Em relação a complicações neurológicas associadas à cetoacid...
Em relação a complicações neurológicas associadas à cetoacidose diabética em decorrência de Diabete Melito (DM) tipo 1, analise as assertivas abaixo:
I. A neuropatia periférica é a complicação neurológica aguda mais comum em crianças com esse diagnóstico.
II. O edema cerebral é uma complicação rara, mas grave, da cetoacidose diabética em crianças, e está associado a fatores de risco como idade inferior a 5 anos, gravidade da acidose metabólica e hipocapnia.
III. A esclerose múltipla tem como um dos principais fatores de risco a presença de DM tipo 1 com histórico de cetoacidose diabética na faixa etária pediátrica. IV. A cetoacidose diabética materna durante a gestação pode estar associada a eventos vasculares no feto como, por exemplo, acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e/ou hemorrágicos.
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Tema central: Complicações neurológicas na cetoacidose diabética (CAD) em crianças com DM1. A complicação neurológica aguda mais relevante é o edema cerebral, potencialmente fatal.
Gabarito: C — Apenas II e IV.
Justificativa das assertivas
II. Correta. O edema cerebral é raro (≈0,5–1%) porém grave em CAD pediátrica. Fatores de risco: idade <5 anos, acidose grave (pH baixo, bicarbonato baixo), hipocapnia (hiperventilação), uremia elevada e diabetes de início recente. Vigilância neurológica seriada é mandatória. (Fontes: ISPAD 2022; ADA Standards of Care 2024; UpToDate).
IV. Correta. CAD materna associa-se a hipóxia fetal, distúrbios hemodinâmicos/osmóticos e maior risco de lesão neurológica fetal, incluindo eventos vasculares (isquêmicos/hemorrágicos), descritos em séries e relatos obstétricos. Prevenir CAD na gestação é prioritário. (ADA 2024; literatura obstétrica).
I. Incorreta. Neuropatia periférica é complicação crônica do DM, não a complicação neurológica aguda mais comum na CAD pediátrica. Na CAD, a preocupação aguda é o edema cerebral. (Harrison’s; ISPAD).
III. Incorreta. Esclerose múltipla tem fatores de risco como infecção por EBV, baixa vitamina D, latitude e susceptibilidade genética. DM1 é doença autoimune, mas não é fator de risco principal para EM, e histórico de CAD pediátrica não figura como fator de risco. (Harrison’s; revisões UpToDate).
Como interpretar na prova
- Atenção à palavra-chave aguda: direciona para edema cerebral, não neuropatia crônica.
- “Fatores de risco” clássicos para edema cerebral: idade menor, acidose severa, hipocapnia.
- “EM” aparece como distrator; diferencie autoimunidade de fator causal principal.
Quadro clínico e conduta no edema cerebral
Sinais: cefaleia, rebaixamento do nível de consciência, vômitos, irritabilidade, alterações pupilares, bradicardia/hipertens��o (sinais de herniação). Conduta imediata: manitol 0,5–1 g/kg ou salina hipertônica 3% 5–10 mL/kg, elevar cabeceira, reduzir velocidade de fluidos, evitar bicarbonato e hiperventilação agressiva (reservar se herniação). (ISPAD 2022; ADA 2024).
Análise das alternativas
A (I e II): errada porque I é falsa. B (I e IV): errada porque I é falsa. C (II e IV): correta. D (I, II e III): errada (I e III falsas). E (todas): errada pelas mesmas razões.
Referências essenciais: ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2022 (DKA in children); ADA Standards of Care 2024; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Diabetic ketoacidosis in children).
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