O fenômeno annulus reversus refere-se ao aumento da onda E’...
Paciente com 74 anos de idade apresentou quadro de dor torácica atípica e ICC iniciado havia dois meses. O raio X de tórax mostrou índice cardiotorácico normal com aumento das câmaras atriais, além de congestão pulmonar, linhas B de Kerley e retração fibrótica no ápice esquerdo. O ecocardiograma mostrou cavidades ventriculares com dimensões e função sistólica normais. O septo interventricular, ao modo M, apresentava-se com padrão de raiz quadrada, aumento das câmaras atriais, pericárdio espessado (10 mm) e derrame discreto, com sinais de aderência dos folhetos. A função diastólica mostrou relação E/A > 2. O estudo com Doppler tecidual revelou onda E’ = 10 cm/s e notou-se o fenômeno de annulus reversus. A veia cava inferior não pôde ser visibilizada e a velocidade de propagação do fluxo mitral ao modo M colorido foi de 95 cm/seg. Durante a inspiração, a velocidade da onda E’ do fluxo mitral reduziu-se de 80 cm/s para 50 cm/s.
A partir desse caso clínico, julgue os itens seguintes, com relação à função, à anatomia e às doenças do pericárdio.
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Para entender melhor essa questão, precisamos nos concentrar na condição clínica do paciente descrita: pericardite constritiva. Essa patologia é caracterizada pelo espessamento e rigidez do pericárdio, afetando o enchimento diastólico dos ventrículos.
O fenômeno annulus reversus ocorre de maneira diferente do descrito na alternativa. Este fenômeno é um achado específico em pacientes com pericardite constritiva, onde a velocidade da onda E’ do anel mitral lateral é menor que a do anel septal. A descrição correta do fenômeno annulus reversus está em contradição com o que foi afirmado na questão, justificando a alternativa ser considerada errada (E).
Justificativa para a resposta correta: Na pericardite constritiva, a restrição ao enchimento ventricular ocorre de forma que os movimentos sistólicos e diastólicos normais são prejudicados. O achado de E’ lateral menor que E’ septal é indicativo do fenômeno, o que não foi corretamente representado na descrição da alternativa.
Exame dos achados clínicos e exames complementares: O caso clínico apresenta achados clássicos de pericardite constritiva como: aumento das câmaras atriais, pericárdio espessado e padrão de raiz quadrada no modo M do septo interventricular no ecocardiograma. Além disso, a descrição da função diastólica e os achados de Doppler tecidual são coerentes com a condição.
Esses componentes confirmam a presença do distúrbio diastólico característico da pericardite constritiva, onde o enchimento ventricular precoce é acentuado, seguido por uma rápida equalização das pressões, o que é evidenciado pelo padrão de Doppler tecidual e diminuição da onda E’ durante a inspiração.
Conclusão: A questão testa a compreensão do fenômeno annulus reversus e destaca a importância de reconhecer os sinais ecocardiográficos associados à pericardite constritiva. É crucial entender a fisiopatologia subjacente para interpretar corretamente esses achados.
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