Caso: Paciente de 62 anos, sexo masculino, com diagnóstico...
Considerando o diagnóstico de EAP nesse paciente, assinale a afirmativa CORRETA.
Gabarito comentado
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Tema central: Edema agudo de pulmão (EAP) cardiogênico em paciente com miocardiopatia (Chagas). Há aumento abrupto da pressão capilar pulmonar, extravasamento de líquido para alvéolos, hipoxemia e trabalho respiratório elevado.
Alternativa correta: A — Na evolução gasométrica do EAP, o padrão inicial costuma ser hipoxemia com hipocapnia (alcalose respiratória) pela taquipneia. Hipercapnia tende a ocorrer quando há fadiga muscular ou hipoventilação significativa, marcando gravidade e pior prognóstico. Esse comportamento é descrito em Harrison’s, UpToDate e nas diretrizes ESC/AHA para insuficiência cardíaca aguda.
Por que as demais estão incorretas?
B: A radiografia de tórax tem alto valor no EAP cardiogênico. Achados típicos surgem precocemente: coração aumentado, opacidades alveolares perihilares em “asa de borboleta”, linhas de Kerley B e possíveis derramas pleurais. Dizer que é “sem alterações significativas” e de “baixo valor” contraria prática e diretrizes (ESC 2021/2023, AHA/ACC/HFSA 2022).
C: O ecocardiograma à beira do leito (POCUS) é fundamental no manejo agudo: diferencia causa cardiogênica vs não cardiogênica, avalia função ventricular, valvopatias agudas, derrame pericárdico, câmaras direitas e VCI (congestão). Orienta conduta (diurético, vasodilatador, necessidade de suporte inotrópico). Diretrizes recomendam seu uso precoce.
D: Troponinas podem elevar-se no EAP sem SCA por lesão miocárdica não isquêmica (estresse de parede, hipoxemia, taquiarritmias, “supply–demand mismatch”). São marcadores prognósticos, não exclusivos de SCA. Elevação dinâmica com quadro isquêmico e alterações no ECG é que sugere SCA.
E: BNP/NT-proBNP se elevam em qualquer disfunção cardíaca com aumento de pressão/volume, sendo úteis para diferenciar dispneia de origem cardíaca vs pulmonar e para estratificar risco. Não são específicos de SCA. Sofrem influência de idade, função renal, fibrilação atrial (↑) e obesidade (↓).
Diagnóstico na prática: Quadro clínico típico (dispneia súbita, estertores difusos, escarro rosado), gasometria com hipoxemia (hipercapnia tardia), RX de tórax com sinais de congestão, POCUS confirmando disfunção cardíaca e biomarcadores (BNP elevados; troponina para estratificação e pesquisa de SCA conforme clínica/ECG).
Estratégia de prova: Identifique a “pegadinha” da hipercapnia tardia; lembre que RX e eco são úteis na fase aguda; troponina e BNP não são exclusivos de SCA.
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Acute cardiogenic pulmonary edema); Diretrizes ESC 2021/2023 e AHA/ACC/HFSA 2022 para insuficiência cardíaca.
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