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Q2400403 Medicina
Luiza, 38 anos, comparece ao departamento de emergência devido a quadro de dor há 3 dias, de localização epigástrica, visceral, episódica, noturna, que é acompanhada de náuseas e vômitos pós alimentares e que irradia para hipocôndrio direito. Ao exame, paciente apresenta febre baixa, regular estado geral, interrupção brusca da inspiração profunda enquanto se palpa o hipocôndrio direito. PA 130/80, FC 100bpm e FR 20irpm.

Sobre o caso em questão, assinale a alternativa correta que cita o diagnóstico mais provável e o exame que auxiliaria tal hipótese, respectivamente.
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Tema central: dor biliar com sinais inflamatórios, compatível com colecistite aguda. A “interrupção brusca da inspiração à palpação do hipocôndrio direito” é o sinal de Murphy, altamente sugestivo de inflamação da vesícula biliar.

Alternativa correta: Colecistite – USG de abdome superior. A ultrassonografia é o exame de primeira linha: identifica cálculo, espessamento da parede (>3 mm), líquido perivesicular, dilatação de vias biliares e o Murphy ultrassonográfico. As Tokyo Guidelines 2018/2022 recomendam US como método inicial para confirmar critério “C” (imagem) após sinais locais (dor/Murphy) e sistêmicos (febre/taquicardia). Fontes: UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Como interpretar o enunciado: dor epigástrica que irradia para hipocôndrio direito, piora pós-prandial e noturna, associada a náuseas/vômitos e Murphy positivo + febre baixa = quadro biliar inflamado (cólica biliar que evoluiu para colecistite).

Por que as demais estão incorretas?

A) Pancreatite – FA e GGT: pancreatite típica cursa com dor epigástrica em “barra” irradiando para dorso, e o exame laboratorial-chave é amilase/lipase, não FA/GGT (que são marcadores de colestase). Além disso, o Murphy aponta vesícula, não pâncreas.

B) Colangite – amilase e lipase: colangite aguda se apresenta com tríade de Charcot (dor HD + febre + icterícia) e exige avaliação de bilirrubina, FA e GGT. O par amilase/lipase é de pancreatite, logo está trocado. O caso não descreve icterícia nem toxemia importante.

C) Apendicite – TC de abdome superior: apendicite migra para FID, não HD. A TC adequada é de abdome total (abdome e pelve), e não “superior”. Sinal de Murphy não ocorre na apendicite.

Achados e exames úteis na colecistite: leucocitose e PCR elevados (quando presentes), USG com os sinais descritos. Se US for inconclusiva e alta suspeita, considerar cintilografia biliar (HIDA) para avaliar obstrução do ducto cístico (Tokyo Guidelines).

Conduta (para fixar): analgesia, antibiótico contra Gram-negativos e anaeróbios (ex.: ceftriaxone + metronidazol) e colecistectomia laparoscópica precoce quando possível (recomendação TG18/TG22; UpToDate).

Pegadinhas de prova: dor epigástrica pode confundir com pancreatite; porém Murphy positivo e piora pós-prandial favorecem vesícula. Note também as associações laboratoriais trocadas nas alternativas A e B.

Referências: Tokyo Guidelines 2018/2022 (TG18/TG22); UpToDate: Acute calculous cholecystitis; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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O quadro clínico apresentado por Luiza é altamente sugestivo de colecistite, que é a inflamação da vesícula biliar. A dor epigástrica que irradia para o hipocôndrio direito, episódica e noturna, associada com náuseas e vômitos pós alimentares, é típica do comprometimento da vesícula. Ademais, a paciente apresenta febre baixa e dor à palpação do hipocôndrio direito, com interrupção brusca da inspiração profunda durante a palpação, que é conhecido como sinal de Murphy, um indicativo clássico de colecistite. A ultrassonografia (USG) de abdome superior é o exame de imagem de primeira linha para a confirmação do diagnóstico de colecistite, por ser não invasivo, de fácil acesso e ter a capacidade de visualizar cálculos biliares e a espessura da parede da vesícula biliar, que podem estar associados à inflamação. Portanto, a alternativa correta é a letra D - Colecistite – USG de abdome superior, pois, baseado no quadro clínico e exame físico da paciente, essa é a hipótese diagnóstica mais provável e a ultrassonografia seria o exame mais adequado para auxiliar na confirmação do diagnóstico.

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