Após o devido processo administrativo disciplinar, foi adeq...

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Q3157890 Direito Administrativo
Após o devido processo administrativo disciplinar, foi adequadamente aplicada a Iarley, servidor público do Município Alfa, a penalidade de suspensão pelo prazo de 45 dias.
Ocorre que Iarley estava com grande acúmulo de serviço, de modo que, de boa-fé, sem que caracterizada situação de emergência, decidiu trabalhar no período em que estava suspenso, interregno em que realizou atos administrativos vinculados, que não estavam eivados de outros vícios, os quais beneficiaram terceiros de boa-fé.
Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A teoria da aparência preserva, perante terceiros de boa-fé, atos sem outros vícios praticados sob aparência de legitimidade. Como a suspensão tornou irregular a atuação de Iarley, mas os atos beneficiaram terceiros de boa-fé, eles devem ser reputados válidos em relação a estes, o que confirma a alternativa C.

Tema central: Atos do agente de fato
Análise das alternativas
A
Errada
A convalidação não é exclusiva dos atos discricionários. O art. 55 da Lei nº 9.784/1999 estabelece como critérios a existência de defeitos sanáveis e a ausência de lesão ao interesse público e de prejuízo a terceiros, não a natureza discricionária do ato. Esse dispositivo serve de apoio para afastar a premissa da alternativa, sem pressupor sua aplicação direta ao Município Alfa. Além disso, a preservação dos atos descritos decorre da teoria da aparência.
B
Errada
A alternativa exige ratificação como condição universal para a produção de efeitos. Essa exigência contraria a preservação dos atos do agente putativo perante terceiros de boa-fé pela teoria da aparência, que não depende, nessa hipótese, de saneamento formal por ratificação.
C
Certa
A alternativa C aplica a proteção doutrinária fundada na teoria da aparência: a irregularidade do exercício funcional não impede, por si só, a preservação dos atos perante terceiros que confiaram na aparência de atuação legítima. O servidor mantém vínculo com a Administração, mas está impedido de exercer suas atribuições pela suspensão. Seu enquadramento como agente putativo permite proteger os terceiros de boa-fé quanto aos atos sem outros vícios, sem tornar regular o trabalho durante a suspensão.
D
Errada
A anulação obrigatória, independentemente da boa-fé dos terceiros, contraria a teoria da aparência. A irregularidade do exercício funcional não determina a anulação dos atos perante terceiros de boa-fé quando, como na hipótese, eles não apresentam outros vícios.
E
Errada
O enquadramento como agente necessário pressupõe situação de necessidade. O simples acúmulo de serviço, expressamente desacompanhado de emergência, não satisfaz esse pressuposto. A classificação adotada é a de agente putativo, pela atuação irregular sob aparência de legitimidade.
Pegadinha da questão
Confundir o acúmulo de serviço com a necessidade excepcional que caracteriza o agente necessário e confundir a proteção dos terceiros com autorização para o servidor trabalhar durante a suspensão.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga atuação irregular sob aparência de legitimidade, própria do agente putativo, de atuação decorrente de necessidade, própria do agente necessário.
  • Para preservar os atos perante terceiros, verifique a boa-fé destes e a ausência de outros vícios; a boa-fé do servidor, isoladamente, não regulariza sua atuação.
  • Não confunda proteção pela teoria da aparência com convalidação por ratificação: são fundamentos distintos.
  • Não exclua a convalidação apenas porque o ato é vinculado; examine a sanabilidade do defeito e os demais requisitos.

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Comentários

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GAB C

AGENTES DE FATO - Este termo designa o desempenho da função pública em decorrência de uma situação excepcional.

AGENTES NECESSÁRIOS - praticam atos em situações excepcionais, em colaboração com o Poder Público, como se fossem agentes de direito. Ex: situações de emergência;

AGENTES PUTATIVOS - desempenham atividade pública na presunção de que há legitimidade, embora tenha havido alguma ilegalidade na sua Investidura. Ex: servidor que toma posse sem cumprir os requisitos do cargo (investidura irregular);

AGENTE PUTATIVO  – Investidura Irregular. 

Jurisprudência – 

1 - Os atos praticados pelo Agente serão válidos (3° de boa-fé);

2 - Os atos praticados pelo Agente são de responsabilidade do estado; 

3 - O agente será remunerado pelo período trabalhado. 

AGENTE NECESSÁRIO  – Situações Emergenciais  

1- Atos praticados: Responsabilidade do estado.      

OBS: Não confunda o Agente putativo ou o Agente necessário com o usurpador de função. (Nunca recebeu nenhuma forma de investidura em cargo);

Os atos praticados pelo usurpador de função são INEXISTENTES. Cuidado – não são atos ilegais, são inexistentes.

Gabarito C.

