Martha estava diante de um cenário deslumbrante que
poucas vezes viu igual. O lugar ficava na Itália. A beleza era
de deixar qualquer um sem palavras, mas ao lado dela estava uma mulher que tinha palavras de sobra e, provavelmente, já estivera naquele lugar uma centena de vezes a ponto
de não ficar mais deslumbrada pela vista. A única coisa que
ela desejava era falar. Quando Martha chegou, a mulher já
estava ao telefone. Quando foi embora, ela ainda não havia
desligado.
Martha observou que a mulher não parou de falar nem
quando uma menininha de uns quatro anos veio solicitar sua
atenção. Ela passou a mão na cabecinha da criança, enxotando-a com suavidade, e com a outra continuava segurando
o celular junto ao ouvido. E falava, falava… Por um instante,
Martha supôs que do outro lado da linha haveria um ouvinte
excelente. Mas não se surpreenderia se fosse outra pessoa
que não parasse de falar. Porque a esse ponto chegamos:
escutar, hoje em dia, não importa mais para muitos.
Se alguém ainda silencia e presta atenção no que uma pessoa diz, é preciso levar em conta o romantismo dessa atitude,
a declaração muda que está sendo oferecida carinhosamente.
Do outro lado da linha daquela mulher italiana talvez houvesse um homem apaixonado. Martha prefere essa ilusão
a imaginar que era outra matraca que talvez não estivesse
escutando nada do que lhe era dito.
(Martha Medeiros. Quem diria que viver ia dar nisso. 9a
ed. Porto Alegre,
RS: LP&M, 2019. Adaptado)
A alternativa em que há palavra empregada com sentido
figurado está em:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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