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Q2302304 Português

A Jesus Cristo crucificado, estando o poeta para morrer


Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,

Em cuja Fé protesto de viver;

Em cuja Santa Lei hei de morrer,

Amoroso, constante, firme e inteiro:


Neste transe, por ser o derradeiro,

Pois vejo a minha vida anoitecer;

É, meu Jesus, a hora de se ver

A brandura de um Pai, manso Cordeiro.


Mui grande é vosso Amor, e o meu delito:

Porém, pode ter fim todo o pecar;

Mas não o vosso Amor, que é Infinito.


Esta razão me obriga a confiar

Que por mais que pequei, neste conflito,

Espero em vosso Amor de me salvar.


(Fonte: Gregório de Matos – adaptado.)

Com relação ao poema de Gregório de Matos, assinalar a alternativa CORRETA:
Alternativas

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Gabarito comentado:

Tema central: Interpretação de texto, com foco em análise literária e reconhecimento das características do Barroco.

O poema de Gregório de Matos apresenta, de forma clara, os dois grandes eixos da estética barroca: o contraste (antítese) entre o pecador e a infinita misericórdia divina, e a dupla confiança e angústia do eu lírico diante da morte.

Alternativa correta: B

“Há o contraste entre a intensidade dos pecados cometidos e a amorosidade da figura divina, característica marcante da estética barroca.”

Esta alternativa está correta porque o núcleo barroco é a oposição (segundo Cunha & Cintra: “tensões entre opostos, como pecado e perdão, mundo material e espiritual”). No poema, isso está explícito: “Mui grande é vosso Amor, e o meu delito”; “pode ter fim todo o pecar; mas não o vosso Amor, que é Infinito”. O próprio Bechara reforça que antítese e paradoxo valorizam a dualidade barroca.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. Não há certeza de não ser perdoado; pelo contrário, o eu lírico expressa esperança na salvação (“Espero em vosso Amor de me salvar”). Atenção à armadilha de inverter o sentimento do sujeito lírico!

C) Errada. Não há visão sentimentalista ou ingênua — o texto traz análise racional-dialética, refletindo sobre pecado e redenção, o que é próprio do Barroco, não do sentimentalismo ingênuo.

D) Errada. Não é verdade que o eu lírico não vê motivo lógico para ser perdoado; ele baseia sua esperança no Amor Infinito de Jesus — um fundamento lógico dentro do contexto religioso.

Destaque da estratégia: Sempre identifique, em poemas barrocos, oposições ou antíteses. Palavras como “pecado” versus “Amor infinito” são centrais e geralmente apontam a resposta correta.

Referência normativa: Cunha & Cintra; Bechara;
Resumo da regra: O Barroco é caracterizado pelo contraste, dualidade e tensão entre polos opostos.

Conclusão: A alternativa B sintetiza corretamente a essência do texto e a estética do Barroco.

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Comentários

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Gabarito B. poema lindo de Gregório de Matos!

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