No final da década de 1970, o movimento operário brasileiro ...

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Q40324 História e Geografia de Estados e Municípios
No final da década de 1970, o movimento operário brasileiro ressurgiu com toda a sua força nas greves dos metalúrgicos do ABC Paulista. Os metalúrgicos do ABC, sob a liderança de Luiz Inácio da Silva (...), desmistificaram a ideia de ausência de conflitos que os militares se esforçavam por creditar à sociedade brasileira. Realizando imensas assembleias e greves prolongadas, os metalúrgicos do ABC estimularam a organização de outras categorias. Em 1979, mais de 3 milhões de trabalhadores entraram em greve no país. As reivindicações eram amplas: reposição do valor dos salários (...), reconhecimento das organizações sindicais autênticas e o retorno à normalidade democrática.

(Nicolina L. de Petta e Eduardo A. B. Ojeda. História: uma abordagem integrada. São Paulo: Moderna, 2003, p. 287)

A partir do texto, assinale a alternativa que identifica uma contradição revelada pela luta sindical dos trabalhadores do ABC.
Alternativas

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Alternativa correta: D - O governo militar foi o responsável pelo crescimento das fábricas de automóveis, onde se formou uma classe operária combativa, em grande parte responsável pelo fim do militarismo.

1. Tema central da questão:

A questão aborda a contradição histórica revelada pelo movimento sindical dos trabalhadores do ABC Paulista ao final dos anos 1970, período marcado pela modernização industrial promovida pelo regime militar (1964-1985) e pelo crescimento das greves operárias que desafiaram a repressão política.

2. Resumo teórico:

Durante o regime militar, o Brasil experimentou forte industrialização, especialmente no setor automobilístico do ABC Paulista. Contudo, apesar da repressão política e sindical, emergiu uma classe operária organizada, capaz de liderar grandes greves. Essas mobilizações expuseram as tensões sociais e contribuíram para a redemocratização do país (Fontes: Fausto, Boris. História do Brasil; Skidmore, Thomas E. Brasil: de Getúlio a Castelo).

3. Justificativa da alternativa correta (D):

A contradição principal está no fato de que a modernização impulsionada pelo governo militar — ao criar grandes polos industriais — também originou uma classe trabalhadora combativa que ajudou, por meio de greves e mobilização sindical, a pôr fim ao próprio regime militar. Ou seja, a base do desenvolvimento econômico acabou alimentando a força de contestação política.

4. Análise das alternativas incorretas:

A - Confunde causa e consequência. O desenvolvimento econômico não foi responsável direto pela repressão, mas sim o contexto autoritário do regime militar.

B - Cai em imprecisão histórica. Não houve pleno emprego e o foco não era a restrição da luta dos terceirizados, pois a terceirização nem era ainda central no período.

C - Errada quanto à dinâmica social. A modernização, na verdade, favoreceu o surgimento de uma classe operária atuante, e não o contrário.

E - Generaliza demais. A reorganização sindical ocorreu, mas a repressão não “incentivou” esse processo, e sim tentou contê-lo.

5. Dica de interpretação:

Fique atento a palavras que indicam contradições históricas e evite alternativas que apresentam relações simplistas de causa e efeito. Busque compreender como ações do Estado podem ter efeitos não intencionais.

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