De acordo com a teoria do agente de fato putativo, os atos administrativos realizados por alguém que não está regularmente investido no cargo podem ser considerados válidos, desde que os terceiros beneficiados sejam de boa-fé. Essa teoria é aplicada para proteger a confiança legítima dos administrados e a segurança jurídica. No caso, Iarley agiu de boa-fé e praticou atos vinculados (não eivados de vícios), que beneficiaram terceiros também de boa-fé.

revisar cargo emprego e função

Alternativa A – ERRADA

"Os atos administrativos vinculados praticados por Iarley durante a sua suspensão não podem ser considerados válidos, pois a convalidação apenas é admitida para os atos discricionários."

➡️ Falso! A convalidação pode ocorrer tanto para atos vinculados quanto discricionários, desde que não haja prejuízo ao interesse público. Além disso, os atos vinculados de Iarley beneficiaram terceiros de boa-fé, então não precisam ser anulados.

Alternativa B – ERRADA

"Qualquer ato administrativo praticado por Iarley durante a sua suspensão somente poderá produzir efeitos depois de ratificado por autoridade que realmente seja competente para o exercício de tal atribuição."

➡️ Errado! Os atos já produziram efeitos e são considerados válidos em relação a terceiros de boa-fé, sem necessidade de ratificação posterior.

Alternativa C – CORRETA

"Os aludidos atos administrativos praticados por Iarley durante a sua suspensão devem ser reputados válidos em relação aos terceiros de boa-fé, cabendo considerá-lo agente de fato putativo."

➡️ Correto! Como Iarley não estava no exercício legítimo do cargo, mas os administrados acreditavam que ele estava, ele é um agente de fato putativo. Assim, seus atos são válidos para proteger terceiros de boa-fé.

Alternativa D – ERRADA

"Todos os atos praticados por Iarley durante o período da suspensão devem ser necessariamente anulados, independentemente da boa-fé de terceiros que deles se beneficiaram."

➡️ Errado! O princípio da segurança jurídica e da proteção à confiança impede a anulação de atos que beneficiaram terceiros de boa-fé.

Alternativa E – ERRADA

"Iarley deve ser considerado agente de fato necessário, a fim de viabilizar que os atos administrativos vinculados por ele realizados no período de sua suspensão possam ser considerados válidos."

➡️ Errado! O agente de fato necessário só existe em situações de emergência para evitar a descontinuidade do serviço público. No caso, não havia emergência, então ele é um agente de fato putativo.

✅ Alternativa C – "Os aludidos atos administrativos praticados por Iarley durante a sua suspensão devem ser reputados válidos em relação aos terceiros de boa-fé, cabendo considerá-lo agente de fato putativo."

A alternativa correta é:

✅ C) Os aludidos atos administrativos praticados por Iarley durante a sua suspensão devem ser reputados válidos em relação aos terceiros de boa-fé, cabendo considerá-lo agente de fato putativo.

No Direito Administrativo, a teoria do agente de fato reconhece que, em certas circunstâncias, os atos praticados por quem não tem legitimidade formal para exercer a função pública podem ser considerados válidos, principalmente se beneficiam terceiros de boa-fé.

  • O agente de fato putativo é aquele que exerce a função pública de maneira indevida, mas de boa-fé, e seus atos são considerados válidos para proteger terceiros de boa-fé e garantir a segurança jurídica.
  • Iarley, mesmo estando suspenso, atuou de boa-fé e praticou atos administrativos vinculados (ou seja, atos que a lei determina exatamente como devem ser feitos, sem margem de discricionariedade).
  • São considerados válidos em relação aos terceiros de boa-fé, pois a anulação poderia prejudicar pessoas que confiaram na aparência de legitimidade do agente público.
  • O fundamento disso é a proteção da segurança jurídica e da confiança legítima dos administrados.

A) ❌ Errado.

  • A convalidação não é limitada a atos discricionários.
  • Além disso, aqui não se trata de convalidação e sim da validade dos atos do agente de fato putativo.

B) ❌ Errado.

  • A ratificação não é necessária quando há boa-fé e os atos já são considerados válidos para terceiros de boa-fé.
  • O ato não está viciado de forma grave, pois foi praticado por um agente putativo.

D) ❌ Errado.

  • A anulação automática de todos os atos violaria o princípio da segurança jurídica, prejudicando terceiros que confiaram na legitimidade do ato.

E) ❌ Errado.

  • O agente de fato necessário age em situações emergenciais, o que não foi o caso de Iarley.
  • Ele atuou por conta própria e de boa-fé, mas sem estar diante de uma emergência, então ele se enquadra como agente de fato putativo e não necessário.

  • A alternativa C está correta, pois os atos administrativos vinculados praticados por Iarley, embora em situação irregular, são considerados válidos para terceiros de boa-fé, com base na teoria do agente de fato putativo e na proteção da segurança jurídica.

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