Assinale a alternativa correta sobre as teorias da responsa...

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Q4323951 Direito Administrativo
Assinale a alternativa correta sobre as teorias da responsabilidade civil do Estado e a sua aplicabilidade no direito brasileiro.
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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O art. 37, § 6º, da Constituição é a matriz da responsabilidade estatal, mas não disciplina expressamente as omissões. Como a alternativa E diferencia o descumprimento de dever específico da omissão genérica, corresponde à interpretação adotada no gabarito e é a correta.

Tema central: Responsabilidade estatal por omissão
Análise das alternativas
A
Errada
A teoria do risco administrativo não torna toda responsabilidade estatal objetiva. Nas hipóteses de responsabilidade subjetiva por omissão genérica, exige-se culpa do serviço, além do nexo causal. Portanto, a dispensa de dolo ou culpa caracteriza o regime objetivo, mas não se aplica universalmente à responsabilidade do Estado.
B
Errada
É falsa a afirmação de que a responsabilidade por omissão é sempre subjetiva. O descumprimento de dever específico de proteção pode gerar responsabilidade objetiva, como reconhecido pelo STF no Tema 592. A natureza omissiva da conduta, isoladamente, não determina o regime subjetivo.
C
Errada
O fundamento geral da responsabilidade objetiva estatal é o risco administrativo, não o risco integral. O STJ, no REsp 1.708.325/RS, reconheceu responsabilidade objetiva por falha em dever específico de agir com fundamento no risco administrativo, contrariando a teoria apresentada pela alternativa como regra geral.
D
Errada
A condição de usuário do serviço público não é requisito para a responsabilidade objetiva do prestador. No RE 591.874/MS, Tema 130, o STF reconheceu que a responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público também alcança terceiros não usuários.
E
Certa
A alternativa E diferencia os regimes conforme a natureza do dever de atuação descumprido. O STF, no RE 841.526/RS, Tema 592, reconheceu responsabilidade objetiva pelo descumprimento de dever específico de proteção, demonstrando que uma conduta omissiva não exige necessariamente prova de culpa. Já na responsabilidade subjetiva por omissão genérica, exige-se demonstração de culpa do serviço e nexo causal, conforme a orientação do STJ no REsp 1.040.895/MG. A correção de E pressupõe que própria significa específica e imprópria significa genérica: essa nomenclatura não está expressa na Constituição nem é uniforme na jurisprudência. Mesmo no regime objetivo, permanecem necessários o dano e o nexo causal.
Pegadinha da questão
A banca emprega própria e imprópria sem definir a classificação: o gabarito pressupõe própria = específica e imprópria = genérica, equivalência que não é terminologia legal nem jurisprudencial uniforme. As demais alternativas universalizam os regimes, trocam risco administrativo por integral ou restringem indevidamente a proteção aos usuários.
Dica para questões semelhantes
  • Nas omissões, identifique se houve descumprimento de dever específico de agir ou omissão genérica: essa distinção orienta o regime de responsabilidade.
  • Não trate própria e específica, ou imprópria e genérica, como sinônimos universais; verifique a classificação pressuposta pela questão.
  • A responsabilidade objetiva dispensa prova de culpa, mas não dispensa dano e nexo causal; no regime subjetivo por omissão, exige-se também culpa do serviço.
  • Separe os critérios: o fundamento geral é o risco administrativo, e a responsabilidade objetiva do prestador de serviço público também pode proteger terceiros não usuários.

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Comentários

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A – Incorreta. O erro da alternativa está no emprego do termo taxativo "sempre". Embora a teoria do risco administrativo dispense a prova de dolo ou culpa para fins de reparação estatal nas condutas comissivas (e nas omissões específicas), o regime jurídico da responsabilidade civil do Estado no Brasil não é sempre objetivo. Quando o dano decorre de omissão genérica estatal (falha anônima do serviço / faute du service), a responsabilidade civil do Poder Público assume natureza subjetiva, exigindo a comprovação de negligência, imprudência ou imperícia na prestação do serviço.

B – Incorreta. O item peca novamente pela generalização absoluta ao afirmar que a omissão acarreta "sempre" responsabilidade subjetiva. Conforme pacífica jurisprudência do STF e do STJ, nas hipóteses de omissão específica — quando o Estado ostenta dever legal específico e direto de proteção ou custódia (ex.: integridade de presidiários ou alunos em escolas públicas sob guarda estatal, Tema 592/STF) —, a responsabilidade civil por omissão é objetiva com esteio no art. 37, § 6º, da Constituição Federal.

