Homem, 78 anos, iniciou HD com um cateter vascular central ...

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Q3366290 Medicina
Homem, 78 anos, iniciou HD com um cateter vascular central (CVtunelizado, colocado através de a veia jugular interna direita. Na quinta sessão de HD, desenvolve calafrios severos, com queda na pressão arterial de 140 x 90 para 110 x 70, em 15 minutos após o início da diálise; o local de saída está limpo e intacto. A enfermeira de diálise suspeita que ele tenha uma infecção de corrente sanguínea.
Qual é a conduta mais apropriada para tratar uma infecção relacionada ao cateter devido a um patógeno não virulento?
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Tema central: A questão aborda o manejo da infecção de corrente sanguínea associada a cateter venoso central (CVC) em paciente em hemodiálise, especialmente quando causada por agentes não virulentos, situação clínica comum e potencialmente grave. O domínio desse tema é fundamental para médicos em serviços de nefrologia ou emergência.

Justificativa da alternativa correta (E): De acordo com diretrizes internacionais e revisões clínicas como UpToDate e Infectious Diseases Society of America (IDSA), o padrão-ouro para infecção de CVC por patógeno não virulento, em pacientes estáveis, é:

  • Iniciar antibióticos de amplo espectro imediatamente, cobrindo múltiplos agentes (gram-positivos, gram-negativos), reduzindo mortalidade e complicações.
  • Estreitamento do espectro antibiótico assim que houver resultado de culturas, conforme sensibilidade específica, para evitar resistência bacteriana.
  • Trocar o CVC por fio-guia ("catheter exchange over a guidewire"), método preferível em infecções não complicadas por patógeno não virulento e local de inserção íntegro, preservando acessos vasculares fundamentais para o paciente dialítico.

Segundo o IDSA Guidelines (2022): “For uncomplicated catheter-related bloodstream infections due to coagulase-negative staphylococci, catheter exchange over a guidewire is an acceptable alternative to removal.”

Análise das alternativas incorretas:

  • A): Antibióticos orais são ineficazes para infecções graves de corrente sanguínea. O tratamento deve ser intravenoso e imediato.
  • B): Remover o CVC e usar outro não tunelizado expõe o paciente a maior risco de novas infecções e tromboses, além de ser conduta restrita a quadros graves, sinais de complicação ou infecciosos altamente virulentos.
  • C): O tratamento com antibiótico é correto, porém não remaneja o dispositivo infectado, o que pode perpetuar a infecção.
  • D): Troca com fio-guia, mas sem ajuste antibiótico pós-cultura e sem desfazer antibióticos indevidos, não incorpora a necessidade de terapia dirigida conforme o patógeno.

Pegadinha: A tentação de optar apenas por antibiótico (C) ou trocar sem ajustar o tratamento (D) pode ser grande, mas a combinação de antibioticoterapia adequada + manejo do acesso é o essencial conforme recomendações atualizadas.

Resumo: Em infecções de CVC por germes pouco virulentos e sem sinais sistêmicos graves ou complicações locais, troca do cateter por fio-guia aliada ao início de antibiótico de amplo espectro, com posterior ajuste, representa o manejo recomendado nas principais diretrizes internacionais e publicações de referência como o Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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