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Q3080234 Medicina
Paciente admitido no pronto-socorro após sofrer um acidente de motocicleta. Ao exame físico, constatou-se uma fratura exposta na tíbia direita, com uma laceração de, aproximadamente, 12 cm, exposição de osso, tecido desvitalizado, cobertura de partes moles deficitária, mas sem lesão vascular aparente. Qual é a classificação de Gustilo-Anderson mais adequada para essa fratura? 
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Tema central: Classificação de Gustilo-Anderson para fraturas expostas, essencial para estimar gravidade, risco de infecção e guiar manejo.

Resposta correta: Tipo IIIB

Justificativa: A presença de laceração extensa (~12 cm), exposição óssea, tecido desvitalizado e cobertura de partes moles deficitária indica descolamento/perda de cobertura do periósteo e necessidade de cobertura com retalho para fechamento — critérios típicos do Gustilo-Anderson III B. A ausência de lesão vascular afasta o tipo IIIC.

Estratégia de interpretação: Em fraturas expostas, identifique: 1) tamanho da ferida; 2) extensão do dano a partes moles; 3) exposição óssea/periósteo; 4) necessidade de retalho; 5) lesão vascular. O ponto-chave para IIIB é a necessidade de cobertura complexa (retalho) devido à exposição óssea com cobertura insuficiente.

Análise das alternativas:

A — Tipo II: Ferida >1 cm, mas sem extensa lesão de partes moles e sem necessidade de retalho. Incompatível com exposição óssea e tecido desvitalizado importante.

B — Tipo IIIA: Lesão extensa, porém com cobertura adequada de partes moles permitindo fechamento sem retalho (há “cobertura óssea” possível). O enunciado afirma cobertura deficitária, logo não é IIIA.

C — Tipo IIIB (correta): Extensa lesão de partes moles, exposição óssea, descolamento periosteal e necessidade de retalho para cobertura. Sem lesão vascular associada.

D — Tipo IIIC: Qualquer fratura aberta com lesão arterial que requeira reparo. O caso nega lesão vascular.

Conduta prática (resumo útil para prova): antibioticoterapia IV precoce (ex.: cefazolina + aminoglicosídeo para tipo III), profilaxia antitetânica, desbridamento agressivo e irrigação, estabilização óssea, curativo a vácuo quando indicado e cobertura com retalho precoce (idealmente nas primeiras 72 h) — condutas associadas a menor infecção e melhores desfechos (UpToDate; AO/OTA; Rockwood & Green’s).

Pegadinha clássica: não confundir IIIA com IIIB. A exposição óssea com incapacidade de cobertura primária define IIIB, mesmo sem lesão vascular.

Referências essenciais: Gustilo RB et al., J Bone Joint Surg; Rockwood & Green’s Fractures in Adults; UpToDate (Open fractures: evaluation and management); AAOS/OTA guidelines.

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