Com relação aos sintomas da doença do refluxo gastroesofágic...
( ) Os sintomas considerados típicos da DRGE são a pirose e a regurgitação, que, em razão de sua alta especificidade, apresentam valor preditivo para o diagnóstico da DRGE.
( ) Dor torácica não cardíaca, tosse crônica, laringite e asma estão entre os sintomas atípicos da DRGE, cuja manifestação está associada aos sintomas típicos da doença.
( ) Os sintomas de alerta da DRGE, como hemorragia digestiva, disfagia e odinofagia, são frequentemente associados a complicações, razão pela qual os pacientes devem receber abordagem diagnóstica mais agressiva.
( ) O teste terapêutico com inibidor da bomba protônica em dose padrão habitual por um período variável, em geral, de quatro semanas permite, em alguns casos, inferir o diagnóstico de DRGE.
Assinale a sequência correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) — reconhecimento de sintomas típicos e atípicos, sinais de alarme e uso do “teste terapêutico” com inibidor de bomba de prótons (IBP) para apoio diagnóstico.
Gabarito: D — F F V V
Justificativa afirmativa por afirmativa
1) Falso. Pirose e regurgitação são sintomas típicos de DRGE, porém não são altamente específicos. Têm boa sensibilidade, mas podem ocorrer em dispepsia funcional, esofagite eosinofílica, uso de AINEs, entre outros. Logo, o valor preditivo isolado é limitado; o diagnóstico é clínico-probabilístico e pode requerer endoscopia ou pH-impedanciometria conforme o contexto. (ACG GERD Guideline 2022; UpToDate 2024)
2) Falso. Dor torácica não cardíaca, tosse crônica, laringite e asma são sintomas atípicos/extraesofágicos, mas não precisam estar associados aos sintomas típicos; podem ocorrer isoladamente e têm baixa especificidade para DRGE. Nesses quadros, recomenda-se investigar causas alternativas e não assumir DRGE apenas por coexistência. (ACG 2022; Federação Brasileira de Gastroenterologia – FBG, Consenso DRGE)
3) Verdadeiro. Sinais de alarme (hemorragia digestiva, disfagia, odinofagia, anemia, perda de peso) sugerem complicações como esofagite erosiva grave, estenose, Barrett ou neoplasia, exigindo endoscopia precoce e abordagem diagnóstica mais agressiva, em vez de apenas teste terapêutico. (Harrison’s; ACG 2022)
4) Verdadeiro. O teste terapêutico com IBP em dose padrão por ~2–4 semanas nos pacientes com sintomas típicos e sem alarme pode aumentar a probabilidade de DRGE quando há resposta clínica. Não é confirmatório (há falsos negativos/positivos), mas é uma estratégia aceitável na prática. Em manejo de manutenção/erosiva, costuma-se estender para 8 semanas. (ACG 2022; UpToDate)
Estratégia de prova
- Desconfie de frases que superestimem “alta especificidade” para sintomas típicos.
- Em sintomas extraesofágicos, lembre: baixa especificidade e podem ocorrer sem pirose/regurgitação.
- Alarmes pedem endoscopia, não apenas IBP.
- Resposta ao IBP apoia, mas não confirma DRGE.
Por que as alternativas A, B e C estão incorretas?
- A (V F V F): erra a 1 (não é V) e a 4 (é V).
- B (F V F F): erra a 2 (não é V) e a 3–4 (ambas são V).
- C (V V F V): erra a 1–2 (não são V) e a 3 (não é F).
Referências essenciais: ACG Clinical Guideline: GERD (2022); UpToDate: Clinical manifestations and diagnosis of GERD (acesso 2024); Harrison’s Principles of Internal Medicine; Consensos FBG/SOBED sobre DRGE.
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