Questões de Concurso
Sobre crase em português
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A transformação digital na Administração Pública tem sido frequentemente apresentada como um caminho inevitável para a modernização do Estado. Entretanto, reduzir a inovação governamental à mera aquisição de equipamentos ou à implementação de sistemas informatizados constitui equívoco recorrente e, não raras vezes, dispendioso. A tecnologia, por si só, não opera milagres; antes, converte-se em instrumento estéril quando dissociada de planejamento, de capacitação continuada e de mecanismos de controle.
Em diversas administrações, observam-se projetos grandiosos anunciados com pompa, mas executados sem diagnóstico prévio das reais necessidades institucionais. Não é incomum que plataformas digitais sofisticadas coexistam com processos internos desorganizados, de sorte que a informatização, em vez de solucionar problemas, apenas lhes confira aparência de modernidade. Nesse contexto, a expressão “governo inteligente” pode, paradoxalmente, designar estruturas administrativas incapazes de utilizar, com eficiência, os recursos tecnológicos de que dispõem.
Por outro lado, seria igualmente equivocado afirmar que a resistência às novas tecnologias constitui postura prudente. A recusa sistemática à inovação compromete a transparência, dificulta a prestação de serviços públicos e perpetua práticas burocráticas incompatíveis com as exigências contemporâneas. O desafio, portanto, não consiste em escolher entre tradição e inovação, mas em harmonizar ambas, de modo que a tecnologia deixe de ser um fim em si mesma e passe a representar um meio de concretização do interesse público.
Convém observar, ademais, que o discurso da transformação digital frequentemente emprega expressões de forte carga simbólica. Afirma-se, por exemplo, que a transparência é um dos “pilares” da gestão contemporânea ou que a tecnologia constitui uma “ferramenta indispensável”. Tais expressões, embora correntes, revelam o emprego figurado da linguagem, uma vez que nem os pilares são estruturas físicas nem as ferramentas são objetos materiais. Trata-se, antes, de construções metafóricas destinadas a enfatizar a importância de determinados valores e instrumentos administrativos.
Finalmente, importa reconhecer que a eficiência administrativa não se mede pelo número de equipamentos adquiridos, tampouco pela quantidade de sistemas implementados, mas pela capacidade institucional de transformar recursos tecnológicos em resultados socialmente relevantes. A inovação genuína não reside nas máquinas, e sim na inteligência com que são utilizadas.
(Celso Magalhães – Texto adaptado)
Transbordando memórias
Maria Luiza Glovacki
Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.
O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.
Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.
E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.
Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.
O rio transbordou. E eu também transbordei.
Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026.
I. A expressão "Todavia", no primeiro parágrafo, introduz ideia de oposição em relação ao período anterior.
II. Em "não se trata de mera formalidade burocrática", o pronome "se" exerce função de índice de indeterminação do sujeito.
III. Em "essa escolha permanece vinculada aos princípios da razoabilidade...", o predicado é classificado como verbo-nominal.
IV. A substituição de "Submetido à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais" por "Submetido a Constituição, as leis e aos direitos fundamentais" viola a norma de emprego do acento indicativo de crase.
Está CORRETO o que se afirma em
- Estou aqui várias horas aguardando chance de ir até praia.
- Daqui dois anos, espero fazer a viagem dos meus sonhos de tanto tempo.
- Você de convir comigo que nessa questão muita coisa delicada.
- custa de muito esforço, todas vítimas foram socorridas tempo.
- Eu não imaginaria uma situação tão desfavorável você.
- De janeiro dezembro, faço invocações várias entidades religiosas.
- Tudo aconteceu ____ custa de muito esforçо, graças ____ tentativa de anular ____ decisão da assembleia.
- Pouco _____ pouco, os convidados foram se acostumando ____ luminosidade do local.
- Dirijo-me ____ vocês com um objetivo muito simples: declarar minha adesão ____ causa desse grupo.
O trecho “o consenso técnico e jurídico é que mitigar os riscos da radiação exige atenção contínua.” poderia ser reescrito, preservando‑se a correção gramatical e o sentido original do texto, da seguinte forma: Segundo consenso técnico e jurídico, para atenuar os riscos da radiação, exige‑se à atenção contínua.
Radioactive: quem foi Marie Curie, cientista retratada no novo sucesso da Netflix
Personagem principal do filme “Radioactive”, Marie Curie tem uma história impressionante. Conheça a trajetória dessa cientista!
Cientista premiada nas categorias Física e Química, Marie Curie é a única mulher a ter recebido dois prêmios Nobel e a única pessoa a ser premiada em duas áreas científicas diferentes. Um dos motivos pelos quais Marie Curie se tornou conhecida como uma grande cientista foi quando estudou o urânio, com seu marido, Pierre Curie. Marie usou, pela primeira vez, o termo “radioatividade”, referindo-se à descoberta feita pelo cientista Henri Becquerel. Os Curie descobriram que o urânio emitia radiação pelos próprios átomos, não por alguma interação molecular. Marie Curie prosseguiu na pesquisa com os minérios de urânio e, em 1898, descobriu dois novos elementos químicos, o polônio, nomeado em homenagem a seu país natal, e o rádio.
Sua pesquisa lhe rendeu o prêmio Nobel de Física e também o de Química. Em 1903, Marie Curie recebeu a honra com seu marido, Pierre Curie, e com o cientista segunda premiação veio em 1911, pela descoberta dos elementos polônio e rádio.
Rapidamente, Marie Curie desenvolveu aplicações médicas para suas descobertas. Na Primeira Guerra Mundial, Curie montou unidades móveis de raio-x. Estima-se que o esforço de Curie tenha sido o responsável pelas radiografias de mais de um milhão de soldados. Suas histórias de guerra são relatadas no livro Radiologia na Guerra, lançado em 1919.
Seus trabalhos foram um sucesso e suas pesquisas corriam a todo vapor, mas não se sabia ainda do perigo de ter contato com a radiação. Assim, Marie Curie não tomava nenhum cuidado específico ao lidar com os elementos. Andava com tubos de ensaio com amostras de rádio em seu bolso de jaleco, fazia diversas radiografias sem a devida proteção e com isso passou anos sendo contaminada.
Após anos de contaminação, Curie faleceu. Algumas fontes atribuem sua morte à leucemia, outras à anemia a plástica, mas a própria Curie atribuía a doença à exposição aos raios-x durante a guerra. De fato, uma análise de seus restos mortais em 1995 mostrou que seu corpo não apresentava vestígios de Rádio. Os livros de anotações de Marie Curie, por outro lado, contam com alto nível de radiação e devem ser pegos com a devida proteção.
A respeito dos aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto, julgue o item seguinte.
No período “Algumas fontes atribuem sua morte à leucemia, outras à anemia aplástica, mas a própria Curie atribuía a doença à exposição aos raios-x durante a guerra.”, a crase em “à anemia aplástica” justifica-se pela regência da forma verbal “atribuem”, cuja elipse constitui recurso que favorece a concisão textual.

