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Ano: 2026 Banca: FCC Órgão: TJ-CE Prova: FCC - 2026 - TJ-CE - Oficial de Justiça |
Q4240009 Direito Administrativo
No que se refere à improbidade administrativa e à aplicação das disposições da Lei nº 8.429/1992, atualizada pela Lei nº 14.230/2021,
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O art. 1º, § 2º, da Lei nº 8.429/1992 define dolo como “a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11 desta Lei”, e o art. 11, § 1º, exige “o fim de obter proveito ou benefício indevido”. Esse requisito finalístico sustenta a alternativa E, que trata o dolo específico como elemento subjetivo do ato de improbidade.

Tema central: Dolo na improbidade administrativa
Análise das alternativas
A
Errada
O art. 2º, caput, da Lei nº 8.429/1992 inclui quem exerce função pública “ainda que transitoriamente ou sem remuneração”. Logo, estabilidade, remuneração e vínculo exclusivamente efetivo ou eletivo não são requisitos do conceito legal de agente público. A alternativa restringe indevidamente os sujeitos abrangidos pela lei.
B
Errada
O art. 11, caput, da Lei nº 8.429/1992 exige que a violação seja “caracterizada por uma das seguintes condutas:”. Após a reforma, o rol é taxativo, conforme o entendimento do STJ indicado na base: exige-se enquadramento em uma das condutas tipificadas, não bastando ofensa genérica a princípios administrativos. É incorreta, portanto, a afirmação de que o rol seria meramente exemplificativo.
C
Errada
A Constituição Federal, art. 15, caput, determina: “É vedada a cassação de direitos políticos”. Para os atos de improbidade que importam enriquecimento ilícito, o art. 12, I, da Lei nº 8.429/1992 prevê suspensão dos direitos políticos, e não cassação. A troca da espécie de sanção torna a alternativa incorreta.
D
Errada
Segundo o STF, nas ADIs 7.042 e 7.043, julgadas pelo Tribunal Pleno em 31/08/2022, a legitimidade para propor ação de improbidade é concorrente e disjuntiva do Ministério Público e das pessoas jurídicas interessadas. O cidadão não foi incluído entre os legitimados. A faculdade de representar para apuração, prevista no art. 14 da Lei nº 8.429/1992, não equivale à legitimidade para ajuizar a ação.
E
Certa
A alternativa E é correta ao apontar a exigência de dolo específico, expressão que funciona como qualificação interpretativa do requisito legal, mas não é literalmente empregada pelo art. 1º, § 2º. A reforma excluiu a modalidade culposa.
Pegadinha da questão
A questão distingue vontade de praticar a conduta de dolo dirigido ao resultado ilícito. Nas demais alternativas, explora a manutenção indevida do antigo caráter exemplificativo do art. 11, a troca de suspensão por cassação dos direitos políticos e a confusão entre representar para apuração e ajuizar a ação de improbidade.
Dica para questões semelhantes
  • No regime reformado, verifique o direcionamento ao resultado ilícito e a finalidade de benefício indevido; culpa ou mera voluntariedade não bastam.
  • Nos atos contra princípios, exija enquadramento em conduta tipificada no art. 11, e não apenas alegação de violação genérica.
  • Diferencie suspensão dos direitos políticos, prevista como sanção, de cassação, constitucionalmente vedada.
  • Separe legitimidade para ajuizar a ação de improbidade da faculdade de representar para apuração: esta não torna o cidadão autor legitimado.

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Comentários

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A - ERRADO — O conceito de agente público é amplo e inclui quem exerce função pública ainda que temporariamente ou sem remuneração, conforme o art. 2º da Lei nº 8.429/1992.

B - ERRADO — O rol do art. 11 da Lei de Improbidade é taxativo, e não exemplificativo.

C - ERRADO — A sanção prevista é de suspensão dos direitos políticos, e não cassação, conforme o art. 12 da Lei nº 8.429/1992.

D - ERRADO — O cidadão não tem legitimidade para propor ação de improbidade. A legitimidade é do Ministério Público e da pessoa jurídica interessada.

E - CORRETO — Após a Lei nº 14.230/2021, a improbidade administrativa exige dolo, não sendo suficiente culpa ou mera ilegalidade.

Acrescentando - Principais Mudanças do STF na Lei de Improbidade Administrativa - ADIs 7.156 e 7.236, consoante as minhas anotações:

  1. Exigência de dolo (fim da improbidade culposa) - SEM dolo, sem improbidade! Cuidado: Isso NÃO exclui a responsabilidade Civil, Disciplinar ou perante o Tribunal de Contas.
  2. Interpretação do §8º do art. 1º (divergência interpretativa) - Ela protege a DIVERGÊNCIA LEGÍTIMA/SÉRIA/DEFENSÁVEL/REAL, mas NÃO PROTEGE DOLO, FRAUDE ou ERRO GROSSEIRO.
  3. Manutenção do rol taxativo do art. 11. NECESSIDADE de violação específica, não basta a genérica.
  4. Responsabilidade de sócios e diretores (inconstitucionalidade do termo "benefícios diretos") - Benefício pessoal direto NÃO é INDISPENSÁVEL - Necessária prova individualizada de participação, NÃO HÁ responsabilidade automática pela mera posição societária. Prova INDIVIDUALIZADA dolosa basta.
  5. Art. 12. §4° - Extensão da proibição de contratar com o poder público - a proibição de contratar pode alcançar todas as esferas do poder público, conforme a decisão judicial.
  6. Art. 12. §1° - Limitações afastadas - interpretação conforme a constituição - A perda PODE alcançar outros vínculos, assim, a preservação exige fundamentação individualizada.
  7. Art. 12. §10° - Dispositivo INCONSTITUCIONAL. FIM DA DETRAÇÃO - Assim, a SUSPENSÃO será cumprida integralmente após o trânsito em julgado - NÃO SE desconta período em que a sanção não estava sendo cumprida.
  8. Art. 16. §§ 3°, 4° e 10° - Restrições foram afastadas + interpretação conforme - NÃO se exige sempre prova concreta de dilapidação patrimonial. Admite-se a tutela de evidência diante de elementos probatórios fortes. Pode abranger dano ao erário e enriquecimento ilícito. Multa civil NÃO é automática.
  9. Regra afastada = vinculação do magistrado à capitulação jurídica indicada pelo autor. Assim, o juiz está vinculado aos fatos narrados e ao contraditório, MAS pode dar o enquadramento jurídico correto nos arts. 9°, 10° e 11°.
  10. Art. 17°, §19°, II - Sem inversão do ônus da prova - + pode determinar apresentação de documentos.
  11. Art. 17-B, §3° - Regra AFASTADA = Manifestação prévia obrigatória do Tribunal de Contas para apuração do dano. Assim, pareceres e cálculos do TC podem ser utilizados como prova, + sem constituir etapa indispensável.
  12. Art. 17-C, §2° - As sanções devem ser individualizadas, e o ressarcimento pode ser solidário.
  13. Art. 17-D = NATUREZA DA AÇÃO: Civil, Repressiva e Sancionatória. Todavia, Não é substituta genérica da ACP.
  14. Art. 23-C = A aplicação da lei dos partidos políticos NÃO exclui a LIA.

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Improbidade Administrativa Exige o Dolo Subjetivo e específico!

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