Certo homem com 55 anos de idade sofreu um acidente de moto...

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Q3876790 Medicina
Certo homem com 55 anos de idade sofreu um acidente de moto contra anteparo fixo e chegou ao hospital transportado pelo SAMU. Em decorrência do acidente, apresentava lesão cortocontusa no dorso do pé direito, de 5 cm, com sangramento irregular e bordas laceradas. Na avaliação inicial, verificou-se vias aéreas pérvias, uso de colar cervical e em prancha rígida, expansibilidade torácica simétrica, SatO2 98%, ausência de sangramentos ativos, pelve estável e escala de coma de Glasgow 15. Realizou radiografia, que evidenciou fratura simples em 3.º metatarso direito.
A partir das informações fornecidas no caso clínico hipotético precedente, assinale a opção que apresenta corretamente a classificação de Gustilo e Anderson, modificada para fraturas expostas, e a conduta adequada ao caso, respectivamente. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A ferida cortocontusa de 5 cm sobre o dorso do pé, associada à fratura do 3.º metatarso, configura fratura exposta; como ferida > 1 cm sem extensa lesão de partes moles, esmagamento, perda de cobertura, contaminação importante ou lesão vascular, a classificação é Gustilo-Anderson tipo II, e a profilaxia inicial indicada é cefazolina EV.

Tema central: Fratura exposta tipo II
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta reconhece dois pontos obrigatórios do caso. Primeiro, a ferida traumática sobre o segmento fraturado deve ser tratada como comunicação com o foco de fratura, portanto é fratura exposta. Segundo, pela classificação de Gustilo-Anderson modificada, ferida maior que 1 cm sem destruição extensa de partes moles corresponde a tipo II. Como o enunciado descreve 5 cm de extensão, bordas laceradas e não descreve sinais de gravidade local do tipo III, a graduação correta é tipo II. No manejo inicial, fraturas expostas tipos I e II têm indicação de antibioticoprofilaxia precoce com cefazolina intravenosa.
B
Errada
A conduta antimicrobiana está compatível com fratura exposta de menor gravidade, mas a classificação está errada. Gustilo I exige ferida tipicamente menor que 1 cm e baixo dano de partes moles. Aqui a ferida mede 5 cm, o que exclui tipo I.
C
Errada
O erro central é classificar como tipo III sem base no enunciado. Tipo III exige extensa lesão de partes moles, esmagamento, perda de cobertura, contaminação importante ou comprometimento vascular. Nada disso foi descrito. Mecanismo de alta energia e bordas laceradas, isoladamente, não bastam para enquadrar como tipo III.
D
Errada
Erra na classificação e na conduta. A ferida de 5 cm não se encaixa em tipo I. Além disso, fratura exposta tem indicação de antibiótico precoce; a ausência de sangramento ativo ou a estabilidade clínica geral não retiram essa necessidade.
E
Errada
A classificação tipo II é a que melhor corresponde ao caso, mas a conduta está errada porque fratura exposta requer antibioticoprofilaxia inicial. Omitir antimicrobiano contraria o manejo inicial da fratura exposta.
Pegadinha da questão
A banca mistura dados da avaliação primária do trauma com a decisão ortopédica local. O que resolve a questão não é a estabilidade geral nem o RX mostrar fratura simples, mas sim o tamanho da ferida e a ausência de critérios de gravidade de partes moles do tipo III.
Dica para questões semelhantes
  • Em fratura com ferida traumática no mesmo segmento, assuma fratura exposta na prova salvo descrição contrária.
  • Para diferenciar Gustilo I de II, o tamanho da ferida é decisivo: < 1 cm sugere I; > 1 cm sem dano extenso sugere II.
  • Não classifique como tipo III só pelo mecanismo de alta energia; procure extensa lesão de partes moles, perda de cobertura, contaminação importante ou lesão vascular.
  • Se a fratura exposta for tipo I ou II, a profilaxia inicial cobrada classicamente é cefazolina EV.

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