• “Em 2019, o Brasil promoveu uma das mais relevantes alterações em seu sistema previdenciário desde ___ promulgação da Constituição de 1988”.
• “benefícios proporcionais ___ contribuições”.
• “modernizar e adaptar o sistema ___ nova realidade demográfica”.
Limitar horários de alimentação pode ajudar a evitar declínio cognitivo na velhice
Por Amanda Nascimento

(Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/limitar-horarios-de-alimentacao-pode-ajudar-a-evitardeclinio-cognitivo-na-velhice-diz-estudo/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
"Cabe aos responsáveis garantir ______ crianças e aos adolescentes condições adequadas de desenvolvimento, assegurando acesso ______ educação, ______ saúde e ______ oportunidades que favoreçam sua formação integral."
De acordo com as normas da Língua Portuguesa relativas ao emprego do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE as lacunas:
Texto para o item.
Por que tantas indústrias estão trocando
as capitais pelo interior do Brasil
Entre os estados com maior número de empregos na indústria de transformação, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará e Bahia tiveram os movimentos de interiorização mais significativos nas últimas quatro décadas, com movimentos mais leves em Santa Catarina e Paraná, revela estudo recém‑publicado pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus/USP), de autoria dos economistas Paulo Morceiro e Milene Tessarin. Morceiro e Tessarin utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para analisar o peso da indústria no emprego formal total do Brasil. Eles traçaram um retrato inédito da contribuição das diferentes esferas geográficas na desindustrialização do Brasil, com uma série de dados longa e contínua, de 1985 a 2022 – e confirmaram com números uma “neoindustrialização” do país puxada pelas cidades do interior.
Os dados mostram, por exemplo, que cresceu a representatividade dos estados do Centro‑Oeste na produção industrial, puxada pelo agronegócio, enquanto três regiões metropolitanas com forte tradição no setor (São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre) foram responsáveis sozinhas por 70% da desindustrialização que o Brasil sofreu nas últimas décadas. Segundo Morceiro, parte desse fenômeno é explicado por uma crescente concentração populacional e sobrecarga da infraestrutura de áreas urbanas, que eleva os custos operacionais das indústrias, criando desvantagens que superaram os benefícios de se estar em áreas densamente ocupadas. Isso levou a uma “fuga de indústrias” para regiões menos concorridas.
“Terrenos e galpões industriais ficam muito caros, o custo de mão de obra cresce muito, tem que pagar aluguel mais caro, a comida fora de casa é mais cara para o trabalhador, que demora mais tempo para chegar à fábrica devido aos congestionamentos”, exemplifica Morceiro, um dos principais estudiosos da indústria e da desindustrialização no Brasil. “O pessoal se organiza muito mais fácil, então os sindicatos são mais fortes. Tudo isso é custo para a empresa”, diz ele.
Nesse cenário, setores como o automobilístico, antes muito concentrado no ABC Paulista – polo industrial tradicional da Região Metropolitana de São Paulo –, agora florescem em outras partes do Brasil.
Internet:
Um pé de cedro
Por Adriana Antunes

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/um-pede-cedro-cmqznhwxg00c2015tlwtwlvqp.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. O emprego da crase é facultativo em “o asfalto chegou ___ nossa rua”, pois é facultativo o uso de artigo definido antes de pronomes possessivos.
II. Em “___ anos convivo com árvores sendo derrubadas”, a lacuna deve ser preenchida por “A”, que indica tempo transcorrido.
III. Em “Aceitei, ___ a contragosto”, deve-se empregar a palavra “meia”, tendo em vista que a autora do texto é uma mulher.
Quais estão corretas?
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos e ao vocabulário empregado no texto CB1A1.
No trecho "um acordo sobre as adaptações necessárias à era da IA" (terceiro parágrafo), o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo "à" é facultativo.