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Q2382712 Medicina
Leia o caso a seguir.

Uma gestante, inicia trabalho de parto com 38 semanas e cinco dias e dá à luz no mesmo dia, via parto vaginal. A paciente vem tratando tuberculose na forma pulmonar há 35 dias. Realizou Teste BAAR (escarro), há 3 semanas, que teve como resultado negativo.

Neste caso, a amamentação ao seio deverá ser realizada
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Tema central: Conduta quanto à amamentação quando a mãe tem tuberculose pulmonar no puerpério.

Raciocínio clínico: O risco de transmissão da tuberculose ao RN ocorre principalmente por aerossóis, não pelo leite materno. Mãe em tratamento adequado há ≥ 2 semanas e com BAAR de escarro negativo é considerada não contagiosa. Nessas condições, a amamentação deve ser incentivada sem restrições.

Alternativa correta – B: sem restrições. Compatível com as diretrizes: Ministério da Saúde (Brasil), OMS/WHO e UpToDate recomendam manter aleitamento quando a mãe está em tratamento efetivo por pelo menos 14 dias e não é bacilífera (BAAR negativo), pois não há indicação de separação mãe–filho nem de medidas adicionais além de higiene padrão. O leite materno não transmite TB (exceção: mastite tuberculosa, rara).

Por que as demais estão incorretas?

A – utilizando máscara. Máscara cirúrgica é indicada quando a mãe é potencialmente contagiosa (ex.: BAAR positivo ou < 2 semanas de tratamento). No caso, há 35 dias de terapia e BAAR negativo; máscara não é necessária para amamentar. Diretriz MS/WHO: mãe não infecciosa pode amamentar normalmente.

C – após o recém-nascido iniciar isoniazida. Quimioprofilaxia com isoniazida no RN é indicada quando há contato com caso infeccioso (mãe bacilífera ou tratamento < 2 semanas). Como a mãe é não contagiosa, não se indica INH ao RN. Lembrar: a INH materna passa em quantidades insuficientes no leite para proteger o bebê; se o RN precisasse de profilaxia, seria prescrito diretamente a ele.

D – após realizar a BCG. A BCG é rotineira nos primeiros dias de vida, mas não é pré-condição para iniciar a amamentação. Em exposição a caso infeccioso, pode haver ajuste do momento da BCG conforme protocolo; porém, neste cenário (mãe não contagiosa), amamenta-se imediatamente e a BCG segue a rotina.

Pontos-chave para prova:

  • Dois marcadores de não contagiosidade: ≥ 2 semanas de tratamento efetivo + BAAR (ou teste rápido molecular) negativo/baixa carga.
  • Se contagiosa: manter aleitamento com máscara e higiene, RN com INH; considerar isolamento respiratório temporário conforme serviço.
  • Fármacos antituberculosos e leite: isoniazida e rifampicina são compatíveis com amamentação; pode haver coloração alaranjada do leite (rifampicina), benigna.

Referências rápidas: Ministério da Saúde – Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose; WHO Consolidated TB Guidelines; UpToDate – Tuberculosis in pregnancy and postpartum; SBP – Aleitamento materno em situações especiais.

Gabarito: B – sem restrições.

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Comentários

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A questão aborda o manejo da amamentação em um contexto onde a mãe está sendo tratada para tuberculose pulmonar e já apresentou um teste de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) no escarro negativo. A resposta correta é a alternativa B - "sem restrições". A explicação para essa resposta é que, se a mãe está em tratamento para tuberculose e já apresentou um teste BAAR negativo, ela já não é considerada infecciosa. Isso significa que a transmissão da doença para o recém-nascido através do contato próximo, incluindo a amamentação, é muito improvável. O tratamento para tuberculose com medicamentos eficazes, como a isoniazida, por pelo menos 2 semanas, geralmente é suficiente para reduzir significativamente o risco de transmissão. Além disso, uma vez que o teste BAAR é negativo após 3 semanas de tratamento, isso reforça a eficácia do tratamento e diminui ainda mais qualquer risco de transmissão da mãe para a criança. Portanto, a amamentação pode ocorrer sem restrições, sem a necessidade de uso de máscara (A), início de medicação preventiva no recém-nascido (C) ou após a realização da vacina BCG (D), que é uma medida preventiva geral e não está diretamente relacionada à permissão para amamentar nesse contexto específico.

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