Nesse caso, a principal hipótese diagnóstica é
O CASO CLÍNICO A SEGUIR SE REFERE À QUESTÃO.
Leia, 35 anos, balconista de farmácia, procura seu
médico de família e comunidade queixando-se de
uma mancha na coxa esquerda que surgiu há seis
meses. A mancha não coça e não melhora com automedicação de pomadas. Recentemente notou o surgimento de nova mancha próxima à antiga. Relatou
que a primeira mancha aumentou de tamanho e se
tornou dormente, moti vos que a levaram a procurar
a sua Unidade Básica de Saúde. Nega uso de outros
medicamentos e comorbidades e está com o cartão
vacinal atualizado. Cuida em sua casa, como voluntária de uma ONG, de dois gatos e de três cães abandonados.
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Nesta situação clínica, a avaliação de uma lesão cutânea crônica com alteração de sensibilidade é fundamental para levantar hipóteses de doenças que acometem pele e nervos periféricos.
Justificativa para a alternativa correta (B - Hanseníase): O quadro da paciente – mancha que não coça, persistente, insensível (dormente), com progressão lenta e aparecimento de novas lesões – é típico da hanseníase. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase do Ministério da Saúde, pág. 13: “O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, baseado na identificação de lesões de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos.” O envolvimento neural é o diferencial, manifestando-se por zonas dormentes na pele, como relatado no caso.
Análise das alternativas incorretas:
A) Sífilis: As lesões cutâneas da sífilis têm apresentação variada, porém não costumam causar perda de sensibilidade. Além disso, geralmente têm manifestações sistêmicas associadas, o que não foi descrito no caso.
C) Eczema numular: Caracterizado por placas arredondadas e PRURIGINOSAS (coçam), diferente do quadro indolor e insensível relatado. Também costuma responder, ao menos parcialmente, a corticoides tópicos, que foram utilizados sem melhora.
D) Leishmaniose cutânea: Normalmente se manifesta por lesões ulceradas ou nodulares, com bordas elevadas, sem alteração de sensibilidade e evolução mais rápida que hanseníase. O contato com cães/gatos pode confundir, mas não é determinante sem o quadro clássico.
Estratégia de prova: Atenção aos sinais de acometimento neural (dormência, perda de sensibilidade) e cronicidade da lesão para diferenciar hanseníase de outras dermatoses. Pegadinhas comuns incluem focar apenas em dados epidemiológicos (animais domésticos) e ignorar o dado essencial do caso: alteração sensitiva.
Seguindo diretrizes do Ministério da Saúde e referências como o Harrison’s e UpToDate, hanseníase deve ser sempre considerada frente a manchas de evolução lenta, dormentes e sem prurido em adultos.
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