os demais devem prestar atenção sem interromper, demonstrando compreensão e empatia por meio de expressões não verbais.”

À luz da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), analise estas atividades:

I. Inter-relacionam-se e desdobram-se no tratamento didático proposto para as três etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), articulando-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e valores, nos termos da LDB.

II. Atendem em parte ao desenvolvimento de uma das competências gerais da BNCC, em que os alunos devem exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais.

III. Contribuem ao desenvolvimento de uma das competências específicas de ciências humanas para o ensino fundamental em que os alunos devem compreender a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos.


Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q2446315 Pedagogia
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é um documento que orienta as práticas educativas da escola, englobando princípios, metas e ações para direcionar o ensino, considerando a realidade da comunidade escolar. Ele define a identidade, objetivos e valores da instituição, integrando aspectos pedagógicos, estruturais e administrativos, para promover uma educação de qualidade, inclusiva e participativa, formando os alunos para uma atuação crítica e ética na sociedade. Na perspectiva das duas lógicas distintas e conflitivas na sua construção, a estratégica e a emancipadora, a utilização que a administração educacional faz de conceitos como o de projeto da escola, autonomia da escola, gestão democrática leva a práticas educacionais totalmente distintas. O desafio a ser enfrentado na construção de um PPP na perspectiva emancipadora é:
Alternativas
Q2446314 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
O Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Pitangueiras prevê que o servidor poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão ou entidade para exercício de cargo em comissão. A cessão far-se-á mediante
Alternativas
Q2446313 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Trata-se do deslocamento do servidor, com o respectivo cargo, para o quadro de pessoal de outro órgão ou entidade do mesmo Poder, observados a vinculação entre os graus de complexidade e responsabilidade, a correlação das atribuições, a equivalência entre os vencimentos e o interesse da Administração, com prévia apreciação da Seção de Recursos Humanos. Tal ato dar-se-á, exclusivamente, para ajustamento de quadros de pessoal às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou entidade. Considerando as disposições da Lei nº 1.904/1997, o conceito anteriormente explicitado, diz respeito à:
Alternativas
Q2446312 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Fulana, servidora do município de Pitangueiras, almeja a designação por acesso, para função de chefia de determinado órgão público municipal, porém esta designação será, exclusivamente, para servidor de carreira. Considerando o caso hipotético e tomando como base o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Pitangueiras, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q2446311 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Considerando somente a Lei nº 1.904/1997, analise as afirmativas a seguir.

I. Após cada quinquénio ininterrupto de exercício, o servidor fará jus a três meses de licença prêmio, a título de prêmio por assiduidade, com a remuneração do cargo.

II. O servidor terá direito a licença, sem remuneração, durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.

III. Poderá ser concedida ao servidor licença por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, padrasto ou madrasta, ascendente, descendente, enteado e colateral consanguíneo ou afim até o segundo grau civil, mediante comprovação por junta médica oficial.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q2446310 Legislação dos Municípios do Estado de São Paulo
Meire, servidora pública do município de Pitangueiras, além do vencimento e das vantagens previstas em Lei, fará jus às seguintes gratificações e adicionais, EXCETO: 
Alternativas
Q2446304 Português
Pelo ralo


        Os pratos estão empilhados de um dos lados da pia numa torre irregular, equilibrando-se uns sobre os outros de forma precária, como os destroços de um prédio bombardeado ameaçando cair. Estão sujos. Muito sujos. Foram deixados ali já faz algum tempo e os pedaços de detritos sobre eles se cristalizaram, tomando formas absurdas, surreais. Há grãos e lascas, restos de folhas, amontoados de uma indefinida massa de cor acinzentada. Copos e tigelas de vidro, também empilhados num desenho caótico, exibem a superfície maculada, cheia de nódoas, e o metal das panelas, chamuscado e sujo em vários pontos, lembra a fuselagem de um avião incendiado. Mas há mais do que isso. Há talheres por toda parte, lâminas, cabos, extremidades pontiagudas que surgem por ente os pratos, em sugestões inquietantes. E há ainda a cratera da pia, onde outros tantos pratos e travessas, igualmente sujos, estão quase submersos numa água escura, como se, num campo de batalha, a chuva tivesse caído sobre as cinzas. O cenário é desolador.

