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Q3366279 Medicina
Mulher 46 anos, procura PS com história de dois dias de febre, cefaleia, dor retro ocular e muscular sendo feito o diagnóstico sorológico de dengue. Transplante renal doador falecido há cinco anos, em uso regular de sirolimo 2 mg/dia, tacrolimo 6 mg/dia e corticoide 5 mg/dia, ausência de proteinúria. Exames laboratoriais no PS: creatinina: 1,5 mg/dL (anterior de 1,0 mg/dl); hematócrito 40%; plaquetas 56.000/mm3; leucócitos 2.400/mm3. Exame de urina: hemácias 10/campo; leucócitos 5/campo; proteína ++/4.
A conduta imediata deve ser:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: manejo da dengue em transplantado renal sob imunossupressão. Em infecções virais com citopenias, a conduta-padrão é reduzir/pausar o imunossupressor mielossupressor (antimetabólitos ou inibidores de mTOR) e manter o inibidor de calcineurina e o corticoide em dose basal para evitar rejeição.

Alternativa correta: C – Interromper sirolimo; manter tacrolimo e corticoide.

Justificativa: A paciente tem dengue com plaquetopenia (56 mil) e leucopenia, achados típicos da doença e potencialmente agravados por sirolimo (inibidor de mTOR com efeito mielossupressor). Pausar o sirolimo favorece a recuperação hematológica e reduz risco de sangramento. Tacrolimo e corticoide devem ser mantidos para prevenir rejeição aguda. Aumento de creatinina leve e proteinúria/hematúria podem ocorrer na dengue (lesão renal aguda por hipovolemia/capilar leak, glomerulopatia transitória), não configurando rejeição de imediato.

Referências: KDIGO – Kidney Transplant Recipient Guideline (2020): reduzir/cessar antimetabólitos/mTOR em infecções significativas ou citopenias; UpToDate: manejo de infecção em transplantados; OMS/Ministério da Saúde: dengue é tratamento de suporte, sem benefício de corticoide de rotina; Harrison’s: citopenias e proteinúria transitória são comuns na dengue.

Estratégia de prova: Em transplantado com infecção viral + citopenias, pense em pausar o agente mielossupressor (MMF/azatioprina/sirolimo) e manter CNI. Biopsia é evitada com plaquetas baixas.

Por que as demais estão incorretas?

A – Reduzir tacrolimo para “melhorar imunidade” aumenta risco de rejeição; o alvo aqui é o fármaco que piora as citopenias (sirolimo), não o CNI.

B – Biópsia com plaquetas 56 mil eleva risco de sangramento; o quadro favorece dengue, não rejeição. Pulso de corticoide piora imunossupressão e não é indicado na dengue de rotina.

D – Hidratação é importante, mas “aumentar corticoide” não tem benefício na dengue e pode agravar infecção, hiperglicemia e sangramento. Manter doses basais é o adequado.

E – Supor glomerulonefrite de imediato é precipitado; proteinúria/hematúria podem ser transitórias na dengue. Aumentar tacrolimo/corticoide eleva risco infeccioso. Iniciar IECA/BRAs em AKI e dengue (risco de hipotensão) é inadequado.

Condutas práticas associadas: hidratação guiada por clínica/hematócrito, evitar AINEs; usar dipirona/paracetamol; monitorar função renal, plaquetas e hematócrito; considerar internação pelo transplante + citopenias; checar níveis de tacrolimo (hepatopatia da dengue pode alterá-los).

Gabarito: C

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