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Q4071440 Saúde Pública
Em 1998, a Lei Federal nº 9.637 criou as Organizações Sociais de Saúde (OSS) sob o argumento principal da desburocratização e da redução de custos, baseadas no tripé canônico da administração: eficácia, eficiência e efetividade.
Sobre Privatização e Participação das Organizações Sociais, analise as afirmativas abaixo:

I. Ximenes (2015), ao pesquisar sobre as OSS em Pernambuco, afirma que as OS camuflam a privatização dos serviços públicos. Para ele, as OSS, ao se apropriarem de recursos do fundo público, aceleraram o processo de privatização do SUS e expandiram ainda mais essa nova modalidade de parceria com o setor privado.

II. A transferência da gestão pública para entidades não governamentais pautou-se nas diretrizes do New Public Management (NPM - Nova Gestão Pública), sendo a principal e mais influente teoria de modernização do aparelho estatal contemporâneo. O NPM é o dispositivo para reduzir o peso de um Estado abrangente como o Estado de Bem-Estar Social e orientou a Reforma do Estado brasileiro nos anos 1990.

III. No campo jurídico, a Lei de Responsabilidade Fiscal é lembrada como a norma que mais contribuiu para a expansão dos novos modelos de gestão, pois ela impõe limites à geração de despesas com pessoal. Então, os gestores utilizam a estratagema de “terceirizar a contratação de pessoal para que na contabilidade passe a constar a prestação de serviços, ao invés de gasto com folha de pagamento”.


Assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era reconhecer que o enunciado adota uma leitura crítica das OSS e da reforma gerencial dos anos 1990, em que I, II e III aparecem como afirmações compatíveis com essa bibliografia.

Tema central: OSS e reforma gerencial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque as três assertivas são compatíveis com o marco legal e com a literatura técnico-acadêmica crítica sobre OSS, reforma gerencial/NGP e os efeitos da LRF na adoção de vínculos terceirizados. A I corresponde à interpretação de que as OSS camuflam a privatização dos serviços públicos e ampliam a participação do setor privado no SUS. A II está alinhada à vinculação da transferência da gestão pública à Nova Gestão Pública e à reforma do Estado brasileiro nos anos 1990. A III também se sustenta na literatura que aponta a LRF como fator associado à expansão de modelos terceirizados e de contratação indireta.
B
Errada
Está errada porque mantém apenas a I e exclui II e III. A II tem lastro na literatura sobre reforma do Estado e Nova Gestão Pública nos anos 1990, e a III corresponde à leitura recorrente de que os limites da LRF sobre pessoal estimularam terceirização e modelos de gestão indireta.
C
Errada
Está errada porque supõe que uma das três assertivas deve ser invalidada. Pela base adotada, não há incompatibilidade técnica suficiente para derrubar isoladamente I, II ou III; todas são compatíveis com a literatura e com o contexto da reforma estatal.
D
Errada
Está errada porque afirma que todas estão incorretas, o que contraria diretamente a base normativa e bibliográfica considerada: a Lei nº 9.637/1998 insere as OS no contexto da publicização, a reforma gerencial é vinculada à NGP, e a literatura crítica associa OSS e LRF à expansão de terceirização/privatização.
E
Errada
Está errada porque preserva apenas a III e elimina I e II. A I é compatível com a produção crítica sobre OSS como mecanismo de privatização do SUS, e a II é sustentada pela literatura sobre a Nova Gestão Pública e a reforma do aparelho do Estado brasileiro.
Pegadinha da questão
A confusão real era tratar como falsas as assertivas I e III por exigirem consenso absoluto ou definição legal neutra. A questão cobrava reconhecimento de posições efetivamente sustentadas na literatura crítica sobre OSS, reforma gerencial e efeitos da LRF, não unanimidade doutrinária nem leitura exclusivamente legalista.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a assertiva menciona autor, corrente ou literatura crítica, o teste não é consenso jurídico, mas compatibilidade com posições reconhecidas nesse campo.
  • Em temas de OSS, conecte três planos: marco legal de 1998, reforma gerencial/NGP dos anos 1990 e debate crítico sobre privatização/terceirização no SUS.
  • Se a alternativa nega assertivas que têm lastro bibliográfico convergente, ela cai mesmo que exista debate sobre intensidade, alcance ou causalidade.
  • Em afirmações sobre LRF e terceirização, diferencie: a base sustenta que a LRF é apontada como indutora frequente, não que seja causa única ou incontroversa.

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