De acordo com o texto, assinale a alternativa CORRETA.

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Q1019167 Português
Leia o texto 01 e 02 e responda a questão

Texto 01

"Presságio"

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

Texto 02

      "O Amor Antigo"
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor

Carlos Drumonnd de Andrade in Amar se aprende Amando
De acordo com o texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

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Comentário da Questão — Interpretação de Texto (Cargo: Advogado)

Tema central: Esta questão exige interpretação de textos literários e o exame da coerência textual, ou seja, a habilidade para perceber as ideias chaves, os implícitos e as reais intenções dos autores, sem se apegar apenas ao sentido literal das palavras.

No Texto I, de Fernando Pessoa, o eu lírico expõe a dificuldade de expressar sentimentos amorosos, a hesitação entre calar e falar e o desejo de ser compreendido sem precisar se declarar. No Texto II, de Carlos Drummond de Andrade, o eu lírico aborda o amor antigo: um sentimento que sobrevive ao tempo, às dificuldades e que, embora “pobre de esperança”, nunca fenece e “a cada dia surge mais amante”.

Análise das alternativas:

A) Incorreta. Apesar de retratar bem o tema da dificuldade de expressão no texto I, a ideia de que “o amor antigo não terá fim” extrapola o que está no texto II. O poema fala de resistência e intensidade (“nunca fenece”), mas não de eternidade absoluta.

B) Incorreta. Ao afirmar que o amor antigo está “desgastado” e “caminha para o fim”, contraria explicitamente o trecho “o antigo amor, porém, nunca fenece”, mostrando um erro de coerência interpretativa.

C) Incorreta. Diz que o amor antigo “não tem mais força para continuar”, o que é oposto à ideia central do texto II, que reforça a sobrevivência do sentimento mesmo diante das adversidades.

D) Correta. Nenhuma das anteriores interpreta com precisão os sentidos e nuances dos poemas. Pela norma de interpretação textual (cf. Bechara; Cunha & Cintra), a alternativa correta deve se alinhar integralmente ao conteúdo original, o que não ocorre nas opções A, B e C.

Estratégia para provas: Em questões de poesia, atente-se às expressões-chave e à mensagem implícita. Evite projeções ou exageros interpretativos que não estejam textualmente fundamentados. Busque a coesão entre o que é pedido e o que de fato está apresentado nos versos.

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Comentários

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GABARITO: LETRA D

→ fui de "a", não sei explicar, essa questão bugou minha mente, triste!

→ espero um feedback.

FORÇA, GUERREIROS(AS)!! ☺

Também fui letra "A".

Também vou esperar alguém comentar, fiquei bugado que nem você Arthur kkkk

tbm fui na A

Também fui de letra "a".

Talvez o erro esteja nesta passagem em destaque:

No texto I, Fernando Pessoa, demonstra sua dificuldade em estabelecer relações amorosas, em declarar-se a pessoa amada, expor seus sentimentos para um relacionamento. Já o texto II, Carlos Drummond de Andrade demonstra que o amor antigo já passou por muitas dificuldades, e que quanto mais o tempo passa fortalece, e não terá fim.

A justificativa para o erro pode estar no último parágrafo do poema:

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

Se o poeta revela o amor que sente através do olhar, já não precisaria dizer com palavras o que sente.

O terceiro parágrafo também ajuda a interpretar dessa forma:

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P'ra saber que a estão a amar!

Portanto, não haveria uma dificuldade de expor os sentimentos, já que o olhar é suficiente para isso, e a partir do momento em que ele conta isso (que basta "ouvir" o olhar para saber que está a amar), já disse tudo o que tinha para dizer.

Não sei se é realmente isso, parece-me plausível.

#tmj

OBS: rapaiz! esta questão é classificada como RRR, ou seja, para resolvê-la é preciso a combinação de ritalina + rivotril + red bull.

OBS2: Fernando Pessoa é fenomenal; em tempos de internet, o regresso aos poetas é uma bênção.

Também fui na "A "

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