Com base no Texto 01 "Tecnologia e educação", análise as afi...
Texto 01 “Um ensino de língua portuguesa remodelado?”
Mais recentemente, com a publicação, em 2018, da Base Nacional Comum Curricular, documento federal orientador dos currículos estaduais e dos currículos municipais de todo o país, consolidou-se o ensino de língua portuguesa com base nos gêneros discursivos, resultado da influência do fortalecimento da área dos estudos do discurso no ensino-aprendizagem da língua materna.
Inicialmente, porém, os gêneros são entendidos na escola de modo análogo ao que se fazia, em tempos anteriores, com as sequências textuais (em uma tradição antiga, restritas a narrativas, descritivas e argumentativas). Foca-se assim no ensino da estrutura composicional do gênero, tanto na produção da escrita quanto na realização da leitura.
Espera-se que o aluno classifique textos dentro da estrutura de determinado gênero e que produza determinado gênero seguindo um modelo pré-apresentado. Novamente, a normatividade pouco reflexiva entra em cena: se antes prevalecia o enquadramento da língua nas lições de metalinguagem e classificação gramatical, agora tal normatividade parece submeter-se à estrutura do gênero.
Apesar de o gênero não ser um tipo de enunciado absolutamente estável e imutável, e de abranger muito mais do que sua estrutura composicional, seu componente estilístico, essencial para o ensino-aprendizagem da língua, é quase inexplorado nesse momento inicial. Quanto à gramática, é preterida ou segue em seu antigo lugar normativo, sendo ensinada como conteúdo independente.
Com o desenvolvimento dos estudos da linguística aplicada, por meio dos quais se compreende que o trabalho sobre o gênero envolve também e principalmente seus aspectos estilísticos, é que os recursos linguístico-gramaticais ganham espaço nas aulas de língua portuguesa não mais em perspectiva normativa, mas como escolhas léxico-gramaticais das quais depende a constituição do gênero e que são responsáveis pelos efeitos de sentido dos atos enunciativos.
Ainda que essa prática não se tenha universalizado, em razão da precariedade da formação de professores no país e do pouco acesso que têm ao desenvolvimento das teorias linguísticas, parece que a gramática está em vias de encontrar um espaço que condiz com seu grandioso papel na produção de sentidos dos textos.
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Texto adaptado dos Autores: Beatriz Gil e Marcelo Módulo. Acessado em 09/05/2023 em: https://jornal.usp.br/artigos/algumas-reflexoes-sobre-o-ensino-da-lingua-portuguesa-no-brasil/
Com base no Texto 01 "Tecnologia e educação", análise as afirmativas a seguir:
I. O tema central abordado no texto é a descoberta do grandioso espaço recentemente encontrado para a gramática na produção de sentidos dos textos, quando o ensino de língua portuguesa passou a priorizar o trabalho com os gêneros textuais.
Il. O texto objetiva mostrar que a mudança no ensino de língua portuguesa passa pela compreensão adequada de que o ensino da estrutura composicional dos gêneros deve ser combinado com seus aspectos estilísticos como propõe a linguística aplicada.
III. O propósito comunicativo dos autores do texto é mostrar que a consolidação dos gêneros textuais como foco prioritário no ensino de língua materna aconteceu muito mais por causa da influência dos estudos do discurso do que da ingerência da linguística aplicada.
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Gabarito comentado: Alternativa C – Apenas uma afirmativa está correta.
Tema central da questão: Interpretação de texto e compreensão da abordagem dos gêneros discursivos no ensino de língua portuguesa. O aluno é chamado a identificar, no texto, as ideias principais sobre a integração entre ensino de gêneros, gramática e aspectos estilísticos, conforme preconiza a linguística aplicada.
Justificativa da alternativa correta:
A afirmativa II está correta porque, de acordo com o texto, a transformação no ensino de língua portuguesa envolve entender que não basta trabalhar apenas a estrutura composicional dos gêneros; é crucial combinar essa análise à atenção para os aspectos estilísticos, seguindo o que defende a linguística aplicada. O próprio texto afirma: “[...] o trabalho sobre o gênero envolve também e principalmente seus aspectos estilísticos [...] escolhas léxico-gramaticais das quais depende a constituição do gênero e que são responsáveis pelos efeitos de sentido.” Essa leitura está em plena consonância com autores como Marcuschi (2002), que reforça a necessidade de ir além da estrutura, valorizando a dimensão funcional e estilística dos gêneros.
Análise das alternativas incorretas:
- Afirmativa I: Incorreta. O texto não destaca a “descoberta do grandioso espaço para a gramática” após a priorização dos gêneros. Na verdade, informa que a gramática foi, num primeiro momento, preterida ou restringida ao antigo modelo normativo e só gradualmente passou a ser valorizada na construção dos sentidos.
- Afirmativa III: Incorreta. O propósito comunicativo do texto não é opor linguística aplicada e estudos do discurso. Ficou explícito que a consolidação dos gêneros resultou do fortalecimento dos estudos do discurso, sem contrapor ou hierarquizar a influência da linguística aplicada, cujo papel aparece no desenvolvimento da abordagem estilística.
Estratégias e dicas: Sempre observe termos generalizadores (“descoberta”, “grandioso”, “apenas”, “mais por causa de”) e cuidado com distorções do propósito comunicativo. Uma leitura atenta dos conectivos e relações de causa e oposição é essencial para não cair em armadilhas na prova.
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SOMENTE A ALTERNATIVA II ESTÁ CORRETA.
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