A síndrome de Tourette é uma condição neurológica que se man...
Gabarito comentado
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Tema central: A síndrome de Tourette (ST) é um transtorno do neurodesenvolvimento, com múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, com início antes dos 18 anos e duração > 1 ano, com flutuações (wax and wane) e possibilidade de supressão voluntária breve. Critérios conforme DSM-5-TR/ICD-11. Comorbidades frequentes: TOC e TDAH (Harrison’s; UpToDate; Diretriz AAN 2019; ESSTS 2021).
Alternativa correta: C – Ecolalia (repetir palavras) e ecopraxia (imitar gestos) são tiques complexos e podem ocorrer na ST, sendo particularmente observados quando há comorbidade com TOC. Esses “ecofenômenos” refletem circuitos frontoestriatais disfuncionais, comuns a ST e TOC. Evidenciado em séries clínicas e revisões (UpToDate; AAN 2019).
Análise das incorretas
A – Exige “dois tiques motores e dois vocais concomitantes por ≥1 ano”. Falso. O DSM-5-TR requer múltiplos tiques motores e ≥1 vocal em algum momento, não necessariamente ao mesmo tempo. Não há exigência de “dois vocais”.
B – “Tiques são permanentes e não controláveis.” Falso. Muitos pacientes conseguem suprimir por curtos períodos (à custa de desconforto/urge pré-monitória), com rebote posterior. Curso flutuante, tendendo a melhorar na adolescência (AAN 2019; Harrison’s).
D – “Diagnóstico exige tiques complexos; simples seriam transtorno persistente de tiques.” Falso. Na ST, os tiques podem ser simples ou complexos. “Transtorno persistente de tique” é quando há apenas motor ou apenas vocal por ≥1 ano (não ambos).
E – “Não há tratamento medicamentoso eficaz; primeira linha é canabidiol + TCC.” Falso. Há terapias eficazes: CBIT/Habit Reversal é primeira linha não farmacológica; fármacos com evidência incluem antipsicóticos (risperidona, aripiprazol), agonistas α2 (clonidina/guanfacina, úteis se TDAH), topiramato e toxina botulínica para tiques focais. Canabidiol: evidência insuficiente, não é padrão (AAN 2019; ESSTS 2021; UpToDate).
Como interpretar na prova: Atenção às pegadinhas com “concomitantemente”, “complexos obrigatórios”, “permanentes/incontroláveis” e “sem tratamento”. Lembre: duração >1 ano, não precisa simultaneidade, tiques podem ser simples, e há tratamentos eficazes.
Diagnóstico e manejo: Diagnóstico é clínico. Exames complementares apenas se sinais atípicos sugerirem causa secundária. Manejo: psicoeducação, CBIT, tratar comorbidades (TOC/TDAH); farmacoterapia quando há prejuízo funcional; casos refratários podem considerar estimulação cerebral profunda em adultos selecionados (diretrizes AAN/ESSTS).
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