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Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2026 - TJ-SC - Médico |
Q4150885 Medicina

Homem de 59 anos, natural do Rio de Janeiro, compareceu para check-up.


É hipertenso (10 anos) e diabético (6 anos), em uso de losartana100 mg/dia, anlodipino 5 mg/dia e metformina 2 g/dia. Refererotina estressante, sedentarismo e tabagismo ocasional (5cigarros/dia e charutos no final de semana). Nega eventoscardiovasculares prévios.


Ao exame físico: IMC = 31 kg/m²; PA = 146/92 mmHg; fundo deolho com estreitamento arteriolar e cruzamentos patológicos.


Exames laboratoriais: LDL-c = 118 mg/dL; HDL-c = 34 mg/dL;Triglicerídeos = 240 mg/dL; HbA1c = 7,6%; Creatinina = 1,1 mg/dL;albuminúria em amostra isolada = 45 mg/g de creatinina.


Nesse cenário, para a prevenção de desfechos ateroscleróticos, deacordo com as diretrizes vigentes, assinale a opção que indica aestratégia terapêutica e as metas recomendadas.

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Paciente com diabetes, albuminúria de 45 mg/g, hipertensão, tabagismo, obesidade e achados vasculares ao fundo de olho enquadra-se como de risco cardiovascular muito alto nas diretrizes brasileiras citadas; nesse estrato, as metas são LDL-c < 50 mg/dL e colesterol não-HDL < 80 mg/dL, com indicação de estatina de alta potência, e o LDL basal de 118 mg/dL favorece a associação com ezetimiba para atingir a meta.

Tema central: Risco cardiovascular no diabetes
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque subestima o risco cardiovascular. Estatina de moderada intensidade e metas de LDL-c < 100 mg/dL e não-HDL < 130 mg/dL não correspondem ao estrato de muito alto risco descrito na base. A presença de diabetes com albuminúria > 30 mg/g e múltiplos fatores de risco exige tratamento mais intensivo e metas mais baixas.
B
Errada
Está errada porque, embora acerte a necessidade de estatina de alta intensidade, erra as metas. LDL-c < 70 mg/dL e não-HDL < 100 mg/dL são metas menos rigorosas do que as recomendadas pela diretriz brasileira adotada para muito alto risco, que exige LDL-c < 50 mg/dL e não-HDL < 80 mg/dL.
C
Certa
A alternativa C é a única que combina corretamente os dois pontos decisivos da questão: a estratificação do paciente como de muito alto risco no contexto do diabetes e as metas lipídicas correspondentes nas diretrizes brasileiras usadas pela banca. O enunciado traz albuminúria de 45 mg/g, hipertensão não controlada, tabagismo, obesidade, HDL baixo, hipertrigliceridemia e lesão vascular em órgão-alvo ao fundo de olho, o que afasta uma prevenção primária de risco comum e exige redução intensiva de lipoproteínas aterogênicas. Nesse cenário, as metas corretas são LDL-c < 50 mg/dL e não-HDL-c < 80 mg/dL. Além disso, com LDL inicial de 118 mg/dL, a associação da ezetimiba à estatina de alta intensidade é coerente com a necessidade prática de atingir meta muito baixa, já que a ezetimiba acrescenta redução adicional ao efeito da estatina.
D
Errada
Está errada porque triglicerídeos de 240 mg/dL não fazem do fibrato a estratégia principal para prevenção de desfechos ateroscleróticos neste cenário. Esse valor não configura indicação primária de fibrato por risco de pancreatite. O alvo prioritário continua sendo a redução intensiva de LDL-c e colesterol não-HDL com estatina potente, podendo associar ezetimiba para alcançar a meta.
E
Errada
Está errada porque posterga inadequadamente uma terapia que já está indicada. Em diabético de muito alto risco, a indicação de estatina de alta potência não depende de esperar 3 meses apenas com mudança de estilo de vida, nem do fato de o LDL estar abaixo de 130 mg/dL. A base explicita que não se recomenda aguardar nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre ausência de evento cardiovascular prévio e risco apenas moderado. Aqui, mesmo em prevenção primária, a albuminúria e os múltiplos fatores agravantes colocam o paciente em muito alto risco, o que muda tanto a intensidade do tratamento quanto as metas de LDL-c e não-HDL-c.
Dica para questões semelhantes
  • Em diabetes, não estratifique risco apenas pela ausência de infarto ou AVC prévios; procure albuminúria, lesão de órgão-alvo e fatores agravantes associados.
  • Se a prova adota diretrizes brasileiras de muito alto risco, memorize o par de metas: LDL-c < 50 mg/dL e não-HDL-c < 80 mg/dL.
  • Triglicerídeos moderadamente elevados não deslocam o foco principal da prevenção aterosclerótica: primeiro otimiza-se LDL-c e não-HDL-c.
  • Quando a meta de LDL é muito baixa e o valor basal está distante dela, terapia combinada com ezetimiba pode ser a alternativa esperada pela banca.

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