Já a baunilha, após o transporte em caixas de Ward e o dese...

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 O que são as engenhosas caixas de Ward e como elas transformaram a economia mundial


A história das descobertas científicas inclui criações que, motivadas por interesses pessoais, acabaram produzindo efeitos inesperados e duradouros. Foi o que ocorreu com Nathaniel Bagshaw Ward, cujo fascínio pela botânica surgiu ainda na juventude, durante uma viagem à Jamaica. No século 19, esse interesse encontrava terreno fértil na Inglaterra, então tomada por uma intensa febre botânica, que mobilizava amadores e cientistas em busca de espécies exóticas.

Embora tenha se formado em medicina, Ward dedicou-se também à botânica e à entomologia. Em Londres, porém, enfrentava dificuldades para manter vivas muitas plantas, especialmente fetos e musgos. A Revolução Industrial havia transformado o ambiente urbano, e a poluição gerada pelas fábricas comprometia seriamente a sobrevivência das espécies cultivadas.

A solução surgiu de modo fortuito. Por volta de 1829, ao observar uma crisálida mantida em um recipiente de vidro selado, Ward notou o crescimento inesperado de um feto. O recipiente reproduzia um ciclo básico de evaporação e condensação, criando um microambiente estável. A partir dessa constatação, ele concebeu uma estufa selada em miniatura, feita de vidro e madeira, capaz de proteger plantas do ar contaminado.

Os experimentos mostraram-se eficazes, e Ward percebeu que sua invenção podia resolver outro problema recorrente: o transporte de plantas em longas viagens marítimas. Em testes com a Austrália, as plantas sobreviveram tanto na ida quanto na volta, comprovando a viabilidade do método. Embora Ward tenha imaginado aplicações domésticas e médicas para seu invento, não antecipou o impacto que ele teria sobre a economia global.

As caixas de Ward revolucionaram o transporte de plantas entre continentes. Importadores passaram a relatar índices de sobrevivência muito superiores aos anteriores, e a técnica rapidamente se difundiu. Potências imperiais logo perceberam seu valor estratégico. No caso britânico, o método foi decisivo para romper o monopólio chinês do chá, permitindo o contrabando de mudas e a implantação de grandes plantações na Índia.

Processo semelhante ocorreu com a borracha. Sementes da seringueira amazônica foram transportadas em caixas de Ward para jardins botânicos europeus e, depois, para o Sudeste Asiático, onde deram origem a plantações altamente produtivas. Com isso, o Brasil perdeu sua posição central no comércio mundial do produto, que passou a beneficiar o Império Britânico.

Outros impérios também recorreram à invenção. A Cinchona, fonte da quinina usada no combate à malária, foi levada dos Andes para colônias asiáticas, viabilizando a expansão europeia nos trópicos. O cacau, originalmente concentrado nas Américas, espalhou-se pela África Ocidental e pela Ásia, transformando essas regiões em grandes produtoras. Já a baunilha, após o transporte em caixas de Ward e o desenvolvimento da polinização manual, teve seu centro produtivo deslocado para Madagascar.

Ao longo do tempo, inúmeras plantas ornamentais e agrícolas atravessaram oceanos protegidas por essas estruturas simples. O que começou como uma solução engenhosa para um problema pessoal acabou reconfigurando cadeias produtivas, mercados e paisagens, deixando uma marca profunda na geografia botânica e na economia mundial.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yq23zzel3o.adaptado.
Já a baunilha, após o transporte em caixas de Ward e o desenvolvimento da polinização manual, teve seu centro produtivo deslocado para Madagascar.
Considerando aspectos de morfossintaxe no período, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No período destacado, o ponto central é a leitura de “Já” como marcador textual-discursivo de contraste entre o exemplo da baunilha e o caso anterior, sem função sintática essencial na oração. Isso afasta as demais alternativas, que atribuem funções sintáticas indevidas a termos do trecho.

Tema central: valor discursivo de “Já”
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica com precisão o funcionamento de “Já” no encadeamento do texto. No contexto, ele introduz o caso da baunilha em contraste com o exemplo imediatamente anterior, o do cacau, assumindo valor discursivo contrastivo. Além disso, não integra a estrutura sintática essencial da oração, que permanece formada por “a baunilha ... teve seu centro produtivo deslocado para Madagascar”. Portanto, a alternativa acerta tanto o valor de sentido quanto o papel morfossintático do vocábulo.
B
Errada
Está errada porque “para Madagascar” não funciona como complemento nominal de “centro” nem indica finalidade. No trecho “teve seu centro produtivo deslocado para Madagascar”, essa expressão preposicionada marca destino/direção do deslocamento. O erro da alternativa é tratar como complemento do nome uma expressão que, no contexto, se liga à ideia de deslocamento expressa no período.
C
Errada
Está errada porque “seu centro produtivo” é complemento sem preposição do verbo “teve”, portanto objeto direto, não objeto indireto. A presença do possessivo “seu” não altera a função sintática do sintagma. Objeto indireto depende de preposição exigida pelo verbo, o que não ocorre aqui.
D
Errada
Está errada porque, nesse período, “teve” não é verbo transitivo indireto. A estrutura correta é “teve seu centro produtivo deslocado”, em que o verbo rege objeto direto. A expressão “para Madagascar” não é complemento exigido por “teve”; ela exprime destino associado ao particípio “deslocado” e à ideia de deslocamento.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler “já” apenas como advérbio temporal, ignorando seu valor contrastivo no texto, e classificar automaticamente sintagmas preposicionados como complemento nominal ou objeto indireto, sem verificar a regência verbal e o sentido de destino.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique no contexto se “já” marca tempo ou contraste entre informações anteriores e posteriores.
  • Para identificar objeto indireto, procure preposição exigida pelo verbo; a simples presença de preposição no período não basta.
  • Nem todo termo preposicionado após um nome é complemento nominal; confirme se ele completa o nome ou se expressa circunstância como direção ou destino.

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