          A mulher se aproxima, os olhos fixos na pia. Suas mãos, cujos dedos exibem dobras ressecadas, resultado de muitos anos de contato com água e detergente, movem-se em torno da cintura e caminham até as costas, levando as tiras do avental vermelho e branco. Com gestos rápidos, ágeis, faz-se a laçada, que ajusta o avental em seu lugar. E a mulher abre a torneira. Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos. Ligou o aquecedor no máximo, pois sabe que precisará dela fumegante, para derreter as crostas formadas depois de tantas horas. Logo o vapor começa a subir. Emana da pia, primeiro lentamente, depois numa nuvem mais encorpada, quase apocalíptica, enquanto o jato d’água chia contra a superfície da louça suja. A mulher despeja algumas gotas de detergentes na esponja e começa a lavar. Esfrega com vigor, começando pelas travessas que estavam imersas na água parada, pegando em seguida os copos e, por fim, a pilha de pratos. Vai acumulando-os, já envoltos em espuma, de um dos lados da pia, num trabalho longo, árduo. E só depois se põe a enxaguá-los, deixando que a água escoe, levando consigo o que resta dos detritos.

         De repente, a mulher sorri. As pessoas não acreditam, mas ela gosta de lavar louça. Sempre gostou. A sensação da água quente nas mãos, seu jato carregando as impurezas, são para ela um bálsamo. “É bom assistir a essa passagem, à transformação do sujo em limpo”, ouviu dizer um dia um poeta, que também gostava de lavar louça. Ficara feliz ao ouvir aquilo. Só então se dera conta do quanto havia de beleza e poesia nesses gestos tão simples. Mas agora a mulher suspira. Queria poder também lavar os erros do mundo, desfazer seus escombros, apagar-lhe as nódoas, envolver em sabão todos os ódios e horrores, as misérias e mentiras. Porque, afinal, do jeito que as coisas andam, é o próprio mundo que vai acabar – ele inteiro – descendo pelo ralo.


(SEIXAS, Heloisa. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 2001. Revista de Domingo, Seção Contos Mínimos.)
Em “Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos.” (2º§), o “à” não seria mantido indicando ocorrência de crase, se:
Alternativas
Q2446303 Português
Pelo ralo


        Os pratos estão empilhados de um dos lados da pia numa torre irregular, equilibrando-se uns sobre os outros de forma precária, como os destroços de um prédio bombardeado ameaçando cair. Estão sujos. Muito sujos. Foram deixados ali já faz algum tempo e os pedaços de detritos sobre eles se cristalizaram, tomando formas absurdas, surreais. Há grãos e lascas, restos de folhas, amontoados de uma indefinida massa de cor acinzentada. Copos e tigelas de vidro, também empilhados num desenho caótico, exibem a superfície maculada, cheia de nódoas, e o metal das panelas, chamuscado e sujo em vários pontos, lembra a fuselagem de um avião incendiado. Mas há mais do que isso. Há talheres por toda parte, lâminas, cabos, extremidades pontiagudas que surgem por ente os pratos, em sugestões inquietantes. E há ainda a cratera da pia, onde outros tantos pratos e travessas, igualmente sujos, estão quase submersos numa água escura, como se, num campo de batalha, a chuva tivesse caído sobre as cinzas. O cenário é desolador.

          A mulher se aproxima, os olhos fixos na pia. Suas mãos, cujos dedos exibem dobras ressecadas, resultado de muitos anos de contato com água e detergente, movem-se em torno da cintura e caminham até as costas, levando as tiras do avental vermelho e branco. Com gestos rápidos, ágeis, faz-se a laçada, que ajusta o avental em seu lugar. E a mulher abre a torneira. Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos. Ligou o aquecedor no máximo, pois sabe que precisará dela fumegante, para derreter as crostas formadas depois de tantas horas. Logo o vapor começa a subir. Emana da pia, primeiro lentamente, depois numa nuvem mais encorpada, quase apocalíptica, enquanto o jato d’água chia contra a superfície da louça suja. A mulher despeja algumas gotas de detergentes na esponja e começa a lavar. Esfrega com vigor, começando pelas travessas que estavam imersas na água parada, pegando em seguida os copos e, por fim, a pilha de pratos. Vai acumulando-os, já envoltos em espuma, de um dos lados da pia, num trabalho longo, árduo. E só depois se põe a enxaguá-los, deixando que a água escoe, levando consigo o que resta dos detritos.