C – Incorreta. A regra geral que orienta o ordenamento jurídico pátrio (art. 37, § 6º, da CF/88) é a teoria do risco administrativo, que admite causas excludentes de nexo de causalidade (como culpa exclusiva da vítima, fato de terceiro e força maior). Já a teoria do risco integral — na qual o Estado responde de maneira absoluta, sem admitir qualquer excludente — tem caráter excepcionalíssimo, incidindo apenas em casos expressamente delimitados, a exemplo de danos nucleares (art. 21, XXIII, d, CF/88) e atos terroristas a bordo de aeronaves civis de matrícula brasileira (Lei nº 10.744/2003).

D – Incorreta. A assertiva contraria expressamente a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal. No julgamento do Tema 130 de Repercussão Geral (RE 591.874), o Plenário do STF fixou a seguinte tese: "A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal".

E – Correta (Gabarito da banca). A banca utilizou a classificação doutrinária (oriunda do influxo da teoria geral do delito) para estruturar a responsabilidade nas omissões estatais:

  • Ato omissivo próprio: Decorre do descumprimento de um dever individualizado, normativo e imediato de intervenção/proteção (equiparado à omissão específica), atraindo a aplicação da responsabilidade civil objetiva do art. 37, § 6º, da CF.
  • Ato omissivo impróprio: Ocorre quando a abstenção se relaciona a um dever geral de polícia, segurança ou fiscalização, configurando a falha sistêmica do serviço (omissão genérica / faute du service), situação que atrai a responsabilidade civil subjetiva pela necessidade de demonstração da culpa administrativa.

ADENDO

 Condutas omissivas 

O art. 37, §6º, da CF/88 restringe-se, de forma expressa, a disciplinar as condutas comissivas do Estado. Coube à doutrina e a jurisprudência discutir sobre esse tema.

⇒ A responsabilidade subjetiva (teoria da culpa administrativa) é a regra. Contudo, admite-se exceções em que haverá responsabilidade objetiva.

  • STF RE nº 841.526 (Tema 592): omissão genérica: Estado responde subjetivamente, sendo necessário demonstrar a culpa do serviço.  (*Ex: atos de multidão)  #  omissão específica: responsabilidade é objetiva, em virtude de o Estado ter descumprido um dever jurídico específico de agir para impedir um dano certo, especial e anormal.  (*Ex: prejuízos por enchentes, mesmo após inúmeros alertas)

  • STJ adotava, tradicionalmente, a Teoria da Culpa Administrativa  - Culpa Anônima do Serviço, que é de natureza subjetiva. Não obstante, vem se aproximando ao STF: 

  • STJ REsp n. 1.869.046 - 2020: Aplica-se igualmente ao Estado a prescrição do art. 927, p.u, do CC, de responsabilidade civil objetiva por atividade naturalmente perigosa, irrelevante seja a conduta comissiva ou omissiva. (*ex: advogado foi baleado no fórum)

  • STJ Resp n. 1708325 - 2022: alinhando-se ao entendimento do Excelso Pretório, firmou-se a compreensão de que o Poder Público, inclusive por atos omissivos, responde de forma objetiva quando constatada a precariedade/vício no serviço decorrente da falha no dever legal e específico de agir.

1. Ato omissivo próprio (omissão própria) - Ocorre quando a Administração deixa de praticar um ato que a lei determina, mas essa omissão consiste apenas no descumprimento de um dever jurídico de agir, sem necessariamente produzir um resultado material diretamente causado pelo Estado.

Em geral, trata-se de uma omissão relacionada ao dever formal de atuação administrativa.

Exemplos:

- Administração não responde a requerimento administrativo dentro do prazo legal;

- órgão público deixa de editar ato obrigatório;

- autoridade deixa de realizar fiscalização prevista em lei.

Aqui, a ilegalidade está na inércia administrativa.

2. Ato omissivo impróprio (omissão imprópria ou comissiva por omissão) - É a omissão em que o Estado tinha um dever específico de impedir determinado resultado danoso, mas não agiu. A omissão é tratada como causa do dano.

Em outras palavras: O Estado não praticou uma ação que estava juridicamente obrigado a praticar para evitar o resultado.

Ex: Preso sob custódia do Estado Um preso é morto por outro detento. O Estado tinha: - dever específico de guarda; - dever de proteção. A omissão estatal contribuiu para o resultado.

Fonte: Chat

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