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Q3366284 Medicina
Mulher de 36 anos, em uso de suplemento nutricional, esteve em consulta com queixa de fraqueza, dores articulares, cefaleia e elevação da pressão arterial há um mês.
Exames laboratoriais: clearance de creatinina 52 mL/min/1,73 m2, cálcio sérico 13,8 mg/dL e cálcio urinário 450 mg/24 h.
Valores de normalidade: Cálcio 8,8 a 10,4 mg/dL; fósforo 3 – 4,5 mg/dL; cálcio urinário 60 – 200 mg/24 h; vitamina D 30 a 100 ng/dL; PTH 10 a 65 pg/mL.
Considerando o diagnóstico mais provável, os demais exames laboratoriais esperados são:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda a hipervitaminose D, seu impacto no metabolismo mineral e repercussões renais. Os achados clínicos (fraqueza, artralgia, cefaleia, hipertensão) e laboratoriais (hipercalcemia e hipercalciúria) apontam fortemente para este diagnóstico, especialmente em paciente usando suplemento nutricional com vitamina D.

Raciocínio clínico: O excesso de vitamina D aumenta a absorção intestinal e a mobilização óssea de cálcio, levando a hipercalcemia (Ca elevado), hipercalciúria (risco de lesão renal e azotemia) e PTH suprimido (mecanismo de feedback negativo do cálcio alto). O fósforo tende a permanecer normal ou discretamente baixo, uma vez que a hipercalcemia reduz a reabsorção tubular de fósforo.

Justificativa da alternativa correta (A):
PTH baixo (12 pg/mL): esperado porque o PTH é suprimido em resposta ao cálcio elevado.
Fósforo normal (3,6 mg/dL): pode permanecer normal em casos de intoxicação mais aguda.
Vitamina D muito elevada (160 ng/mL): indica abuso de suplemento e caracteriza a intoxicação.

Esses achados são totalmente compatíveis com o diagnóstico de hipervitaminose D. Como referência, o Harrison’s Principles of Internal Medicine (21ª ed., Cap. 423) descreve: “Intoxicação por vitamina D cursa com hipercalcemia, hipercalciúria, PTH baixo e vitamina D elevada.”

Análise das alternativas incorretas:

  • B: Fósforo elevado seria mais esperado em insuficiência renal avançada ou hiperparatireoidismo secundário.
  • C, D, E: PTH elevado ou dentro da normalidade alta não condiz com supressão esperada do PTH na hipercalcemia por hipervitaminose D. Além disso, vitamina D normal ou baixa nessas alternativas não condiz com intoxicação (exceto a C nos níveis mal interpretados de PTH).

Pontos de atenção (estratégia de prova): O ponto-chave é reconhecer os sinais de hipervitaminose D (principal achado: vitamina D >100 ng/mL) e associar PTH baixo na presença de hipercalcemia importante. Cuidado com pegadinhas: hiperparatireoidismo primário (PTH alto) e insuficiência renal crônica (PTH alto + fósforo alto) não encaixam nas alterações apresentadas.

Segundo o Protocolo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia: “Os sintomas e sinais de toxicidade pela vitamina D estão especialmente relacionados ao grau de hipercalcemia e incluem fraqueza, cefaleia, poliúria, polidipsia, constipação e nefrocalcinose.”

Portanto, a alternativa correta é a A.

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