         De repente, a mulher sorri. As pessoas não acreditam, mas ela gosta de lavar louça. Sempre gostou. A sensação da água quente nas mãos, seu jato carregando as impurezas, são para ela um bálsamo. “É bom assistir a essa passagem, à transformação do sujo em limpo”, ouviu dizer um dia um poeta, que também gostava de lavar louça. Ficara feliz ao ouvir aquilo. Só então se dera conta do quanto havia de beleza e poesia nesses gestos tão simples. Mas agora a mulher suspira. Queria poder também lavar os erros do mundo, desfazer seus escombros, apagar-lhe as nódoas, envolver em sabão todos os ódios e horrores, as misérias e mentiras. Porque, afinal, do jeito que as coisas andam, é o próprio mundo que vai acabar – ele inteiro – descendo pelo ralo.


(SEIXAS, Heloisa. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 2001. Revista de Domingo, Seção Contos Mínimos.)
Dentre os trechos do texto destacados a seguir, pode-se identificar enunciados cujo conteúdo possui sentido relacionado à positividade, considerando-se o contexto em que estão inseridos, EXCETO:
Alternativas
Q2446302 Português
Pelo ralo


        Os pratos estão empilhados de um dos lados da pia numa torre irregular, equilibrando-se uns sobre os outros de forma precária, como os destroços de um prédio bombardeado ameaçando cair. Estão sujos. Muito sujos. Foram deixados ali já faz algum tempo e os pedaços de detritos sobre eles se cristalizaram, tomando formas absurdas, surreais. Há grãos e lascas, restos de folhas, amontoados de uma indefinida massa de cor acinzentada. Copos e tigelas de vidro, também empilhados num desenho caótico, exibem a superfície maculada, cheia de nódoas, e o metal das panelas, chamuscado e sujo em vários pontos, lembra a fuselagem de um avião incendiado. Mas há mais do que isso. Há talheres por toda parte, lâminas, cabos, extremidades pontiagudas que surgem por ente os pratos, em sugestões inquietantes. E há ainda a cratera da pia, onde outros tantos pratos e travessas, igualmente sujos, estão quase submersos numa água escura, como se, num campo de batalha, a chuva tivesse caído sobre as cinzas. O cenário é desolador.

          A mulher se aproxima, os olhos fixos na pia. Suas mãos, cujos dedos exibem dobras ressecadas, resultado de muitos anos de contato com água e detergente, movem-se em torno da cintura e caminham até as costas, levando as tiras do avental vermelho e branco. Com gestos rápidos, ágeis, faz-se a laçada, que ajusta o avental em seu lugar. E a mulher abre a torneira. Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos. Ligou o aquecedor no máximo, pois sabe que precisará dela fumegante, para derreter as crostas formadas depois de tantas horas. Logo o vapor começa a subir. Emana da pia, primeiro lentamente, depois numa nuvem mais encorpada, quase apocalíptica, enquanto o jato d’água chia contra a superfície da louça suja. A mulher despeja algumas gotas de detergentes na esponja e começa a lavar. Esfrega com vigor, começando pelas travessas que estavam imersas na água parada, pegando em seguida os copos e, por fim, a pilha de pratos. Vai acumulando-os, já envoltos em espuma, de um dos lados da pia, num trabalho longo, árduo. E só depois se põe a enxaguá-los, deixando que a água escoe, levando consigo o que resta dos detritos.

         De repente, a mulher sorri. As pessoas não acreditam, mas ela gosta de lavar louça. Sempre gostou. A sensação da água quente nas mãos, seu jato carregando as impurezas, são para ela um bálsamo. “É bom assistir a essa passagem, à transformação do sujo em limpo”, ouviu dizer um dia um poeta, que também gostava de lavar louça. Ficara feliz ao ouvir aquilo. Só então se dera conta do quanto havia de beleza e poesia nesses gestos tão simples. Mas agora a mulher suspira. Queria poder também lavar os erros do mundo, desfazer seus escombros, apagar-lhe as nódoas, envolver em sabão todos os ódios e horrores, as misérias e mentiras. Porque, afinal, do jeito que as coisas andam, é o próprio mundo que vai acabar – ele inteiro – descendo pelo ralo.


