Boas amizades mudam o jeito que você vê o
mundo e seu reflexo
Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e
englobam características e sentimentos da outra
pessoa
Redação Galileu
Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que
suas amizades moldam, literalmente, a maneira como
você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!).
Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos
contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos
para não gostar.
Publicada no Journal of Social and Personal
Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens
com participantes voluntários. Em um momento, os
cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um
rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles
mesmos ou a outra pessoa.
De acordo com o relatório, os participantes
demoraram mais tempo para distinguir sua própria
imagem do que a de um amigo ou a de uma
celebridade.
Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como
uma pessoa que não é você mesmo parece consumir
energia extra da mente — seria um processo, e não
somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu
colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.
O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma
amizade próxima representa não só uma conexão
entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a
indefinição dos limites entre dois “eus”.
Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro
reage da mesma maneira a uma ameaça contra um
amigo como se fosse você que estivesse recebendo o
sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram
que bons amigos agem como um “Google” para as
histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado
“memória transacionada”. Isso significa que você
contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se
esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra
pessoa irá saber de algum fato se você precisar.
Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de
“auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma
amizade se aprofunda, seu senso de si cresce,
chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro
de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no
âmago da sua personalidade, até no mais básico
sentimento.