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Q4246933 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
A leitura e a interpretação de um texto não acontecem apenas considerando o que está materializado linguisticamente na superfície textual. Interpretar um texto demanda do leitor conhecimentos prévios, habilidade de fazer inferências, entre outras habilidades.
A partir da leitura do texto como um todo e não apenas de partes pontuais, analise as sentenças a seguir:

I.De acordo com a autora, as mulheres enfrentam barreiras estruturais para ocuparem e permanecerem em espaços de liderança. Essa desigualdade se aprofunda ao considerar aspectos como raça, origem social e política. Nos espaços institucionais de poder, as mulheres são minoria, mesmo representando mais da metade da população brasileira.
II.Nos contextos de liderança, é comum haver dois pesos e duas medidas quando o assunto é o comportamento de quem lidera. A autora constatou que homens que demonstram segurança, decisão e firmeza nas atitudes e palavras são reconhecidos como líderes firmes e preparados; essa mesma postura costuma ser vista como inadequada para líderes mulheres, reconhecidas como arrogantes ou instáveis emocionalmente.
III.Uma das percepções da autora, ao estudar gênero, pobreza e raça, é sobre a noção de pertencimento, especialmente das mulheres negras e em vulnerabilidade social. No geral, a autora constatou que elas não se veem como sujeitos que podem ocupar lugares de influência e de poder.

De acordo com o texto, é correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4246847 Português
Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas abaixo, na mesma ordem, de acordo com a norma-padrão:

- Para _________ chegar a tempo à exposição, vai ser necessário madrugar.
- Para ________, prestigiar tão renomado evento vai ser um prazer.
- Não havia nenhum desacerto entre ________ e ela; só que não deu certo nossa relação.
- Traga para _______ avaliar todos os quadros da sua coleção.
Alternativas
Q4246844 Português
Assinale a alternativa cuja palavra destacada apresenta natureza adverbial, indicando uma circunstância da ação verbal.
Alternativas
Q4246843 Português
"Na festa  ___________ família." muitos entes queridos da família."

Assinale a alternativa em que qualquer uma das duas formas verbais apresentadas preenche corretamente a lacuna do enunciado acima.
Alternativas
Q4246842 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas de acordo com as normas vigentes em Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4246841 Português
Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas a seguir, de acordo com a colocação pronominal prevista pela norma-padrão.

- _________ os lápis que estão na mesa, aos quais _______ durante a nossa conversa.
- Jamais ________ uma desfeita dessa; peço que isso não ___________.
Alternativas
Q4246840 Português

Q8.png (261×196)

TACOLADO. Placa de sinalização pessoas autorizadas. Disponível <https://www.tacolado.com.br/placa-de-sinalizacaopessoas-nao-autorizadas/>.


Assinale a alternativa cuja forma reescrita do texto utilizado na placa acima se encontra totalmente correta.

Alternativas
Q4246839 Português
"Agora, já aos 70 anos, o que eu realmente aprendi foi aquilo que eu não sabia aos 21: não adianta esperar pela resposta quando não se tem a pergunta certa." (Pedro Bandeira)

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta da palavra destacada no período acima.
Alternativas
Q4246838 Português
Q6.png (321×237)
CAZO. Nova onda de calor. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-nova-onda-decalor/>.

A expressão “pra ele poder sair”", empregada na fala da personagem na charge acima, tem o sentido de _____________ e pode ser reescrita como "_____________".

Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas acima, na mesma ordem.
Alternativas
Q4246837 Português
Assinale a alternativa cujo elemento destacado estabelece referência exofórica, isto é, remete a algo que está fora do enunciado.
Alternativas
Q4246836 Português
Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas a seguir, na mesma ordem:

- Tudo aconteceu ____ custa de muito esforçо, graças ____ tentativa de anular ____ decisão da assembleia.
- Pouco _____ pouco, os convidados foram se acostumando ____ luminosidade do local.
- Dirijo-me ____ vocês com um objetivo muito simples: declarar minha adesão ____ causa desse grupo.
Alternativas
Q4246835 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônica da conexão


    Um doido dia resolveu mudar e o dia doido era eu. Tomei uma decisão:

    Eu não quero me conectar. Hoje eu quero um afastamento da tela do celular, da televisão, das redes sociais. Há de haver algum lugar no espaço ao meu alcance onde a conexão seja natural e não dependa de senhas.

