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Q4324038 Direito Eleitoral
Assinale a alternativa correta acerca da prestação de contas perante a Justiça Eleitoral.
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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A orientação jurisprudencial do TSE admite a aplicação da proporcionalidade e da razoabilidade diante de falhas de valor absoluto diminuto ou percentual inexpressivo de até 10% da arrecadação ou da despesa. Como D reproduz esse parâmetro, é a alternativa correta.

Tema central: Prestação de contas eleitorais
Análise das alternativas
A
Errada
Inverte o requisito da aprovação com ressalvas. Conforme a Lei nº 9.504/1997, art. 30, II, as falhas não podem comprometer a regularidade das contas. Quando comprometem, aplica-se o inciso III: "III - pela desaprovação, quando verificadas falhas que lhes comprometam a regularidade;". A hipótese descrita em A conduz à desaprovação, não às ressalvas.
B
Errada
Substitui o prazo legal de trinta dias por noventa dias. A Lei nº 9.504/1997, art. 29, III, determina: "encaminhar à Justiça Eleitoral, até o trigésimo dia posterior à realização das eleições". Ressalvada a hipótese de segundo turno, esse é o prazo aplicável, e não o indicado na alternativa.
C
Errada
Atribui ao mero indício de irregularidade uma consequência que não está prevista para essa hipótese. A Lei nº 9.504/1997, art. 30, § 4º, dispõe: "Havendo indício de irregularidade na prestação de contas, a Justiça Eleitoral poderá requisitar do candidato as informações adicionais necessárias, bem como determinar diligências para a complementação dos dados ou o saneamento das falhas." São providências de esclarecimento e saneamento, não autorização para sustar registro ou diplomação. Já o impedimento de diplomação previsto no art. 29, § 2º, decorre da inobservância do prazo de encaminhamento das contas, enquanto perdurar, situação distinta.
D
Certa
D corresponde à orientação interpretativa do TSE identificada no AgR-AREspE nº 060768948, acórdão de 18/12/2025, rel. Min. André Mendonça. O valor absoluto diminuto e o percentual inexpressivo de até 10% são parâmetros quantitativos alternativos, não cumulativos. A expressão “somente” restringe a aplicação dos princípios, mas não transforma o atendimento desse parâmetro em condição suficiente para aprovar as contas. Também devem ser examinadas a gravidade da irregularidade, a preservação da confiabilidade das contas e a ausência de má-fé. O percentual decorre da jurisprudência, não do texto da Lei das Eleições.
E
Errada
O erro está no prazo recursal. A Lei nº 9.504/1997, art. 30, § 5º, estabelece: "no prazo de 3 (três) dias, a contar da publicação no Diário Oficial." Portanto, o recurso deve ser interposto em três dias, e não em sete.
Pegadinha da questão
A banca suprimiu o “não” que distingue ressalvas de desaprovação, trocou os prazos legais e confundiu indício de irregularidade com apresentação intempestiva das contas. Em D, o cuidado é não interpretar o parâmetro de 10% como garantia automática de aprovação.
Dica para questões semelhantes
  • Separe os critérios quantitativos alternativos — valor absoluto diminuto ou percentual inexpressivo de até 10% — dos requisitos qualitativos, como gravidade da falha e ausência de má-fé.
  • Para distinguir ressalvas de desaprovação, verifique se a falha compromete a regularidade das contas.
  • Diferencie indício de irregularidade, que autoriza informações e diligências, de atraso na apresentação das contas, que impede a diplomação enquanto perdurar.
  • Confira os prazos: apresentação até o trigésimo dia posterior às eleições, ressalvada a hipótese de segundo turno, e recurso em três dias da publicação no Diário Oficial.

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“Eleições 2024. Vereador. [...] Prestação de contas de campanha. Fundo Especial de Financiamento de campanha. Ausência de comprovação de despesas. Desaprovação. Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Não incidência. [...] 2. Consoante a jurisprudência deste Tribunal, a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para fim de aprovação das contas com ressalvas condiciona–se à presença de três requisitos cumulativos: a) irregularidades que não comprometam a higidez do balanço; b) percentual ou valor inexpressivo do total irregular, de até 10% ou R$1.064,10; e c) ausência de má–fé. [...].”

(Ac. de 7/4/2026 no AgR-REspEl n. 060063809, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva.)

GABARITO D

“Eleições 2024. Vereador. [...] Prestação de contas de campanha. Fundo Especial de Financiamento de campanha. Ausência de comprovação de despesas. Desaprovação. Princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Não incidência. [...] 2. Consoante a jurisprudência deste Tribunal, a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para fim de aprovação das contas com ressalvas condiciona–se à presença de três requisitos cumulativos: a) irregularidades que não comprometam a higidez do balanço; b) percentual ou valor inexpressivo do total irregular, de até 10% ou R$1.064,10; e c) ausência de má–fé. [...].”

 

Art. 29. Ao receber as prestações de contas e demais informações dos candidatos às eleições majoritárias e dos candidatos às eleições proporcionais que optarem por prestar contas por seu intermédio, os comitês deverão:

III - encaminhar à Justiça Eleitoral, até o trigésimo dia posterior à realização das eleições, o conjunto das prestações de contas dos candidatos e do próprio comitê, na forma do artigo anterior, ressalvada a hipótese do inciso seguinte;

IV - havendo segundo turno, encaminhar a prestação de contas, referente aos 2 (dois) turnos, até o vigésimo dia posterior à sua realização.  

Art. 30. A Justiça Eleitoral verificará a regularidade das contas de campanha, decidindo:  

I - pela aprovação, quando estiverem regulares;  

II - pela aprovação com ressalvas, quando verificadas falhas que não lhes comprometam a regularidade;  

III - pela desaprovação, quando verificadas falhas que lhes comprometam a regularidade;  

§ 4 Havendo indício de irregularidade na prestação de contas, a Justiça Eleitoral poderá requisitar do candidato as informações adicionais necessárias, bem como determinar diligências para a complementação dos dados ou o saneamento das falhas.  

O mero indício não autoriza a suspensão do registro ou da diplomação nos termos propostos. 

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