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Q3081086 Medicina

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Joana, 29 anos, grávida de 22 semanas, foi diagnosticada com toxoplasmose após exames de rotina indicarem sorologia positiva para IgM e IgG. Ela relatou contato frequente com gatos e consumo de carne mal cozida. A toxoplasmose é uma zoonose comum e relevante, especialmente perigosa para imunocomprometidos e gestantes, pois a infecção pode causar danos graves ao feto, como malformações e problemas neurológicos. O ciclo biológico do Toxoplasma gondii envolve hospedeiros intermediários e definitivos, como humanos e animais. Com base na gravidade da infecção, Joana foi orientada a iniciar o tratamento e a adotar medidas preventivas, como a higienização adequada dos alimentos.


Toxoplasmose | Colunistas - Sanarmed

Tendo o fragmento de texto acima como referência e considerando a amplitude do tema que ele aborda, julgue o item subsequente:


A toxoplasmose é considerada incurável, com cistos do parasita persistindo nos tecidos do hospedeiro mesmo após o tratamento.

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C — Certo

Tema central: Toxoplasmose por Toxoplasma gondii e sua característica de persistência tecidual. O parasita apresenta duas formas principais: taquizoítos (fase aguda, rapidamente replicativa) e bradizoítos (em cistos teciduais, fase latente). As drogas disponíveis eliminam taquizoítos, mas não erradicam cistos.

Justificativa da alternativa correta (C): Após o tratamento da fase aguda, permanecem cistos nos tecidos (cérebro, retina, músculo) por toda a vida, sem fármaco comprovadamente capaz de destruí-los de forma consistente. Por isso, a infecção é considerada “incurável” no sentido de não haver esterilização parasitológica, embora o quadro clínico fique controlado e assintomático em imunocompetentes. Em imunossuprimidos, esses cistos podem reativar (encefalite toxoplásmica, coriorretinite). Essa visão é respaldada por Harrison’s Principles of Internal Medicine, UpToDate e CDC.

Análise da alternativa incorreta (E – errado): Dizer que é “errado” implicaria que o tratamento erradica o parasita, o que contraria a evidência. Esquemas como pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico (ou espiramicina na gestação sem confirmação fetal) controlam a replicação, mas não eliminam bradizoítos nos cistos. Assim, negar a persistência seria conceitualmente incorreto.

Diagnóstico e armadilhas de prova (relevante na gestação):

  • IgM e IgG positivos: requerem avidez de IgG para datar a infecção. Avidez baixa sugere infecção recente; alta indica infecção antiga.
  • PCR no líquido amniótico (após 18 semanas e pelo menos 4 semanas após infecção materna) confirma infecção fetal.

Tratamento na gestação (diretrizes MS/UpToDate):

  • Suspeita/infecção materna aguda sem evidência de infecção fetal: Espiramicina para reduzir transmissão placentária.
  • Infecção fetal confirmada (PCR+) ou forte suspeita após 18–20 semanas: pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico (evitar pirimetamina no 1º trimestre).

Esses esquemas não erradicam cistos, reforçando o caráter “incurável” no sentido parasitológico.

Dicas para a prova: Quando o enunciado mencionar “persistência de cistos” ou “latência”, pense em controle clínico versus cura parasitológica. A pegadinha é confundir “incurável” com ausência de tratamento eficaz. Há tratamento e prevenção de complicações, mas sem esterilização do parasita.

Referências essenciais: Harrison’s; UpToDate (Toxoplasma gondii infection); CDC Toxoplasmosis; Ministério da Saúde – Protocolo de atenção à toxoplasmose gestacional e congênita.

Conclusão: A afirmação é certa porque os cistos persistem mesmo após tratamento, caracterizando infecção latente de longo prazo.

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