“Sem caixa ou acesso a crédito, sua própria sobrevivência p...
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Ano: 2026
Banca:
ISET
Órgão:
Prefeitura de Conceição do Coité - BA
Prova:
ISET - 2026 - Prefeitura de Conceição do Coité - BA - Agente de Trânsito Municipal |
Q4391455
Português
Texto associado
TEXTO I
Onda de recuperações judiciais acende alerta de crise no
país
Crédito caro aumenta o risco de efeito dominó na economia
O Brasil atravessa um momento que exige atenção. Grandes
empresas recorrem à recuperação judicial ou extrajudicial, o
crédito está mais caro e seletivo, empresários encontram
dificuldades crescentes para financiar suas operações e uma
parcela da população reduz o consumo porque já não consegue
assumir novas prestações. O problema, portanto, deixou de ser
apenas empresarial. Ele começa a atingir toda a cadeia
econômica, e todos nós teríamos (ou temos) de entender isso.
O recente pedido de recuperação judicial das Casas Bahia é
um exemplo emblemático. A companhia chegou à Justiça com
aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à
recuperação judicial, enquanto seu endividamento total se
aproxima de R$ 28 bilhões. O grupo também anunciou o
fechamento de centenas de lojas e a redução de sua estrutura.
Mas o número mais importante talvez não esteja no balanço da
companhia: está na quantidade de empresas que dependem
dela.
Uma grande rede varejista não compra apenas produtos. Ela
movimenta fabricantes, distribuidores, transportadoras,
empresas de tecnologia, prestadores de serviços, proprietários
de imóveis e milhares de trabalhadores. Quando uma
companhia desse porte deixa de pagar ou precisa alongar seus
compromissos, o fornecedor muitas vezes passa a financiar
involuntariamente a crise. Entregou a mercadoria, pagou
empregados, comprou matéria-prima e cumpriu suas
obrigações, mas não recebeu no prazo. Sem caixa ou acesso a
crédito, sua própria sobrevivência passa a ser ameaçada.
O problema das recuperações judiciais
Esse efeito dominó explica por que grandes recuperações
judiciais precisam ser analisadas para além da empresa que
está no processo. O Grupo Gennius, controlador de marcas
como Habib’s e Ragazzo, ingressou em recuperação judicial
com dívida superior a R$ 265 milhões. Do mesmo modo, outros
grupos também fizeram o mesmo, como por exemplo o Grupo
Toky, com dívidas superiores a R$ 1 bilhão; a Marabraz, com
passivo estimado em R$ 140 milhões; a Braskem buscou
reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas; a Oi voltou a enfrentar
situação extrema depois de processos de recuperação que
envolveram dezenas de bilhões de reais.
Não é possível afirmar que todas essas empresas tenham
chegado a essa situação pelas mesmas razões. Contudo,
também não se pode ignorar o ambiente financeiro em que
essas companhias estão operando: juros elevados, crédito
mais caro, maior seletividade dos bancos e consumidores com
menor capacidade de assumir novas dívidas. A taxa Selic,
atualmente em 14% ao ano, não é apenas uma referência
utilizada pelo mercado financeiro. Ela chega à economia real. Para nós, consumidores, representa prestações maiores e
menor capacidade de compra. Esse talvez seja um dos pontos
centrais da questão.
Para uma família de maior renda, juros elevados podem
significar apenas adiar a compra de determinado produto. Para
uma família de menor renda, podem significar simplesmente
não comprar. Um eletrodoméstico ou um eletrônico muitas
vezes só cabem no orçamento porque podem ser parcelados.
Quando o crédito deixa de ser acessível, a demanda diminui.
Os efeitos da crise econômica
Quando o consumidor compra menos, o varejista vende
menos. Vendendo menos, reduz os pedidos à indústria. A
indústria reduz a produção e suas compras de fornecedores. A
transportadora recebe menos pedidos, o prestador de serviços
perde contratos e o trabalhador sente os efeitos na renda e no
emprego. A crise, que começou como financeira, transforma-se
em econômica.
Os números mostram que o problema não está restrito às
grandes companhias. Segundo o monitor RGF-Bizdoc, havia
6.341 empresas em recuperação judicial ao final de junho de
2026. Ou seja, as dificuldades também atingem empresas
menores, que possuem menos capital para absorver uma
queda de faturamento ou um atraso relevante de seus clientes.
O Brasil precisa de estabilidade monetária e controle da
inflação, mas também precisa de crédito para produzir, investir
e consumir. As grandes recuperações judiciais são, portanto,
mais do que processos empresariais. São sinais de que a
engrenagem econômica pode estar perdendo velocidade. Uma
empresa que deixa de investir hoje não recupera
automaticamente esse investimento amanhã. Um fornecedor
que quebra não recupera seus clientes imediatamente. Um
trabalhador que perde o emprego não recompõe sua renda de
um dia para o outro. E uma família que deixa de consumir reduz
a receita de toda uma cadeia produtiva. Quando empresários
perdem, trabalhadores também perdem e a economia retrai.
Todos pagamos a conta!
Fonte: GRAÇA, João Alberto. Onda de recuperações judiciais acende alerta de crise no país.
https://revistaoeste.com/economia/onda-de-recuperacoes-judiciais-acende-alerta-de-crise-no-pais/ (adaptado).
“Sem caixa ou acesso a crédito, sua própria sobrevivência
passa a ser ameaçada.”
No excerto anterior, nota-se em destaque uma preposição utilizada pelo critério da Regência nominal. Adaptando-se esse fragmento a fim de que ele possa receber o sinal indicativo de Crase, a alternativa cuja reescrita se encontra adequada, segundo as regras gramaticais, faz-se presente em:
No excerto anterior, nota-se em destaque uma preposição utilizada pelo critério da Regência nominal. Adaptando-se esse fragmento a fim de que ele possa receber o sinal indicativo de Crase, a alternativa cuja reescrita se encontra adequada, segundo as regras gramaticais, faz-se presente em: