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Q3929386 Português
    Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.

Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019. 
Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue os itens a seguir.  

A correção gramatical e os sentidos originais do texto estariam mantidos caso a forma verbal “vinham”, no trecho “Os vizinhos e compadres vinham nos visitar” (terceiro período), fosse substituída por tinham vindo. 
Alternativas
Q3929385 Português
    Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.

Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019. 
Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue os itens a seguir.  

A correção gramatical do texto e seus sentidos originais se manteriam caso a oração “Rumava com seus instrumentos” (sexto período do texto) fosse assim reescrita: Arrumava seu instrumental.  
Alternativas
Q3929384 Português
    Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.

Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019. 
Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue o item a seguir.  

No primeiro período do texto, o trecho “Nos primeiros meses após perder a língua” exerce a função de adjunto adverbial de causa, visto que nele é expressa a razão do sentimento de união que surgiu entre as duas irmãs.  
Alternativas
Q3929383 Português
    Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.

Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019. 

Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue o item a seguir.  


Nesse fragmento de texto, que se caracteriza como narrativo, predomina o emprego de verbos no passado e no futuro do pretérito, sendo o seu propósito comunicativo relatar acontecimentos anteriores ao momento da fala da narradora. 




Alternativas
Q3929382 Português
    Nos primeiros meses após perder a língua fomos tomadas de um sentimento de união que estava embotado com aquele passado de brigas e disputas infantis. No início se instalou uma grande tristeza em nossa casa. Os vizinhos e compadres vinham nos visitar, fazer votos de melhoras. Minha mãe se revezava com as vizinhas, que olhavam os filhos menores enquanto ela cozinhava papas, mingau de cachorro para ajudar na cicatrização, purês de inhame, batata-doce ou aipim. Nosso pai seguia para a roça ao nascer do dia. Rumava com seus instrumentos depois de passar a mão nas nossas cabeças com suas preces sussurradas aos encantados. Quando retomamos as brincadeiras, havíamos esquecido as disputas, agora uma teria que falar pela outra. Uma seria a voz da outra. Deveria se aprimorar a sensibilidade que cercaria aquela convivência a partir de então. Ter a capacidade de ler com mais atenção os olhos e os gestos da irmã. Seríamos iguais. A que emprestaria a voz teria que percorrer com a visão os sinais do corpo da que emudeceu. A que emudeceu teria que ter a capacidade de transmitir com gestos largos e também vibrações mínimas as expressões que gostaria de comunicar.

Itamar Vieira Junior. Torto arado. 1.ª ed. São Paulo: Todavia, 2019. 
Em relação a esse fragmento da obra Torto arado, aos sentidos nele expressos e a aspectos linguísticos nele observados, julgue o item a seguir. 

Infere-se do texto que o sentimento de tristeza que se abateu sobre a família aos poucos foi-se dissipando pelo sentimento de união que passou a aflorar entre as duas irmãs.  
Alternativas
Q3929381 Português
    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérprete da língua brasileira de sinais (LIBRAS) para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva em locais turísticos públicos. A proposta aprovada também prevê a oferta de tecnologias assistivas, como sistemas de alerta visual, legendas em vídeos e aplicativos. 

    O texto amplia o alcance da medida para atender também pessoas com deficiência auditiva, e não apenas surdos, e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva.  

    É importante deixar claro que a oferta de intérpretes da LIBRAS e o uso de recursos de tecnologia assistiva se destinam a atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.


Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 


Os sentidos e a correção gramatical do texto seriam mantidos se o trecho “atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral” (final do texto) fosse reescrito da seguinte forma: atender, além da comunidade surda, a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.  

Alternativas
Q3929380 Português
    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérprete da língua brasileira de sinais (LIBRAS) para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva em locais turísticos públicos. A proposta aprovada também prevê a oferta de tecnologias assistivas, como sistemas de alerta visual, legendas em vídeos e aplicativos. 

    O texto amplia o alcance da medida para atender também pessoas com deficiência auditiva, e não apenas surdos, e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva.  

    É importante deixar claro que a oferta de intérpretes da LIBRAS e o uso de recursos de tecnologia assistiva se destinam a atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.


Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 


O projeto de lei de que trata o texto prevê a obrigatoriedade da existência, em locais turísticos públicos, de intérprete da LIBRAS para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva.  