(SEIXAS, Heloisa. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 2001. Revista de Domingo, Seção Contos Mínimos.)
Em “Com gestos rápidos, ágeis, faz-se a laçada, que ajusta o avental em seu lugar. E a mulher abre a torneira. Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos.” (2º§), pode-se afirmar que as duas ocorrências da preposição “com” indicam, respectivamente: 
Alternativas
Q2446301 Português
Pelo ralo


        Os pratos estão empilhados de um dos lados da pia numa torre irregular, equilibrando-se uns sobre os outros de forma precária, como os destroços de um prédio bombardeado ameaçando cair. Estão sujos. Muito sujos. Foram deixados ali já faz algum tempo e os pedaços de detritos sobre eles se cristalizaram, tomando formas absurdas, surreais. Há grãos e lascas, restos de folhas, amontoados de uma indefinida massa de cor acinzentada. Copos e tigelas de vidro, também empilhados num desenho caótico, exibem a superfície maculada, cheia de nódoas, e o metal das panelas, chamuscado e sujo em vários pontos, lembra a fuselagem de um avião incendiado. Mas há mais do que isso. Há talheres por toda parte, lâminas, cabos, extremidades pontiagudas que surgem por ente os pratos, em sugestões inquietantes. E há ainda a cratera da pia, onde outros tantos pratos e travessas, igualmente sujos, estão quase submersos numa água escura, como se, num campo de batalha, a chuva tivesse caído sobre as cinzas. O cenário é desolador.

          A mulher se aproxima, os olhos fixos na pia. Suas mãos, cujos dedos exibem dobras ressecadas, resultado de muitos anos de contato com água e detergente, movem-se em torno da cintura e caminham até as costas, levando as tiras do avental vermelho e branco. Com gestos rápidos, ágeis, faz-se a laçada, que ajusta o avental em seu lugar. E a mulher abre a torneira. Encostada à pia, espera, tocando a água de vez em quando com a ponta dos dedos. Ligou o aquecedor no máximo, pois sabe que precisará dela fumegante, para derreter as crostas formadas depois de tantas horas. Logo o vapor começa a subir. Emana da pia, primeiro lentamente, depois numa nuvem mais encorpada, quase apocalíptica, enquanto o jato d’água chia contra a superfície da louça suja. A mulher despeja algumas gotas de detergentes na esponja e começa a lavar. Esfrega com vigor, começando pelas travessas que estavam imersas na água parada, pegando em seguida os copos e, por fim, a pilha de pratos. Vai acumulando-os, já envoltos em espuma, de um dos lados da pia, num trabalho longo, árduo. E só depois se põe a enxaguá-los, deixando que a água escoe, levando consigo o que resta dos detritos.

         De repente, a mulher sorri. As pessoas não acreditam, mas ela gosta de lavar louça. Sempre gostou. A sensação da água quente nas mãos, seu jato carregando as impurezas, são para ela um bálsamo. “É bom assistir a essa passagem, à transformação do sujo em limpo”, ouviu dizer um dia um poeta, que também gostava de lavar louça. Ficara feliz ao ouvir aquilo. Só então se dera conta do quanto havia de beleza e poesia nesses gestos tão simples. Mas agora a mulher suspira. Queria poder também lavar os erros do mundo, desfazer seus escombros, apagar-lhe as nódoas, envolver em sabão todos os ódios e horrores, as misérias e mentiras. Porque, afinal, do jeito que as coisas andam, é o próprio mundo que vai acabar – ele inteiro – descendo pelo ralo.


(SEIXAS, Heloisa. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 2001. Revista de Domingo, Seção Contos Mínimos.)
Considerando-se as ideias e informações apresentadas no último parágrafo do texto, indique a afirmativa relacionada.
Alternativas
Respostas
16781: D
16782: C
16783: C
16784: A
16785: A
16786: D
16787: A
16788: C
16789: B
16790: A
16791: A
16792: C
16793: D
16794: B
16795: A
16796: D
16797: C
16798: A
16799: C
16800: D