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Q1673983 Medicina
Uma paciente de 71 anos de idade está em avaliação pré-operatória para a realização de colectomia esquerda por carcinoma de cólon. Nega qualquer sintoma cardiovascular, mantendo boa capacidade funcional e conseguindo subir dois lances de escada seguidos sem sintomas. Já apresentou acidente vascular encefálico de provável etiologia aterosclerótica há dois anos, sem sequelas motoras após reabilitação; utilizava diariamente AAS 100 mg e atorvastatina 40 mg. O exame físico, o eletrocardiograma, a radiografia de tórax e os exames laboratoriais encontram-se sem alterações séricas. 


Com relação a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. 
O pós-operatório imediato dessa paciente deveria ser realizado com monitorização em semi-intensiva/UTI, independentemente do resultado dos exames complementares adicionais pré - operatórios.
Alternativas

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Tema central: Trata-se de uma questão sobre estratégia perioperatória em paciente com risco cardiovascular elevado submetido a cirurgia não cardíaca. O foco está em indicar o nível adequado de monitorização pós-operatória para pacientes com histórico de doença vascular cerebral, mesmo sem sintomas clínicos atuais.

Justificativa da alternativa correta (“Certo”):
Esta paciente é portadora de doença vascular aterosclerótica documentada (AVE prévio), condição que eleva substancialmente o risco de eventos cardiovasculares e neurológicos no perioperatório — independentemente de sintomas ou exames normais no momento.

Segundo a Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da SBC (2024), em pacientes com antecedentes como AVE ou doença coronariana importante, “o pós-operatório imediato deve ser preferencialmente em unidade semi-intensiva ou UTI, com monitorização contínua, mesmo na ausência de sintomas agudos” (item 8, página 38). O objetivo é o rastreamento precoce e a intervenção rápida em caso de instabilidade hemodinâmica, arritmias ou alterações neurológicas.

Além disso, a colectomia esquerda é cirurgia de risco intermediário a alto, exigindo vigilância aumentada conforme o consenso da ESA e das sociedades norte-americanas. Esse tipo de paciente apresenta risco de eventos até doze vezes maior que a população sem doença vascular estabelecida.

Análise da alternativa incorreta (“Errado”):
Se a alternativa fosse marcada como “Errado”, desconsideraria o elevado risco inerente à condição clínica da paciente. Não basta ausência de sintomas ou exames normais: diretrizes internacionais e nacionais recomendam a individualização baseada em risco global e histórico de doença aterosclerótica. O erro conceitual comum nesta situação é basear a decisão exclusivamente no quadro clínico atual, sem valorar antecedentes graves.

Técnica de prova: Atenção com pegadinhas que sugerem que exames normais ou ausência de sintomas anulam o risco perioperatório em paciente com doença vascular estabelecida. Valorize sempre o histórico patológico pregresso e siga protocolos nacionais e internacionais.

Em resumo: O correto é manter esta paciente sob monitorização em semi-intensiva/UTI no pós-operatório, conforme preconizam as diretrizes, considerando risco cardiovascular aumentado pela história de AVE.

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A afirmação é incorreta. A decisão sobre a necessidade de monitorização em unidade de terapia intensiva ou semi-intensiva no pós-operatório depende de uma série de fatores e não é endossada exclusivamente pela idade ou pela presença de comorbidades. Os critérios para admissão na UTI incluem uma alta probabilidade de deterioração clínica que requer monitoramento contínuo ou intervenção imediata, além de uma alta probabilidade de sobrevivência após a intervenção. Neste caso, a paciente é funcionalmente ativa, sem sintomas cardiovasculares, com um histórico de AVC sem sequelas motoras e com exames pré-operatórios sem alterações. Portanto, a afirmação de que ela deveria ser monitorada em semi-intensiva/UTI após a cirurgia, independentemente do resultado de exames adicionais, é falsa. O manejo pós-operatório deve ser personalizado com base no perfil clínico completo da paciente e nos resultados dos exames pré-operatórios, não apenas na idade ou na presença de certas condições crônicas.

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