    Assim como o sol quando eu olho ao sentir o brilho e percebo o relento. Preciso de uma conexão no meu espaço físico, na quantidade dos livros guardados chorando por mim. Conectar com histórias contadas em verso e prosa que eu abandonei há sete meses, e hoje é o dia do encontro. Ou reencontro, ou muito encanto. A gente precisou muito da conexão no caos diário, mas a gente se esgota. Pira, estranha, chora, e de repente a conexão se fez diferente. 

    Dei um basta. Respirei. Reaprendi a dialogar com as pessoas da minha vida real: filho, marido, cachorro, barulhos brandos, vozes, era nossa vez de escutar nosso cotidiano. E fazer planos, e cantar e sonhar. Nos reconectar e nos sentir vivos.

    Mas voltei para minha conexão virtual de todos os dias. Minha irmă usa apenas mensagem de áudio pra se comunicar. Por causa da minha irmã, minha filha, minha tia, eu me reconecto. Por carinho à causa. Um dia desses em que eu resolvi não olhar notificações, recebi um áudio:

     - Você não usa o telefone?

    Era minha irmã, sentindo minha falta.

    - Você quer falar comigo pelo telefone? Perguntei preocupada.

    - Quero falar com você por aqui mesmo. Pra gente conversar muito.

    Comecei a conversar com ela quatro, cinco vezes pelo WhatsApp navegável. Do jeitinho que ela gosta. É amor. E de amor estamos todos precisando. Em doses cavalares.

    Que restabeleça em mim a importância da conexão. Sem nunca perder a vontade de se desconectar por alguns momentos.


MODESTO, Sandra. Crônica da conexão. Revista Cult. Disponível em <https://revistacult.uol.com.br/home/cronica-daconexao/>.
"Era minha irmã, sentindo minha falta.

- Você quer falar comigo pelo telefone? Perguntei preocupada."

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita correta de parte do trecho acima.
Alternativas
Q4246834 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônica da conexão


    Um doido dia resolveu mudar e o dia doido era eu. Tomei uma decisão:

    Eu não quero me conectar. Hoje eu quero um afastamento da tela do celular, da televisão, das redes sociais. Há de haver algum lugar no espaço ao meu alcance onde a conexão seja natural e não dependa de senhas.

    Assim como o sol quando eu olho ao sentir o brilho e percebo o relento. Preciso de uma conexão no meu espaço físico, na quantidade dos livros guardados chorando por mim. Conectar com histórias contadas em verso e prosa que eu abandonei há sete meses, e hoje é o dia do encontro. Ou reencontro, ou muito encanto. A gente precisou muito da conexão no caos diário, mas a gente se esgota. Pira, estranha, chora, e de repente a conexão se fez diferente. 

    Dei um basta. Respirei. Reaprendi a dialogar com as pessoas da minha vida real: filho, marido, cachorro, barulhos brandos, vozes, era nossa vez de escutar nosso cotidiano. E fazer planos, e cantar e sonhar. Nos reconectar e nos sentir vivos.

    Mas voltei para minha conexão virtual de todos os dias. Minha irmă usa apenas mensagem de áudio pra se comunicar. Por causa da minha irmã, minha filha, minha tia, eu me reconecto. Por carinho à causa. Um dia desses em que eu resolvi não olhar notificações, recebi um áudio:

     - Você não usa o telefone?

    Era minha irmã, sentindo minha falta.

    - Você quer falar comigo pelo telefone? Perguntei preocupada.

    - Quero falar com você por aqui mesmo. Pra gente conversar muito.

    Comecei a conversar com ela quatro, cinco vezes pelo WhatsApp navegável. Do jeitinho que ela gosta. É amor. E de amor estamos todos precisando. Em doses cavalares.

    Que restabeleça em mim a importância da conexão. Sem nunca perder a vontade de se desconectar por alguns momentos.


MODESTO, Sandra. Crônica da conexão. Revista Cult. Disponível em <https://revistacult.uol.com.br/home/cronica-daconexao/>.
"(l) de haver(2) algum lugar no espaço ao meu alcance onde a conexão seja natural e não dependa de senhas."

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta das duas formas verbais identificadas por números no enunciado acima.
Alternativas
Q4246833 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Crônica da conexão


    Um doido dia resolveu mudar e o dia doido era eu. Tomei uma decisão:

    Eu não quero me conectar. Hoje eu quero um afastamento da tela do celular, da televisão, das redes sociais. Há de haver algum lugar no espaço ao meu alcance onde a conexão seja natural e não dependa de senhas.

