Juliana é feirante e exerce atividade comercial em espaço pú...

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Q3884983 Direito Administrativo
Juliana é feirante e exerce atividade comercial em espaço público cedido pelo Município. Visando atrair mais clientes, promoveu alteração na fachada do espaço utilizado, com intenção de deixá-lo “Instagramável”. Diante desse contexto, é correta a seguinte afirmativa:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Código Civil, art. 103: "O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem." Como Juliana utiliza espaço público municipal por autorização ou permissão de uso, esse título não lhe confere posse plena nem poder de alterar unilateralmente a fachada; a modificação depende de prévia anuência do órgão competente, e é juridicamente compatível que a disciplina municipal exija recolhimento administrativo pelo uso ou pelo ato de controle, o que conduz à alternativa D.

Tema central: Uso privativo de bem público
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque autorização ou permissão de uso não confere posse plena nem poder de usar, fruir e dispor do bem público como se o particular fosse proprietário. O bem continua submetido ao regime jurídico público e à gestão do ente titular. O erro jurídico da alternativa é tratar o título de uso privativo como se transferisse domínio ou quase propriedade.
B
Errada
Está errada porque afirma vedação absoluta a qualquer modificação, independentemente de autorização. Isso contraria o regime do uso privativo de bem público indicado na base, segundo o qual alterações podem ser admitidas mediante anuência prévia do órgão competente e conforme a disciplina local. O erro jurídico é a absolutização da vedação sem ressalva para autorização administrativa.
C
Errada
Está errada porque cria uma dispensa genérica de autorização para 'reparos' sem base normativa fornecida. A base é expressa ao afirmar que, em bem público utilizado por particular, a premissa segura é a necessidade de prévia autorização para alterações, sem liberdade presumida para reparos na fachada. O erro jurídico é introduzir exceção não demonstrada no enunciado nem na base.
D
Certa
A alternativa D reúne os dois pontos juridicamente decisivos da questão: primeiro, a autorização ou permissão de uso de bem público é título administrativo precário e subordinado ao interesse público, sem transferência de domínio ou posse plena ao particular; por isso, Juliana não pode modificar a fachada por conta própria e precisa de prévia autorização do órgão municipal competente. Segundo, há suporte normativo para uso retribuído de bem público, nos termos do Código Civil, art. 103, o que torna compatível, na lógica da questão, a exigência de recolhimento administrativo prevista em disciplina municipal. Como a base ainda alerta que a validade rigorosa da taxa depende de lei local e enquadramento no art. 77 do CTN, a alternativa é correta dentro da premissa implícita adotada pela banca.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre uso privativo de bem público e posse plena: quem recebe autorização ou permissão pode usar o espaço, mas não pode alterá-lo unilateralmente; além disso, a menção à taxa induz erro em quem ignora que o uso de bem público pode ser retribuído conforme disciplina legal.
Dica para questões semelhantes
  • Se o particular usa bem público por autorização ou permissão, parta da premissa de que não houve transferência de domínio nem de posse plena.
  • Diante de reforma, fachada ou modificação em bem público, procure a necessidade de anuência prévia da Administração, salvo exceção expressa na base.
  • Quando a alternativa mencionar cobrança pelo uso de bem público, confronte com o Código Civil, art. 103: o uso pode ser gratuito ou retribuído, conforme disciplina legal do ente administrador.

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Comentários

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quero saber qual é a diferença da questão C e D, por favor

O uso de bem público por particular (feirante em espaço público) ocorre por autorização ou permissão de uso, que são: precárias; discricionárias; não transferem posse plena nem propriedade. Portanto, o particular não pode alterar o bem livremente.

Qualquer modificação (especialmente fachada) depende de: autorização prévia do Município; observância do Código de Posturas e normas urbanísticas; eventual taxa administrativa.

A) Errada → não há posse plena nem direito de disposição do bem público.

B) Errada → não há vedação absoluta; alterações são possíveis com autorização.

C) Errada → até alterações/reparos podem exigir autorização, não só estruturais.

A alternativa correta é a letra D.

✔ D) Juliana somente poderia promover alterações na fachada mediante prévia autorização do órgão municipal competente e recolhimento da taxa administrativa.

Justificativa: Quem utiliza um bem público por meio de autorização, permissão ou concessão de uso não adquire a posse plena nem pode modificar livremente o imóvel. Alterações na fachada ou na estrutura dependem da anuência prévia da Administração Pública, observando as normas do Código de Posturas municipal e, quando previsto na legislação local, do recolhimento da taxa correspondente.

Por que as demais estão erradas?

A) Errada. Autorização ou permissão de uso não confere posse plena nem o direito de dispor do bem público.

B) Errada. Não há vedação absoluta; alterações podem ser permitidas mediante autorização.

C) Errada. Embora pareça plausível, a questão exige a regra completa prevista no Código de Posturas: autorização prévia e recolhimento da taxa administrativa, tornando a letra D a mais correta.

Gabarito: ✅ D.

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