O texto explica que a integração de países para adquirir GP...

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Q3451630 Português
Contra o monopólio da IA, uma parceria global para aquisição de chips

    Em 1999 um grupo de 34 pesquisadores internacionais se reuniu na Itália, na vila de Bellagio, para discutir o acesso à vacinação. Vacinas eram caras e inacessíveis.
    O grupo teve então uma ideia revolucionária: criar um consórcio de vários países para agregar poder de compra ("procurement") e com isso conseguir preços mais baixos, grandes quantidades e velocidade de entrega. Surgia então o Gavi (Aliança Global para Vacinas e Imunização), que logo teve adesão da ONU e de doadores privados. Hoje, 50% das crianças do planeta são vacinadas por causa da iniciativa. Na Covid, essa aliança teve também um papel crucial.
    Corte para 2024. Um grupo de pesquisadores internacionais se reuniu em Bellagio na semana passada para discutir outro problema: tecnodiversidade. Assegurar que o desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial seja plural e não excludente. Estamos atravessando um intenso processo de concentração. Por causa da IA, a demanda por computação explodiu. Uma IA atual usa 10 bilhões de vezes mais computação do que em 2010. A cada 6 meses esse uso computacional dobra.
    O problema é que o poder computacional usado para a inteligência artificial é hoje controlado por um pequeno grupo de países e empresas. Em outras palavras, toda a "inteligência" do planeta pode ficar nas mãos de um clube exclusivo. Isso pode ser a receita para um desastre epistêmico, colocando em risco linguagens, cosmologias e modos de existir presentes e futuros. Tanta concentração limita a existência de modelos de IA diversos, construídos localmente.
    Em outras palavras, a infraestrutura necessária para a inteligência artificial precisa estar melhor distribuída. Quanto mais países, setores da sociedade e comunidades tiverem a possibilidade de participar do desenvolvimento da IA, inclusive sem fins lucrativos, melhor. Um exemplo: há 10 anos, 60% da pesquisa sobre inteligência artificial era feita pelo setor acadêmico. Hoje esse percentual é próximo de 0%.
    Esse curso precisa mudar. A solução proposta no encontro em Bellagio foi a criação de uma aliança similar ao GAVI, só que para a aquisição dos GPUs (chips) usados para treinar inteligência artificial. Os três pilares para treinar IA são: dados, capital humano e chips. O maior gargalo, de longe, está no acesso aos chips. Para resolver isso, os países podem se reunir para agregar seu poder de compra, integrandose novamente a organizações internacionais e doadores interessados na causa. Tal como nas vacinas, seria possível derrubar os preços dos chips, assegurar sua quantidade e velocidade de entrega.
    Isso permitiria a criação de polos nacionais, regionais e multinacionais para o treinamento de IA, capazes de cultivar diversidades. Por exemplo, uma IA da língua portuguesa, da América Latina e além. Permitiria a construção de infraestruturas acessíveis para a comunidade acadêmica e para outros atores no desenvolvimento da tecnologia. Essa proposta, vocalizada por Nathaniel Heller e refinada pelo grupo de Bellagio, pode ter um impacto profundo no futuro do desenvolvimento tecnológico.
     O Brasil pode ser crucial na formulação dessa aliança. Seja atuando dentro do G20, seja incluindo o tema como parte do excelente Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, publicado na semana passada, que prevê 23 bilhões de investimentos em 4 anos. Pode ser a chance de o país se tornar mais uma vez protagonista na articulação do futuro do desenvolvimento tecnológico.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldole mos/
O texto explica que a integração de países para adquirir GPUs se diferencia da situação atual, porque procura 
Alternativas

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Assunto central da questão: Interpretação de Texto, com ênfase em identificação da ideia principal e compreensão da intenção comunicativa do autor. O foco está na análise temática e semântica do texto, habilidade essencial e frequentemente cobrada em provas de Escriturário.

Comentário da alternativa correta: C) democratizar o acesso à infraestrutura essencial para o desenvolvimento de IA.

O texto argumenta que a criação de uma aliança internacional visa distribuir melhor os recursos essenciais para a inteligência artificial — especialmente os chips (GPUs) — reduzindo a concentração de poder em poucas mãos. Democratizar, segundo a norma-padrão (cf. Bechara, 2001), significa “tornar acessível a todos”. O texto afirma: “Quanto mais países, setores e comunidades participarem do desenvolvimento da IA, melhor”. Ou seja, a intenção é ampliar o acesso, exatamente como apresenta a alternativa C.

Análise das alternativas incorretas:

A) Afirma que o objetivo é centralizar o desenvolvimento, contudo, o texto alerta que a centralização é o problema a ser combatido, propondo a descentralização.

B) Menciona limitar o progresso da IA a grandes corporações, porém o texto denuncia que apenas grandes corporações controlam o setor hoje, e a proposta é justamente incluir outros atores.

D) Sugere manter os preços elevados, enquanto o texto defende unir forças para derrubar os preços dos chips, aumentando o acesso.

E) Aponta para reverter ao cenário acadêmico. O texto cita que, antes, o setor acadêmico era responsável pela maioria das pesquisas, mas não propõe retorno a esse modelo e sim integração ampla.

Estratégia de resolução: Ao interpretar textos em concursos, atente-se a palavras-chave (democratizar, participação, acesso, distribuição) e ao sentido oposto de “centralizar” e “limitar”, ambas palavras presentes somente em alternativas erradas. Atenção também para evitar pegadinhas que distorcem a intenção do texto, como superlativizar ou inverter relações.

Referências: Como ensinam Bechara e Cunha & Cintra, a compreensão textual envolve captar não apenas as ideias explícitas, mas também implicaturas e intenções do autor a partir dos elementos coesivos e do contexto maior.

Portanto, a alternativa C destaca corretamente a proposta do texto, baseando-se na democratização e ampliação de acessos como solução ao problema discutido.

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Comentários

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Acabei acertando a questão mesmo sem precisar ler o texto completo, usando mais raciocínio lógico do que conteúdo direto.

Primeiro, pensei na função das GPUs, que são fundamentais para o desenvolvimento de inteligência artificial. A partir disso, analisei as alternativas eliminando as que não faziam sentido dentro do contexto de avanço tecnológico.

Descartei a letra D, porque manter preços elevados não favorece o progresso — pelo contrário, limita o acesso. A letra E também não parece coerente, já que o cenário atual não indica um retorno ao modelo antigo com protagonismo exclusivo do meio acadêmico. Em seguida, eliminei a letra B, pois restringir o desenvolvimento da IA a grandes corporações vai na contramão da tendência global de expansão tecnológica. A letra A também não se sustenta, porque centralizar ainda mais o desenvolvimento em países desenvolvidos não condiz com a ideia de integração entre países.

Com isso, restou a letra C, que faz mais sentido: democratizar o acesso à infraestrutura essencial para o desenvolvimento de IA. Essa alternativa está alinhada com o movimento atual de ampliar o acesso à tecnologia e impulsionar o avanço global da inteligência artificial.

Ou seja, mesmo sem leitura completa, dá pra chegar na resposta usando lógica, eliminação e uma noção geral de como a tecnologia evolui hoje.

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