Os estoques de café, que se avolumam ano a ano, pesam sobre ...
(Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Nacional, 1969, p. 189) A política a que o texto se refere consistia em que
I. os efeitos da crise de superprodução deveriam ser absorvidos por meio da depreciação externa da moeda nacional e de uma política de recuperação da taxa cambial pelos governos estaduais.
II. o governo interviria no mercado para comprar os excedentes, que seriam financiados com empréstimos estrangeiros, cobertos com um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportada.
III. os governos dos estados cafeicultores deveriam desencorajar a expansão das plantações de café, a fim de solucionar o problema de superprodução a mais longo prazo.
IV. os governos dos estados produtores de café ficariam submetidos à política econômica central que criaria instrumentos efetivos de recuperação do produto no mercado externo.
Está correto o que se afirma SOMENTE em
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Alternativa correta: E – II e III.
1. Tema central da questão
A questão aborda a política de valorização do café implementada a partir do Convênio de Taubaté (1906). Esse é um tema chave na História de São Paulo e do Brasil, pois o café foi o principal produto de exportação e fator de influência econômica e política no início do século XX.
2. Resumo teórico
O Convênio de Taubaté foi um acordo entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para enfrentar a crise causada pela superprodução de café. Com preços internacionais em queda, a saída foi uma ação conjunta de intervenção no mercado:
- Os governos compravam o excedente de café para controlar a oferta e, assim, sustentar o preço.
- Os recursos vinham de empréstimos externos, pagos com impostos específicos sobre a exportação do produto.
- Também buscava-se desestimular novas plantações para evitar aumento do excesso de oferta.
(Fontes: Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil; Boris Fausto, História do Brasil)
3. Justificativa da alternativa correta
II. CORRETA – A política previa a intervenção dos governos com a compra dos excedentes, financiados por empréstimos e impostos sobre a exportação.
III. CORRETA – Havia o objetivo de desestimular novas plantações, visando solucionar o problema estrutural da superprodução a longo prazo.
4. Análise das alternativas incorretas
I. ERRADA – A política não tratava da depreciação da moeda nem de recuperação da taxa cambial como solução principal.
IV. ERRADA – Os estados mantiveram autonomia; não houve submissão à política econômica central do governo federal.
5. Estratégias de interpretação
Ao analisar questões desse tipo, foque em palavras-chave como “intervenção estatal”, “compra de excedentes” e “desestímulo à expansão”. Desconfie de alternativas que desviam para temas fora do contexto do acordo, como política cambial ou controle federal absoluto.
Conclusão
A alternativa E (II e III) reúne as proposições que descrevem corretamente os pilares da política de valorização do café do Convênio de Taubaté.
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Comentários
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Consequentemente, essa grande onda atingiu o Brasil, onde também as perdas foram enormes, quase levando o País à falência.
Por extensão, o café que antes desse acontecimento já vinha sofrendo perdas financeiras, era a grande fonte geradora monetária da Cidade de Santos, sofreu muito com depressão.
A Bolsa do Café de Santos, um belíssimo prédio, onde eram feitos pregões, registrava a tragédia em cifras: em agosto de 1929, dois meses antes da implosão da bolsa nova-iorquina, a saca do café estava cotada no mercado internacional em 200 mil-réis, em janeiro de 1930 desabara para 21 mil-réis. – A praça de Santos, o maior centro brasileiro de atividades comerciais ficou virtualmente em moratória.
Sem preços, o Brasil, que possuía 60% do mercado internacional do café, não podia exportar o produto, e acumulava grandes estoques (o que comprometeu os preços), nos diversos armazéns gerais da Cidade. Um deles era onde hoje fica o Poupa Tempo, na Rua João Pessoa.
Os reflexos apareceram em pouco tempo. Os salários perderam o poder de compra, chegou o desemprego. Com um quadro desses como a Nação iria pagar 250 milhões de libras esterlinas?
A solução encontrada pelo Governo de Getulio Vargas foi a compra de 18 milhões de sacas de café estocadas em Santos e no interior. O intuito foi o de queimar grande parte delas.
Essa drástica atitude revigorou os preços e normalizou a situação dos fazendeiros, comissários de café e por extensão todos os setores da economia, os empregos voltaram, e as pessoas passaram a ter algum dinheiro para comprar o que precisassem. Só que nessa nova sensação, surgiu um imprevisto: não havia o que comprar. Vale antes dizer que sem exportações e financiamento externo, o Governo emitiu muito dinheiro, o que provocou uma grande inflação.
Como não tínhamos o que comprar, era preciso produzir aqui o que antes se importava. O Governo desvalorizou o mil-réis tornando os artigos estrangeiros proibitivos e por necessidade a indústria brasileira foi se encorpando. Assim a maioria dos produtos que vinham de fora passou a ser fabricados no País. Isso abriu caminho até o término da recessão, em 1932
FONTE: http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?tipo=ler&mat=18047
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