Paciente de 52 anos de idade, previamente hígida, queixa-se...

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Q3876774 Medicina
Paciente de 52 anos de idade, previamente hígida, queixa-se, em consulta de emergência, de dor precordial há três horas. Relata que a dor é contínua, em queimação, com irradiação para o ombro esquerdo e que piora à inspiração profunda e ao decúbito. Nega tabagismo e etilismo. Ao exame físico, mostra-se ansiosa, pálida, sudoreica, mas hemodinamicamente normal, sem outras alterações significativas. O eletrocardiograma demonstra alterações inespecíficas da repolarização ventricular, sendo a troponina ultrassensível de 35 ng/L (valor de referência <14 ng/L). A coronariografia revela artérias coronárias sem estenoses significativas (<30%).
Segundo a Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência de 2025, o exame que trará mais subsídios para a determinação da etiologia nesse caso é 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Segundo a Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência de 2025, a ressonância magnética cardíaca deve ser considerada na investigação diagnóstica de MINOCA e é classe I na suspeita de miocardite; por isso, neste enunciado, ela é o exame indicado para esclarecer a etiologia.

Tema central: MINOCA e RMC
Análise das alternativas
A
Certa
A ressonância magnética cardíaca com realce tardio é a alternativa correta porque, após troponina positiva e coronariografia sem estenose significativa, o objetivo deixa de ser apenas excluir obstrução coronária e passa a ser caracterizar a lesão miocárdica. A diretriz de 2025 destaca sua superioridade para identificar padrões de realce tardio não coronariano, alterações em T1/T2 e possível envolvimento pericárdico, o que permite diferenciar infarto não obstrutivo, miocardite/miopericardite e Takotsubo.
B
Errada
D-dímero não resolve a pergunta etiológica deste caso. É um marcador inespecífico usado para exclusão de tromboembolismo em cenários selecionados, mas não caracteriza miocárdio nem pericárdio e não diferencia MINOCA de miocardite/miopericardite. Mesmo com dor pleurítica, ele não é o exame de maior rendimento após troponina elevada e coronariografia sem obstrução significativa.
C
Errada
A angiotomografia para descarte triplo é exame anatômico útil no diferencial inicial de dor torácica em casos selecionados, investigando coronárias, aorta e artérias pulmonares. Aqui, porém, a coronariografia já mostrou coronárias sem estenose significativa, e a pergunta é qual exame mais esclarece a causa da lesão miocárdica. Nessa etapa, ela é inferior à RMC porque não oferece a mesma caracterização tecidual.
D
Errada
A cintilografia miocárdica com sestamibi avalia perfusão/isquemia, mas este não é o problema central após a demonstração de coronárias não obstrutivas. O ponto decisivo é distinguir infarto não obstrutivo de miocardite, miopericardite ou Takotsubo, e a cintilografia não tem o mesmo rendimento etiológico da RMC para esse objetivo.
E
Errada
O PET cardíaco pode ter utilidade em contextos específicos, mas a base informa que ele não é o exame padrão de primeira escolha nem o mais respaldado pela diretriz para esclarecimento etiológico imediato desse quadro na emergência. Portanto, não supera a RMC no cenário de troponina elevada com coronárias sem obstrução significativa.
Pegadinha da questão
A banca mistura dor com componente pleurítico/posicional com troponina elevada e coronárias sem obstrução para induzir erro por exame de triagem inicial ou por teste de perfusão; o ponto real é que, após angiografia sem lesão significativa, o exame decisivo passa a ser o de caracterização etiológica do miocárdio.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver troponina elevada e coronárias sem obstrução significativa, mude o raciocínio de DAC obstrutiva para definição da causa da injúria miocárdica.
  • Quando a pergunta for etiológica em cenário de MINOCA ou suspeita de miocardite/miopericardite, priorize exame de caracterização tecidual, não exame inespecífico ou apenas de perfusão.
  • Dor que piora à inspiração e ao decúbito sugere componente pericárdico, mas a troponina elevada exige investigação de acometimento miocárdico associado.
  • Não trate coronariografia sem estenose importante como encerramento diagnóstico quando há lesão miocárdica documentada.

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