Alternativas
Q3929379 Português
    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérprete da língua brasileira de sinais (LIBRAS) para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva em locais turísticos públicos. A proposta aprovada também prevê a oferta de tecnologias assistivas, como sistemas de alerta visual, legendas em vídeos e aplicativos. 

    O texto amplia o alcance da medida para atender também pessoas com deficiência auditiva, e não apenas surdos, e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva.  

    É importante deixar claro que a oferta de intérpretes da LIBRAS e o uso de recursos de tecnologia assistiva se destinam a atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.


Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 


No trecho “e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva” (segundo parágrafo), a exclusão da vírgula empregada após a palavra “Cultura” não comprometeria a correção gramatical nem alteraria os sentidos originais do texto. 

Alternativas
Q3929378 Português
    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérprete da língua brasileira de sinais (LIBRAS) para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva em locais turísticos públicos. A proposta aprovada também prevê a oferta de tecnologias assistivas, como sistemas de alerta visual, legendas em vídeos e aplicativos. 

    O texto amplia o alcance da medida para atender também pessoas com deficiência auditiva, e não apenas surdos, e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva.  

    É importante deixar claro que a oferta de intérpretes da LIBRAS e o uso de recursos de tecnologia assistiva se destinam a atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.


Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações). 
Julgue o item seguinte, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 

O emprego do acento gráfico nas palavras “públicos” e “intérprete” justifica-se pela mesma regra de acentuação: todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados.  
Alternativas
Q3929377 Português
    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatória a presença de intérprete da língua brasileira de sinais (LIBRAS) para atuar na comunicação com turistas surdos ou com deficiência auditiva em locais turísticos públicos. A proposta aprovada também prevê a oferta de tecnologias assistivas, como sistemas de alerta visual, legendas em vídeos e aplicativos. 

    O texto amplia o alcance da medida para atender também pessoas com deficiência auditiva, e não apenas surdos, e aproveita a emenda aprovada anteriormente na Comissão de Cultura, que prevê o uso de recursos de tecnologia assistiva.  

    É importante deixar claro que a oferta de intérpretes da LIBRAS e o uso de recursos de tecnologia assistiva se destinam a atender não só a comunidade surda, mas a comunidade mais ampla das pessoas com deficiência auditiva em geral.


Internet: <www.camara.leg.br> (com adaptações). 
Julgue o item seguinte, relativos às ideias e a aspectos linguísticos do texto apresentado. 

De acordo com o texto, o uso de recursos de tecnologia assistiva restringe-se aos turistas da comunidade surda. 
Alternativas
Q3928948 Português
O problema é precisamente que nenhum coração malvado, um fenômeno relativamente raro, é necessário para causar um grande mal. Por isso, em termos kantianos, precisaríamos da filosofia, o exercício da razão como a faculdade do pensamento, para impedir o mal.
Hannah Arendt. Responsabilidade e julgamento. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 232.

A partir do texto precedente, é possível inferir que 
Alternativas
Q3928945 Português
De “portas abertas” a ordens de expulsão em 20 dias. Esta é, em linhas gerais, a mudança que a política migratória de Portugal sofreu no último ano. Em 2 de junho de 2025, o governo anunciou a expulsão de 33.983 pessoas que solicitaram residência no país e cujo pedido lhes foi negado. Do total, 5.368 são brasileiros, que vão receber uma notificação para deixar Portugal.
Internet: < g1.globo.com> (com adaptações).

A partir do texto apresentado, é correto afirmar que 
Alternativas
Q3928942 Português
Cidadezinha qualquer                           Carlos Drummond de Andrade
 Casas entre bananeiras  mulheres entre laranjeiras  pomar amor cantar.  Um homem vai devagar.  Um cachorro vai devagar.  Um burro vai devagar.  Devagar... as janelas olham. 



