De acordo com o texto, assinalar a alternativa CORRETA:
Da calma e do silêncio
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
(Fonte: Conceição Evaristo — adaptado.)
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Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto — o foco é identificar o sentido das ideias do poema e como os pedidos da autora se conectam à experiência poética e à introspecção.
Justificativa da alternativa correta (B):
No poema, a voz poética pede para ser deixada quieta, na aparente inércia, com o propósito de mergulhar em “mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra”. A alternativa B respeita literalmente o conteúdo, pois traduz o desejo de recolhimento, de pausa e introspecção para acessar dimensões internas, possíveis apenas pelo silêncio e profundidade da poesia.
Conforme orienta Evanildo Bechara em “Moderna Gramática Portuguesa”, a interpretação textual exige atenção às palavras-chaves e à relação explícita com as intenções do eu-lírico.
Por que as demais estão incorretas?
A) Afirma que a autora pede para ser despertada. O poema diz exatamente o contrário: “não me despertem”, pois o desejo é permanecer contemplando, em silêncio, a menor sombra do movimento.
C) Diz que a autora evita versejar o âmago das coisas. No texto, porém, mastigar a palavra (refletir, aprofundar) é justamente o caminho para alcançar o âmago das coisas e, assim, versejar com profundidade. Inverte, portanto, o sentido do texto.
D) Afirma que abrandar o passo impede a produção dos versos. O poema mostra que, ao parar, a autora deseja entrar em outros “mundos submersos”. Ou seja, a produção poética está vinculada a essa pausa, e não ao movimento.
Elementos essenciais para interpretar corretamente:
- Prestar atenção às negações e pedidos do eu-lírico (ex: “não me despertem”, “não me apressem”);
- Analisar os objetivos do silêncio e da quietude — sempre relacionados à poesia e à introspecção;
- Distinguir as imagens literais das simbólicas (andar/ficar quieto não se refere só ao corpo, mas ao mergulho na poesia).
Dica de prova: Muito cuidado com pegadinhas que trocam afirmações por negações ou invertem relações de causa e consequência, comuns em questões de interpretação, conforme frisado nos manuais de redação e nas gramáticas de referência.
Conclusão: A alternativa B é correta pois está alinhada à coerência textual e ao sentido explícito do poema.
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Comentários
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Quando a autora menciona:
- "Quando meus pés
- abrandarem na marcha,
- por favor,
- não me forcem.
- Caminhar para quê?
- Deixem-me quedar,
- deixem-me quieta,
- na aparente inércia.
- Nem todo viandante
- anda estradas,
- há mundos submersos,
- que só o silêncio
- da poesia penetra.
Esses versos trazem um sentido de que na caminhada da vida (a autora utiliza o termo "macha" - indicando jornada ou caminhada) há que ter paciência (paradas) para que se faça uma reflexão (uma análise, um estudo, no caso, seria a capacidade poética de análise do vivido ou vivenciamento). Essa ideia se conclui pela construção do fragmento textual "que só o silêncio da poesia penetra".
Portanto, gabarito letra B.
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