No texto "Viajar com casal de amigos", de Fabrício Carpinej...

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Q3106497 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Viajar com casal de amigos


Eu não viajo com outros casais. É minha regra inviolável de turismo. Há grandes chances de causarem incômodo.


Sempre que viajei com par de amigos, eles brigaram e boicotaram o luxo das minhas férias.


Decidi ser egoísta. O que você economiza no rateio de gasolina e divisão de gastos será pulverizado pelos prejuízos na saúde emocional.


Estou com Beatriz em uma praia paradisíaca, ansioso para me deitar numa cadeira em frente ao mar, e precisamos, de repente, intervir como escudo contra ofensas. Perdemos uma diária astronômica do hotel com aborrecimentos alheios.


Não há como abandoná-los enquanto nos divertimos. Existe um senso de solidariedade de equipe, já que viemos juntos.


Os arrulhos dos pombinhos na ida se transformam em crocitos de urubus durante a hospedagem.


O que deveria ser leve, com drinks e mergulhos, vira martírio. Eu falo com o marido litigante, Beatriz com a esposa emburrada, e ainda precisamos juntar versões e atuar como cupidos. É como liberar dois reféns confinados nas almas dos próprios sequestradores.


Não há maior chatice do que insistir para que perdoem os desentendimentos. Em vez de resolverem em privado, fazem questão de espalhar o ódio.


Ao encontrar plateia, demoram mais para resolver. Tiram proveito da nossa atenção para lavar roupas sujas e revisitar crises do passado.


O café da manhã costuma ser o palco preferido das dissidências. Chegamos animados, e um deles não responde, não diz nada. É o sinal da tempestade de nervos que estragará a temporada.


Não me arrisco mais. Esse erro não cometemos. Beatriz e eu jamais discutimos em viagem. Sabemos o quanto nossa paz é cara.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/11/1/viajarcom-casal-de-amigos



No texto "Viajar com casal de amigos", de Fabrício Carpinejar, observa-se o uso de recursos estilísticos que contribuem para o tom reflexivo e bem-humorado da narrativa. Considere o seguinte trecho:

"Não há maior chatice do que insistir para que perdoem os desentendimentos. Em vez de resolverem em privado, fazem questão de espalhar o ódio."
Sobre os recursos estilísticos empregados no trecho, analise as afirmativas abaixo e assinale V (verdadeiro) ou F (falso):

(__)O uso da expressão "não há maior chatice" confere ao texto um tom hiperbólico, reforçando a visão pessoal e enfática do autor.
(__)A organização das orações no trecho apresenta uma oposição explícita, marcada pelo conector "em vez de", criando contraste e reforçando a crítica do autor.
(__)A escolha de termos como "espalhar o ódio" e "chatice" reflete o emprego de um vocabulário formal, adequado para textos com tom predominantemente sério.

Assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas

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Comentário do Gabarito

Tema central: A questão aborda interpretação de texto literário e o reconhecimento de recursos estilísticos: uso de figuras de linguagem (hipérbole), conectores de oposição e análise do nível de linguagem (formalidade).

Justificativa da alternativa correta: A) V − V − F

Primeira afirmativa – Verdadeira: O trecho “não há maior chatice do que insistir para que perdoem os desentendimentos” é uma hipérbole. Segundo Evanildo Bechara, hipérbole é o exagero intencional para realçar uma ideia. Aqui, esse exagero fortalece a opinião do autor sobre o incômodo causado pelos conflitos, conferindo um tom pessoal e enfático.

Segunda afirmativa – Verdadeira: O conector “em vez de” indica explicitamente oposição entre "resolverem em privado" e "fazem questão de espalhar o ódio", reforçando a crítica do autor sobre o comportamento dos amigos viajantes. Trata-se, portanto, de um elemento de contraste claro, conforme aponta Cunha & Cintra ao tratarem de relações de sentido entre orações.

Terceira afirmativa – Falsa: As expressões "espalhar o ódio" e "chatice" pertencem ao nível informal da linguagem. Elas são coloquiais, próprias de textos com tom descontraído e menos solene, o que se alinha ao estilo irônico e bem-humorado do texto de Carpinejar. A linguagem formal, pelo contrário, exigiria termos mais neutros ou menos afetivos.

Análise das alternativas incorretas:

- B e C: Erradas, pois consideram a terceira afirmativa verdadeira, o que não se sustenta pela análise do vocabulário empregado.
- D: Errada, pois considera o conector de oposição ("em vez de") como não explícito, contrariando a clara marca linguística do texto.

Estratégia para questões semelhantes: Fique atento aos conectores (“em vez de”, “mas”, “porém”), à identificação de figuras de linguagem e ao nível de formalidade. Expressões enfáticas geralmente revelam hipérboles, e linguagem marcadamente emocional costuma ser informal.

Referências: Bechara, Cunha & Cintra, Manual de Redação da Presidência.

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Comentários

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A

No trecho “Não há maior chatice do que insistir para que perdoem os desentendimentos. Em vez de resolverem em privado, fazem questão de espalhar o ódio.”, o autor usa alguns recursos de linguagem que ajudam no tom bem-humorado e crítico do texto.

(1) “O uso da expressão ‘não há maior chatice’ confere ao texto um tom hiperbólico...” → VERDADEIRO

O autor exagera quando diz “não há maior chatice”, e esse exagero é uma hipérbole. Ele faz isso para mostrar sua opinião de forma mais forte e divertida.

(2) “A organização das orações apresenta uma oposição explícita, marcada pelo conector ‘em vez de’...” → VERDADEIRO

A expressão “em vez de” mostra uma oposição, comparando o que seria certo fazer (resolver em particular) com o que o casal realmente faz (espalhar o ódio). Isso reforça a crítica do autor.

(3) “A escolha de termos como ‘espalhar o ódio’ e ‘chatice’ reflete o emprego de um vocabulário formal...” → FALSO

Essas palavras são informais, típicas da linguagem do dia a dia, o que combina com o tom leve e irônico do texto. Por isso, não são vocabulário formal.

Insta.: @_diario_de_um_concurseiro_

I-i-i-isso é-é-é tu-tudo, pe-pessoal!

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