O poema apresentado remete geograficamente à relação conceitual  
Alternativas
Q3928892 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
Assinale a opção em que o termo (ou expressão) destacado do texto Kuarup é empregado como elemento coesivo de referência ao filme Kuarup, mencionado no início do primeiro parágrafo.
Alternativas
Q3928891 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
Assinale a opção em que, no trecho destacado do texto Kuarup, o emprego de vírgula(s) se justifica por separar elementos de função adverbial, tal como no trecho “Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses” (segundo período do terceiro parágrafo). 
Alternativas
Q3928890 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
No texto Kuarup, a palavra “circo” em “Um circo grande como aquele” (segundo período do terceiro parágrafo), evidencia o emprego  
Alternativas
Q3928889 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
Considerando-se as relações de concordância e as estratégias de coesão adotadas na construção do texto Kuarup, é correto afirmar que a palavra “Acontece” (segundo período do primeiro parágrafo) classifica-se como  
Alternativas
Q3928888 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
Um gênero textual é uma classificação de texto baseada em suas características estruturais, funcionais e sociais. Considerando-se essa definição de gênero textual e as características do texto Kuarup, apresentado anteriormente, é correto enquadrá-lo no gênero 
Alternativas
Q3928887 Português
Kuarup


    As filmagens de Kuarup são mais fiéis ao espírito do livro de Antonio Callado do que o próprio filme. Acontece. Publicado em 1967, Quarup narra, por intermédio da saga de padre Nando, as transformações vividas pelo Brasil desde o suicídio de Getúlio até a ditadura militar. A narrativa acompanha um grupo de brasileiros que se embrenha nos cafundós do Planalto Central para demarcar o centro geográfico do país. Os personagens, cada um à sua maneira, se juntam à expedição por razões idealistas, românticas, éticas e científicas, mas acabam fazendo uma viagem para dentro de si mesmos. O marco geográfico se revela um lugar hostil, habitado por um gigantesco formigueiro de saúvas agressivas. Nós, atores, produtores e técnicos, seríamos submetidos às mesmas pressões de que padeceram os heróis da literatura. Esse era o choque que Ruy Guerra, o diretor, desejava captar.
    Sondada para participar do projeto, sofri frenesis de expectativa: eu tinha 23 anos, em 1998. A vontade de me perder no Brasil profundo por quatro semanas — elas viraram dez —, alojada junto aos povos do Alto Xingu, na pele da personagem Francisca e dirigida por Guerra, ofuscava, em mim, quaisquer outras vontades. Eu me via em Uma aventura na África, abrigada numa barraca militar inglesa, discutindo o roteiro da película à luz do poente.
    Um filme não é apenas um filme: é um filme e mais a logística de dar conta da tropa que o realiza. Um circo grande como aquele, no meio do nada, com duração prevista de três meses, contava com mais de uma centena de voluntários: de peões goianos a intelectuais sensíveis, de cozinheiras do Méier a atrizes burguesas, de japoneses paulistas a lendas vivas da tela grande.
    Viveríamos isolados na mata, com luz racionada, sem privacidade, banheiro ou telefone, a três horas e meia de tecoteco de um aparelho de televisão. Improviso, logística tupiniquim e espírito aventureiro se misturavam para tornar real a visão do diretor.


Fernanda Torres. Sete anos. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 13-14 (com adaptações).  
No texto precedente, Fernanda Torres relata sua experiência como atriz do elenco do filme Kuarup, dirigido por Ruy Guerra e inspirado no romance Quarup, de Antonio Callado. A partir dos argumentos que sustentam a opinião da atriz no relato apresentado, é correto afirmar que, na perspectiva de Fernanda Torres,  
Alternativas
Q3715195 Português
Texto CG2A1


    Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disso” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic. Claro que, para chegar ao papel e à esferográfica, tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc. Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita. Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.

    As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas, as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.

    E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para um texto e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro. Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis, e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia, mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo”.

   E não consigo me lembrar de qual era a ideia de que a frase me faria lembrar. Algo sobre os perigos da autoanálise muito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que, se a ideia não é lembrada, é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.


Luís Fernando Verissimo. Memória e anotações. In: Estadão, 22/9/2011. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações).  
Considerando o texto CG2A1, assinale a opção correta a respeito dos vocábulos “principalmente” (terceiro período do segundo parágrafo), “Normalmente” (terceiro período do terceiro parágrafo) e “exatamente” (quinto período do terceiro parágrafo).
Alternativas
Respostas
501: E
502: E
503: E
504: C
505: C
506: C
507: C
508: E
509: C
510: E
511: B
512: C
513: D
514: E
515: B
516: B
517: A
518: D
519: A
520: C