    Assim como o sol quando eu olho ao sentir o brilho e percebo o relento. Preciso de uma conexão no meu espaço físico, na quantidade dos livros guardados chorando por mim. Conectar com histórias contadas em verso e prosa que eu abandonei há sete meses, e hoje é o dia do encontro. Ou reencontro, ou muito encanto. A gente precisou muito da conexão no caos diário, mas a gente se esgota. Pira, estranha, chora, e de repente a conexão se fez diferente. 

    Dei um basta. Respirei. Reaprendi a dialogar com as pessoas da minha vida real: filho, marido, cachorro, barulhos brandos, vozes, era nossa vez de escutar nosso cotidiano. E fazer planos, e cantar e sonhar. Nos reconectar e nos sentir vivos.

    Mas voltei para minha conexão virtual de todos os dias. Minha irmă usa apenas mensagem de áudio pra se comunicar. Por causa da minha irmã, minha filha, minha tia, eu me reconecto. Por carinho à causa. Um dia desses em que eu resolvi não olhar notificações, recebi um áudio:

     - Você não usa o telefone?

    Era minha irmã, sentindo minha falta.

    - Você quer falar comigo pelo telefone? Perguntei preocupada.

    - Quero falar com você por aqui mesmo. Pra gente conversar muito.

    Comecei a conversar com ela quatro, cinco vezes pelo WhatsApp navegável. Do jeitinho que ela gosta. É amor. E de amor estamos todos precisando. Em doses cavalares.

    Que restabeleça em mim a importância da conexão. Sem nunca perder a vontade de se desconectar por alguns momentos.


MODESTO, Sandra. Crônica da conexão. Revista Cult. Disponível em <https://revistacult.uol.com.br/home/cronica-daconexao/>.
O texto "Crônica da conexão" é apresentado predominantemente na:
Alternativas
Q4246774 Português
O nefasto ditado - “quem sabe faz, quem não sabe ensina” - pode ser ouvido em todas as línguas, sugerindo que o professor é um profissional, digamos, menos capacitado do que os outros, porque se conforma em não produzir conhecimentos para apenas reproduzi-lo. Quantos de nós não despertamos mal disfarçados semblantes de piedade, ao contarmos para a família que resolvemos ser professores? Parece que pensam: coitado, ele ou ela podia ser coisa melhor.
Adaptado de BERNARDO, Gustavo. Conversas com um professor de literatura. São Paulo: Rocco, 2014. p. 85.
No excerto, o autor problematiza uma representação social da docência.
Do ponto de vista da construção linguística e do sentido global do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q4246767 Português
A consciência fonológica consiste na capacidade de focalizar os segmentos sonoros da fala e de refletir sobre eles, identificando, comparando, segmentando e manipulando sílabas, rimas e fonemas. Essa habilidade favorece a apropriação do sistema de escrita alfabética.
Adaptado de SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016.
A concepção sobre consciência fonológica apresentada no texto orienta o professor, no processo de alfabetização, a 
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Q4246747 Português
O objeto individual no interior de uma exposição mostra as mesmas relações e modificações que são próprias ao indivíduo no interior da sociedade: de um lado, rebaixamento por meio do vizinho que possui outras qualidades; de outro, acentuação à custa do mesmo; de um lado, nivelamento e indiferenciação por meio de arredores similares; de outro, a intensificação que o individual e o indivíduo experimentam justo pela acumulação de impressões; de um lado, o indivíduo é apenas elemento de um todo, apenas membro de uma unidade mais elevada; de outro, tem a pretensão de ser ele mesmo um todo e uma unidade. Portanto, as impressões das coisas reunidas num mesmo espaço, com suas forças reciprocamente estimuladas, suas contradições, bem como seu convívio, refletem as relações objetivas dos elementos sociais.
Adaptado de SIMMEL, Georg. Exposição industrial de Berlim. In: Bueno, Arthur. Georg Simmel: o conflito da cultura moderna e outros escritos. São Paulo: Senac, 2013, pp. 75-76.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre o sentido sociológico da analogia utilizada por Georg Simmel.
I. A disposição de cada objeto na exposição sugere o caráter relacional da vida moderna, na medida em que a posição ocupada por cada indivíduo modifica simultaneamente sua singularidade e seu pertencimento ao conjunto social.
II. A singularidade de cada objeto na exposição indica que a individualidade moderna é produzida sobretudo pela incorporação de normas coletivas, que restringem o papel das interações sociais.
III. A reunião dos objetos em uma exposição sugere que a integração dos indivíduos à sociedade de massa reduz as tensões entre eles, à medida que eles passam a integrar uma unidade social.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4246687 Português

