Considere o trecho:Todas as empresas que ofertam serviços de...
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
A revolução tecnológica do século XXI modificou toda a configuração da economia global, provocando uma verdadeira ruptura nas relações trabalhistas até então vigentes. Um dos setores da economia que melhor representa essa revolução e seu impacto nas relações de trabalho é o de serviços de transporte de passageiros e de entrega de bens de consumо.
Junto a essa radical transformação tecnológica, levando em conta a grande oferta de mão de obra disponível, escancarou-se uma controversa realidade social: a relação de trabalho estabelecida entre motoristas e entregadores e as empresas que operam por meio de plataformas digitais.
Desde o início das atividades das empresas de transporte e entrega por aplicativos no Brasil, os trabalhadores cadastrados em suas plataformas foram contratados como microempreendedores individuais (MEl) ou como autônomos.
Nesse contexto, o questionamento a ser feito é se esses motoristas e entregadores são ou não são, na realidade, empregados. Como empregados, se enquadrariam em uma das modalidades contratuais previstas na CLT. Já como não empregados, ou autônomos, a CLT não se aplicaria e, consequentemente, os direitos trabalhistas celetistas não seriam a eles devidos. O questionamento colocado é a razão da controvérsia atual que domina o campo trabalhista e que envolve diversos atores sociais e instituições públicas ligadas ao trabalho.
A relação de emprego, assim como a relação de trabalho autônomo, são espécies do género relação de trabalho. Para a caracterização da relação de emprego devem estar presentes, de forma cumulativa, os requisitos constantes dos arts. 2º e 3º da CLT, quais sejam: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação.
A subordinação é o elemento decisivo para a afirmação da existência, ou não, da relação de emprego, como também é o elemento principal de diferenciação entre a relação de emprego e as diversas modalidades de trabalho autônomo. Logo, pode-se dizer que a contraposição à subordinação é a autonomia. E é exatamente sobre o elemento subordinação que reside a controvérsía ora analisada.
Todas as empresas que ofertam serviços de transporte ou entrega por aplicativos afirmam inexistir entre elas e os trabalhadores cadastrados em suas plataformas qualquer tipo de subordinação. Pelo contrário, afirmam que há autonomia e independência desses trabalhadores na prestação dos serviços, já que esses profissionais têm total liberdade para se conectarem ou não ao aplicativo, podendo escolher o horário de trabalho, e para aceitarem ou recusarem o direcionamento (chamado/oferta) de serviços.
Na Justiça do Trabalho são inúmeras as ações individuais de motoristas e entregadores pleiteando o reconhecimento do vínculo empregatício com as empresas para as quais prestam e/ou prestaram serviços por meio de aplicativos. Ora é reconhecida a relação de emprego, configurando-se a existência de subordinação, ora tal relação não é reconhecida.
(Adaptado de: NEIVA, Rafael Brisque)
Considere o trecho:
Todas as empresas que ofertam serviços de transporte ou entrega por aplicativos afirmam inexistir entre elas e os trabalhadores cadastrados em suas plataformas qualquer tipo de subordinação.
Sem prejuízo para a correção e para as relações de sentido estabelecidas na frase, o termo sublinhado pode ser substituído por:
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Tema central: A questão aborda sintaxe e semântica no uso de formas verbais e orações subordinadas como mecanismos de coesão. O objetivo é substituir corretamente o termo “inexistir” sem prejuízo do sentido e da estrutura da frase, mantendo a norma-padrão.
Comentário sobre a alternativa correta (D – “que inexiste”):
No contexto do trecho, temos: “afirmam inexistir entre elas e os trabalhadores qualquer tipo de subordinação.” O verbo “inexistir” está empregado como oração subordinada reduzida de infinitivo. A substituição por “que inexiste” transforma essa redução em uma oração plena, mantendo o mesmo tempo verbal (presente), concordância e sentido.
Exemplo comparativo:
“Afirmam existir problema.” → “Afirmam que existe problema.”
“Afirmam inexistir subordinação.” → “Afirmam que inexiste subordinação.”
Conforme Bechara (2009), as orações subordinadas reduzidas podem ser facilmente desenvolvidas em suas formas plenas, desde que haja correspondência verbal e coerência.
Análise das alternativas incorretas:
A) cuja inexistência – “Cuja” exige referência de posse a um termo anterior (por ex.: “algo cuja inexistência se observa”). Aqui, o termo não possui esse sentido de posse direta, tornando a frase incoerente.
B) na inexistência e C) à inexistência – Ambas mudam a função sintática, criando locuções adverbiais que alteram o foco da frase original e quebram a estrutura verbal exigida pelo verbo “afirmam”.
E) que inexistiam – Altera o tempo verbal para o pretérito imperfeito, desrespeitando a concordância da frase, que pede um verbo no presente, como no original.
Dicas de prova: Ao reescrever orações reduzidas, atente-se à coesão, ao tempo verbal e à relação sintática. Pegadinhas podem estar na troca de tempos ou de funções sintáticas (pronome relativo × oração explicativa).
Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra; Manual de Redação da PR.
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Comentários
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Faltou o termo sublinhado. Acredito que seja “inexistir”.
prova do inicio do ano agora que estão disponibilizando aqui.
Termo sublinhado: Inexistir
a pessoa ainda tem que adivinhar qual o termo sublinhado...
GABARITO LETRA D
A frase ficaria assim: "Todas as empresas que ofertam serviços de transporte ou entrega por aplicativos afirmam QUE INEXISTE QUALQUER TIPO DE SUBORDINAÇÃO entre elas e os trabalhadores cadastrados em suas plataformas".
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