Joilson possui autorização para uso da estrutura de uma lan...

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Q3408927 Direito Administrativo
Joilson possui autorização para uso da estrutura de uma lanchonete construída em uma das praças públicas da cidade. Ocorre que a Administração revogou sua autorização, alegando que a mesma se tornou incompatível com a destinação do bem público. Todavia, na semana seguinte, Joilson constatou que o espaço estava sendo explorado por outro particular. Investigando, descobriu que a Administração Pública concedeu ao particular autorização para utilização do espaço pelo prazo de 5 (cinco) anos.
Com base no caso hipotético, sobre atos administrativos, analise as alternativas e assinale a opção CORRETA:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A continuidade do mesmo uso por terceiro contradiz o motivo declarado de incompatibilidade com a destinação do bem; à luz do art. 2º, parágrafo único, alínea d, da Lei nº 4.717/1965, a inexistência do motivo torna inválida a revogação, como afirma a alternativa E.

Tema central: Teoria dos motivos determinantes
Análise das alternativas
A
Errada
A caracterização da autorização como unilateral, discricionária e precária está correta, mas a consequência é errada. Essas características não dispensam a veracidade do motivo declarado. Pela teoria dos motivos determinantes, a falsidade desse motivo constitui vício de legalidade e invalida a revogação.
B
Errada
A autorização de uso, na configuração apresentada, é discricionária, e não vinculada. A vedação à atuação discriminatória não transforma essa competência em vinculada. O erro do ato revogatório está no motivo falso, não na suposta natureza vinculada da autorização.
C
Errada
A revogação pode ser realizada pela própria Administração por razões de conveniência ou oportunidade, sem exigir irregularidade ou ordem judicial, conforme a Súmula 473 do STF. A ilegalidade fundamenta anulação, não revogação. No caso, o impedimento jurídico é a falsidade da justificativa apresentada.
D
Errada
Há dois erros: a revisão dos próprios atos decorre da autotutela, e não da tutela; além disso, inconveniência ou inoportunidade fundamentam revogação, enquanto ilegalidade fundamenta anulação. Essa distinção está expressa no entendimento da Súmula 473 do STF.
E
Certa
A alternativa E identifica um vício de legalidade na revogação, não uma simples discordância quanto ao mérito administrativo. A Lei nº 4.717/1965, art. 2º, alínea d, e parágrafo único, alínea d, prevê a invalidade por inexistência dos motivos e define esse vício. Complementando essa base normativa, o STJ, no MS 13.948/DF, reconhece que a validade dos atos vinculados e discricionários depende da veracidade dos motivos declarados. Assim, embora a autorização seja discricionária e precária, sua revogação não pode apoiar-se em justificativa falsa. O ato diretamente viciado é a revogação da autorização de Joilson.
Pegadinha da questão
Confundir a precariedade da autorização com liberdade para revogá-la mediante motivo falso. O controle da veracidade do motivo é controle de legalidade, não substituição do mérito administrativo. A alternativa D também troca autotutela por tutela e anulação por revogação.
Dica para questões semelhantes
  • Mesmo em ato discricionário, confronte o motivo declarado com os fatos: motivo inexistente ou inverídico compromete a validade do ato.
  • Separe os fundamentos do desfazimento: ilegalidade leva à anulação; conveniência ou oportunidade levam à revogação.
  • Identifique qual ato está viciado: aqui, a revogação, e não necessariamente a autorização originária ou a concedida ao terceiro.
  • Não trate o prazo de cinco anos como decisivo: a conclusão decorre da contradição entre o motivo alegado e a continuidade do uso.

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Comentários

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GAB.: LETRA E

A – Errada >> Embora a autorização seja discricionária e precária, se o motivo alegado for falso, o ato é nulo por vício no motivo.

B – Errada >> A autorização não é ato vinculado; é ato discricionário e precário.

C – Errada >> Não precisava ordem judicial nem irregularidade para revogar, pois a autorização é precária (não e definitiva).

D – Errada >> O poder de tutela (ou autotutela) permite anular atos ilegais e revogar atos inoportunos, mas no caso a Administração não anulou, e sim revogou com motivação falsa, o que gera nulidade.

E – Correta >> É exatamente o que ocorreu: a Administração alegou um motivo falso (incompatibilidade), e pela Teoria dos Motivos Determinantes, o ato torna-se nulo.

Pra quem achar o termo "PRECÁRIO" estranho, segue a definição:

Precário, no Direito Administrativo, significa aquilo que não é definitivo, que pode ser modificado, revogado ou retirado a qualquer tempo pela Administração, sem gerar direito adquirido ao beneficiário.

Bons estudos!!

Apenas uma observação na letra D: o princípio da TUTELA não é a mesma coisa que AUTOTUTELA. Embora ambos se refiram ao controle da administração pública, eles possuem naturezas distintas. 

A tutela é o controle exercido pela administração pública sobre outras entidades administrativas, enquanto a autotutela é o controle que a administração exerce sobre seus próprios atos.

Atos negociais: são aqueles que conferem direitos ou autorizações ao particular, como licenças, permissões e concessões; 

A teoria dos motivos determinantes: A motivação é obrigatória nos atos vinculados e é a regra nos atos discricinários. Contudo, caso a Administração Pública motive um ato, ficará vinculada aos motivos alegados.

PPES <-> PE

Ato precário = pode ser revogado, tem data de validade, poder ser modificado.

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