Leia o texto a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


No texto, a mudança da preposição “de” para a preposição “com” contribui para a construção do sentido, pois indica que, no contexto da tira,

Alternativas
Q4246686 Português
Texto 3


      Se você diz a alguém que estuda piadas, o primeiro efeito que produz ainda é o riso. É uma pena que seja assim, porque as piadas são de fato um tipo de material altamente interessante. Por várias razões.

     Em primeiro lugar, as piadas são interessantes para os estudiosos porque praticamente só há piadas sobre temas que são socialmente controversos. Assim, sociólogos e antropólogos poderiam ter nelas um excelente corpus para tentar reconhecer (ou confirmar) diversas manifestações culturais e ideológicas, valores arraigados.

     Em segundo lugar, porque piadas operam fortemente com estereótipos. Assim, fornecem um bom material para pesquisas sobre “representações”, por exemplo. Possivelmente, qualquer estudioso tenha o direito de afirmar que tais representações são grosseiras demais para revelarem qualquer fato significativo. Mas estará enganado. De fato, elas revelam que, frequentemente, discursos operam mesmo com representações grosseiras, estereotipadas. E que, portanto, muitas ações sociais são realizadas com esse frágil fundamento – não dar emprego a determinados tipos de pessoas por causa de seu sotaque ou da cor de sua pele ou do seu tamanho, por exemplo.

     Em terceiro lugar, as piadas são interessantes porque são quase sempre veículo de um discurso proibido, subterrâneo, não oficial, que não se manifestaria, talvez, através de outras formas de coletas de dados, como entrevistas. Outra face da mesma característica é que as piadas veiculam discursos não explicitados correntemente (ou, pelo menos, discursos pouco oficiais).


POSSENTI, Sírio. Os humores da língua. Campinas: Mercado de Letras. 1998. p. 25-26.
No período “Em primeiro lugar, as piadas são interessantes para os estudiosos porque praticamente só há piadas sobre temas que são socialmente controversos”, a forma verbal “há” permanece no singular porque o 
Alternativas
Q4246685 Português
Texto 3


      Se você diz a alguém que estuda piadas, o primeiro efeito que produz ainda é o riso. É uma pena que seja assim, porque as piadas são de fato um tipo de material altamente interessante. Por várias razões.

     Em primeiro lugar, as piadas são interessantes para os estudiosos porque praticamente só há piadas sobre temas que são socialmente controversos. Assim, sociólogos e antropólogos poderiam ter nelas um excelente corpus para tentar reconhecer (ou confirmar) diversas manifestações culturais e ideológicas, valores arraigados.

     Em segundo lugar, porque piadas operam fortemente com estereótipos. Assim, fornecem um bom material para pesquisas sobre “representações”, por exemplo. Possivelmente, qualquer estudioso tenha o direito de afirmar que tais representações são grosseiras demais para revelarem qualquer fato significativo. Mas estará enganado. De fato, elas revelam que, frequentemente, discursos operam mesmo com representações grosseiras, estereotipadas. E que, portanto, muitas ações sociais são realizadas com esse frágil fundamento – não dar emprego a determinados tipos de pessoas por causa de seu sotaque ou da cor de sua pele ou do seu tamanho, por exemplo.

     Em terceiro lugar, as piadas são interessantes porque são quase sempre veículo de um discurso proibido, subterrâneo, não oficial, que não se manifestaria, talvez, através de outras formas de coletas de dados, como entrevistas. Outra face da mesma característica é que as piadas veiculam discursos não explicitados correntemente (ou, pelo menos, discursos pouco oficiais).


POSSENTI, Sírio. Os humores da língua. Campinas: Mercado de Letras. 1998. p. 25-26.
Releia este período do texto: “De fato, elas revelam que, frequentemente, discursos operam mesmo com representações grosseiras, estereotipadas.” A palavra “frequentemente”, que ocorre na frase, foi formada pelo processo de 
Alternativas
Respostas
941: E
942: C
943: B
944: E
945: D
946: E
947: D
948: D
949: A
950: A
951: B
952: E
953: C
954: B
955: B
956: C
957: A
958: A
959: D
960: D