Assinale V, se verdadeiras ou F, se falsas nas seguintes afi...
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
“O ócio é necessário, pois o tédio é criativo.”
- O filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da PUC-SP e ex-monge carmelita descalço, diz
- que estamos perdendo o GPS de nós mesmos ao nos preocuparmos mais com o objetivo do que
- com a jornada. Quando desprezamos a paisagem, deixamos de ampliar nosso repertório de
- imagens e a capacidade de criar – enfim, de viver.
- Em uma entrevista para o jornal Estadão, o professor, falando sobre a objetivação do
- tempo, disse que o mundo virtual faz com que as pessoas deixem de apreciar pequenas coisas,
- como a paisagem em uma viagem de carro, de ônibus ou de avião, para ficarem de cabeça baixa
- olhando seus smartphones. Um ponto muito interessante na fala do filósofo é a necessidade do
- ócio e do tédio na vida das pessoas, pois eles são propulsores da criatividade. “Não fossem eles,
- a roda, por exemplo, jamais teria sido inventada. Isso não quer dizer que não devemos trabalhar
- ou que devemos ficar estáticos esperando que uma possível ‘lâmpada’ de ideias apareça, e nossa
- vida, então, será plena em gozo”, diz. O que ele explana é que a praticidade da vida pós-moderna
- – ou seja, o fato de encontrarmos “tudo prontinho” – não nos permite criar, e que, ao ficarmos
- escravos, submissos às tecnologias, deixaremos de ser criativos.
- Diz Cortella: “existe uma instrumentalização do nosso tempo para impedir que sejamos
- capazes do ócio. O que é um passeio de fato? Aquilo que o francês chamava de ‘promedade’:
- ‘vou dar uma volta’. É você não ter rumo, não precisar saber __________ vai. Ócio não é
- vagabundagem; é diferente disso: é não ser obrigado a uma ocupação. Presidiário não tem ócio;
- desocupado não tem ócio. Ócio é quando você tem liberdade para fazer do seu tempo aquilo que
- deseja. Antigamente, a expressão de quem saía por aí de maneira livre era ‘vagamundo’ – em
- grego antigo – aliás, se diz ‘planetes’ e originou a palavra planeta, astro que fica dando voltas.
- Porém, depois a palavra virou vagabundo e ganhou conotação negativa.”
- Para o filósofo, “na sociedade capitalista, no mundo dos últimos 500 anos, dentro da ética
- protestante, a ideia de querer sair por aí, sem eira e nem beira, tornou-se absolutamente
- reprovável. Só o trabalho salva; só o trabalho dignifica. Aliás, como escreveram os nazistas nos
- campos de concentração, ‘só o trabalho liberta’. Certo? Há uma objetivação extremada do tempo
- livre hoje, a tal ponto que ficar desocupado é quase uma insuportabilidade.”
- O resultado, segundo Mario Sérgio, são crises de criatividade: “o tédio é absolutamente
- criativo. Você inventa coisas _________ não tem o que fazer. E a ausência hoje de tédio – pelo
- fato de ficarmos o tempo todo ocupados com algo – resulta numa vida que precisa ter meta e
- objetivo o tempo todo, como se fosse uma carreira. Despreza-se que a arte seria impossível com
- a ocupação contínua, mas só existe arte, filosofia, por conta da desocupação”, finaliza ele.
Fonte: http://www.portalraizes.com/cortellaociocriativo/ – Texto adaptado especialmente para esta prova.
Assinale V, se verdadeiras ou F, se falsas nas seguintes afirmativas sobre o texto.
( ) Na linha 05 e na linha 08, as palavras “professor” e “filósofo” referem-se, ambas, a Mário Sérgio Cortella (linha 01).
( ) Na linha 08, “seus” refere-se a “pessoas” (linha 06).
( ) Na linha 10, “Isso” refere-se ao fato de a roda ter sido inventada.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Gabarito comentado
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Gabarito comentado – Questão de Interpretação: Coesão Referencial e Pronominal
Tema central: A questão exige interpretação de texto, com ênfase em coesão referencial — ou seja, a capacidade de identificar para quem ou para o quê os termos do texto (sobretudo pronomes) estão apontando. Segundo Bechara (em “Moderna Gramática Portuguesa”), os pronomes e expressões que retomam ideias tornam a escrita mais coesa e evitam repetições indesejadas.
Alternativa correta: E) V – V – F
Veja a análise de cada afirmativa:
1ª afirmativa: VERDADEIRA - As palavras “professor” e “filósofo” referem-se a Mário Sérgio Cortella em trechos diferentes do texto. Este é um recurso de coesão lexical — usamos diferentes palavras (sinônimos, cargos, títulos) para nos referirmos ao mesmo referente e evitar repetições. Fique atento: termos como “autor”, “escritor” ou “pesquisador” podem, em diversos textos, retomar uma mesma pessoa!
2ª afirmativa: VERDADEIRA - O possessivo “seus” (linha 08) retoma o termo “pessoas” (linha 06), fazendo referência direta a esse substantivo plural. Trata-se de um clássico exemplo de coerência pronominal, essencial para evitar ambiguidades.
3ª afirmativa: FALSA - O pronome “isso” (linha 10) NÃO se refere apenas ao fato de a roda ter sido inventada. “Isso” retoma a ideia geral de que ócio e tédio são propulsores da criatividade. Assim, quem se apega só à palavra “roda” cai numa pegadinha: geralmente, pronomes como “isso” referem-se a orações ou ideias completas, não apenas a um item isolado. Segundo Cunha & Cintra, pronomes demonstrativos como “isso” frequentemente retomam o conteúdo da frase ou parágrafo anterior (atenção!).
Estratégia para provas: Ao resolver questões sobre referência pronominal, volte ao texto e confira o trecho imediatamente antes do termo questionado. Marque mentalmente o que está sendo retomado: é um substantivo? Uma ideia? Uma ação?
Análise dos Distratores: Veja como pegadinhas são comuns: os pronomes costumam retomar não apenas palavras isoladas, mas ideias globais. Leia todo o entorno e reflita sobre o significado mais amplo!
Resumo final: Letra E (V – V – F) é a correta, pois utiliza adequadamente os conceitos de coesão textual e referência pronominal segundo a norma-padrão.
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