A disfagia deriva das palavras gregas dis (que significa “di...
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Tema central: Disfagia orofaríngea é dificuldade para iniciar a deglutição, com engasgos, tosse, regurgitação nasal e risco de aspiração. Envolve alterações estruturais (faringe) ou neuromusculares (pares cranianos IX, X, XII e bulbo). Diferencia-se da disfagia esofágica, que ocorre após a deglutição com sensação de “alimento parado”.
Estratégia de prova: nas alternativas em pares, ambos os itens devem ser causas típicas de disfagia orofaríngea. Se um não for, a alternativa é a “exceto”.
Alternativa correta: A — Botulismo e síndrome antifosfolípide (SAF).
• Botulismo: toxina botulínica bloqueia liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, gerando paresias cranianas (ptose, diplopia, disfagia). É causa clássica de disfagia orofaríngea (Harrison; UpToDate).
• SAF: é estado trombofílico (tromboses arteriais/venosas, perdas gestacionais). Não é causa primária de disfagia orofaríngea. Pode levar a AVE isquêmico, e este sim cursa com disfagia; porém o diagnóstico diferencial é o AVC, não a SAF em si. Por isso, o par não contém dois diagnósticos diferenciais típicos e é o “exceto”.
Análise das demais alternativas
B) Doença de Huntington e sarcoidose:
• Huntington: doença neurodegenerativa com disfunção de coordenação da deglutição e aspiração frequente — causa neurológica reconhecida de disfagia orofaríngea.
• Sarcoidose: pode acometer pares cranianos (IX e X) e tronco encefálico (neurosarcoidose), produzindo disfagia. Ambas válidas.
C) Divertículo de Zenker e difteria:
• Zenker: divertículo hipofaríngeo, típico de disfagia orofaríngea com regurgitação de alimentos não digeridos, halitose e aspiração.
• Difteria: além de pseudomembranas, pode causar neuropatia com paralisia palatina e disfagia. Ambas corretas.
D) Anticolinérgicos e tirotoxicose:
• Anticolinérgicos: reduzem salivação e comprometem a fase oral/orofaríngea; fármacos são causas comuns de disfagia funcional (sedativos, relaxantes, anticolinérgicos).
• Tirotoxicose: miopatia tireotóxica pode envolver musculatura bulbar, gerando disfagia; embora menos comum, é reconhecida.
Pegadinha: confundir condição predisponente (SAF) com o evento neurológico que causa a disfagia (AVC). Em provas, privilegie etiologias diretas orofaríngeas.
Diagnóstico na prática: história dirigida (engasgos ao iniciar, voz “molhada”), exame neurológico e de pares cranianos. Exames: videodeglutograma (padrão-ouro funcional) e FEES (endoscopia da deglutição). Endoscopia digestiva alta é útil para descartar causas esofágicas quando indicado. (UpToDate; Harrison)
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Evaluation of oropharyngeal dysphagia in adults.
Gabarito: A
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